“Devemos começar a pensar em 680 mil mortos em Gaza”: número pode ser dez vezes superior aos 65 mil estimados
Perry Mason (1957-1966)
"680
mil é o número que alguns académicos e investigadores apontam como a verdadeira
cifra de mortos em Gaza", afirmou a relatora da ONU para os territórios
palestinianos ocupados
A relatora da ONU para os territórios palestinianos ocupados
afirmou esta segunda-feira que o número de mortos na guerra de Gaza é muito
superior a 65 mil e pode rondar os 680 mil.
Em conferência de imprensa, Francesca Albanese declarou que
a população da Faixa de Gaza "tem suportado" 710 dias de "horror
absoluto" e "65 mil é o número de palestinianos alegadamente mortos,
dos quais mais de 75% são mulheres e crianças".
"Na verdade, devemos começar a pensar em 680 mil,
porque este é o número que alguns académicos e investigadores apontam como a
verdadeira cifra de mortos em Gaza", afirmou.
Albanese referiu que meios científicos especializados e até
investigadores israelitas apontam para esta estimativa com base em cálculos
sobre o nível de destruição no território e o número de pessoas que aparentam
ainda viver ali.
"Se este número se
confirmar, 380 mil serão crianças com menos de 5 anos",
sublinhou.
Face à intensidade dos bombardeamentos israelitas, que
destruíram praticamente toda a Faixa de Gaza, "levará anos a verificar o
número verdadeiro de vítimas e a recuperar os restos mortais desta catástrofe,
como aconteceu na Bósnia", acrescentou a relatora, uma das primeiras
figuras públicas a afirmar que está a ser cometido um genocídio em Gaza.
De nacionalidade italiana, Albanese foi sancionada pelos
Estados Unidos devido à sua posição e, entre outras restrições, não pode viajar
a Nova Iorque para apresentar o seu relatório à Assembleia-geral da ONU, salvo
se obtiver uma isenção de última hora.
Sobre a nova vaga de ataques israelitas na capital do
enclave, a cidade de Gaza, Albanese afirmou que Israel está a utilizar
"armas não convencionais que nunca se tinha visto, bem como armamento
recentemente montado, que destrói bairros inteiros e o que resta dos edifícios
onde a população procura refúgio".
A relatora disse que este último assalto tem como razão o
facto de ser "o último pedaço de terra onde
a guerra deveria ser impossível antes de avançar com a limpeza étnica e
dirigir-se, provavelmente, à Cisjordânia".
Relativamente à Cisjordânia, Albanese sustentou que a
população enfrenta uma "pressão intensificada", com mais de mil
palestinianos mortos desde o início da guerra entre o Hamas e Israel, incluindo
212 crianças, além do aumento de assassínios seletivos, da destruição de campos
de refugiados e do deslocamento forçado de 40 mil civis.
Fonte: Expresso, 16 de setembro de 2025

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