Grupo armado afirma ter criado área em Khan Younis para residentes de Gaza que procuram alternativa ao governo do Hamas

Um antigo membro das forças de segurança da Autoridade Palestiniana em Gaza afirma ter formado um grupo que opera contra o Hamas em Khan Younis, no sul de Gaza, e exorta os palestinianos da região a procurarem segurança junto dele

Hossam al-Astal disse ao The Times of Israel que o seu grupo acolherá "qualquer pessoa que viva sob a opressão do Hamas" e que há comida, água e abrigo suficientes para todos.

"Nos próximos dias, traremos mais 300 a 400 pessoas", disse, acrescentando que o grupo realiza verificações de segurança para garantir que aqueles que se juntam não têm ligações ao Hamas.

O grupo de Al-Astal estabeleceu-se em redor da aldeia de Kizan al-Najjar, a sul de Khan Younis, que foi esvaziada dos seus moradores durante a guerra. O local fica a cerca de um quilómetro de al-Mawasi, para onde Israel direcionou os palestinianos deslocados da Cidade de Gaza.

"Sou responsável pela (nova) zona humanitária em Khan Younis", explica, comparando os seus esforços aos de Yasser Abu Shabab, cujo gangue armado montou estruturas de segurança e infraestruturas civis como alternativa ao domínio do Hamas em partes de Rafah controladas por Israel nos últimos meses.

Os dois homens e os seus respetivos grupos estão em contacto, diz al-Astal, "mas cada um de nós opera de forma independente".

Oriundo de uma família beduína da região de Khan Younis, al-Astal, de 50 anos, diz que trabalhou em Israel durante muitos anos e, mais tarde, para as forças de segurança da AP, quando ainda controlavam Gaza. Foi preso pelo Hamas diversas vezes. Contas de redes sociais ligadas ao Hamas partilharam imagens de al-Astal nos últimos dias, acusando-o de colaborar com Israel.

Afirma que existe "coordenação" entre o seu grupo e Israel e que em breve "contaremos com Israel para nos fornecer eletricidade e água".

Al-Astal afirma que o grupo possui armas para se defender e que recebeu financiamento de diversas fontes, incluindo os EUA, a Europa e países árabes não especificados.

"As pessoas aqui não querem o Hamas, querem a paz com Israel", diz. "Tenho 50 anos; lembro-me de quando o exército e Israel estavam em Gaza e vivíamos em paz", reflete. "As crianças brincavam, iam à escola e não havia problemas. Mas hoje, o terror do Hamas destruiu Gaza e o seu povo."

Fonte: Times of Israel, 19 de setembro de 2025

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