Israel destrói segunda torre na Cidade de Gaza
Israel
destruiu hoje um edifício alto na Cidade de Gaza, alegando que era “utilizado
pelo [grupo islamita] Hamas”, anunciou o Exército em comunicado, mas, segundo
testemunhas, não foi a mesma torre que tinha
avisado que ia bombardear
O Exército “atingiu recentemente um edifício alto utilizado
pela organização terrorista Hamas na zona da Cidade de Gaza”, avançou o
comunicado militar.
Testemunhas citadas pela agência de notícias francesa AFP
afirmaram que o edifício destruído era a Torre Soussi, localizada no mesmo
perímetro de evacuação da Torre Ruya, que o Exército israelita tinha anunciado
anteriormente que pretendia atingir.
Vídeos da torre de 15 andares a desabar numa grande nuvem de
poeira após explosões na sua base estão a circular nas redes sociais, um dos quais foi republicado pelo ministro da Defesa,
Israel Katz, acompanhado da palavra “Continuamos”.
Na sexta-feira, após a destruição de um outro edifício alto
no oeste da Cidade de Gaza, tinha escrito:
“Começámos”.
O Exército israelita tinha anunciado na sexta-feira que ia
fazer, “nos próximos dias”, um ataque contra edifícios altos na Cidade de Gaza
antes de conquistar a cidade, argumentando que os prédios “se tornaram
infraestruturas terroristas”.
No comunicado em que anunciou o bombardeamento, o Exército
israelita argumentou que “os terroristas do
Hamas instalaram equipamento de inteligência e estabeleceram postos de
observação no edifício para monitorizar a localização das tropas na área”,
acrescentando que o grupo islamita palestiniano também “estabeleceu
infraestruturas subterrâneas junto ao edifício”.
Este é a segunda torre bombardeada pelo Exército na Cidade
de Gaza nas últimas 24 horas, na sequência de uma nova operação para demolir os
últimos edifícios da cidade antes de assumir o controlo total daquela que é
considerada a capital de Gaza.
Ao longo da sua ofensiva de quase dois anos em Gaza,
Israel usou o mesmo argumento para bombardear escolas, abrigos, tendas,
clínicas, hospitais e pontos de distribuição de alimentos: a
presença de “infraestruturas terroristas” do Hamas, mas, na maioria dos casos,
não apresentou quaisquer provas.
De manhã, uma outra mensagem do Exército instava os
residentes de um edifício residencial no sudoeste da Cidade de Gaza e as
pessoas nos arredores e abandonarem o local, avisando que o bombardeamento do
prédio estava iminente.
“Alerta urgente aos residentes da Cidade de Gaza [...] e
especialmente aos que se encontram no edifício Al-Rouya [...] ou nas tendas
próximas”, lê-se numa publicação feita nas redes pelo porta-voz em árabe do
exército israelita, Avichay Adraee.
A mensagem foi acompanhada de uma
imagem da vista aérea da zona, que mostrava o edifício assinalado a vermelho,
mas o alvo acabou por não ser este.
As autoridades aconselharam ainda os residentes da Cidade de
Gaza a dirigirem-se para uma “zona humanitária” declarada por Israel mais a sul
da Faixa de Gaza.
A ONU estima que estejam cerca de um milhão de pessoas na
região da Cidade de Gaza, alertando para um “desastre iminente” em caso de mais
ataques israelitas.
Fonte: Lusa, 6 de setembro de 2025

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