Investigação revela rede de desinformação financiada pela Rússia para manipular eleições na Moldávia
Nautilus (2024)
Uma investigação revelou a existência de uma rede
secreta, financiada por Moscovo, que procura influenciar as eleições
parlamentares na Moldávia. O esquema é centrado em propaganda digital e
notícias falsas
A Moldávia, país situado entre a Ucrânia e a Roménia,
encontra-se no centro de uma nova ofensiva de desinformação russa. De acordo
com a reportagem da BBC, uma
investigação trouxe a público a existência de uma rede clandestina com o
objetivo de manipular a opinião pública e minar a confiança no processo
democrático, precisamente a poucos dias do sufrágio parlamentar marcado para 28
de setembro.
A operação assenta num modelo de recrutamento de cidadãos
moldavos através da aplicação de mensagens encriptadas no Telegram. Os aliciados eram instruídos para criar e partilhar
conteúdos favoráveis à Rússia e hostis ao governo pró-europeu de Chisinau.
Em troca, recebiam remunerações mensais pagas a partir de instituições
financeiras russas sancionadas pela comunidade internacional, incluindo o
Promsvyazbank, banco estatal com ligações diretas ao ministério da Defesa
russo.
As tarefas atribuídas aos participantes iam desde a difusão
de rumores sobre alegadas fraudes eleitorais até à invenção de acusações graves
contra a presidente Maia Sandu e o seu partido, o Ação e Solidariedade (PAS). Entre os exemplos de desinformação encontravam-se falsos
testemunhos que ligavam Sandu a tráfico de crianças e a redes de escravidão
sexual, acompanhados de instruções detalhadas sobre hashtags e
expressões que deveriam ser repetidas nas redes sociais.
Para além da propaganda digital, a rede incentivava também a
realização de sondagens falsas em nome de organizações inexistentes. Estes
“inquéritos” tinham a dupla função de manipular perceções sobre as intenções de
voto e de criar, posteriormente, uma base
narrativa para contestar os resultados oficiais, caso o PAS venha a
confirmar a vantagem que as
sondagens legítimas lhe atribuem.
O epicentro da operação parece ligar-se ao oligarca moldavo Ilan Shor, atualmente
fugitivo em Moscovo e alvo de sanções tanto pelos Estados Unidos como pelo
Reino Unido e pela União Europeia.
Shor, acusado de corrupção e de servir os interesses do
Kremlin, já tinha sido apontado como responsável por tentativas anteriores de
compra de votos e manipulação política na Moldávia. Uma das organizações
associadas à rede, a ONG Evrazia, foi
igualmente sancionada por alegados subornos a cidadãos para votarem contra a
adesão à União Europeia em referendos anteriores.
Fonte: 24 Notícias, 21 de setembro de 2025

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