Israel e Índia assinam acordo de investimento com receção de Smotrich em Nova Deli

Law Abiding Citizen (2009) - Josh Stewart

Ministro das Finanças da Índia apela a uma maior colaboração em "cibersegurança" e "defesa" entre os dois países

Israel e Índia assinaram um acordo bilateral de investimento para expandir o comércio mútuo durante a visita do ministro das Finanças israelita de extrema-direita, Bezalel Smotrich, ao país do Sul da Ásia, que aprofundou os seus laços com Israel sob o governo do primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi.

O acordo, assinado em Nova Deli por Smotrich e pela ministra indiana dos Assuntos Corporativos, Nirmala Sitharaman, visa impulsionar os fluxos de comércio e investimento entre os dois países. Sitharaman enfatizou a necessidade de uma maior colaboração em "cibersegurança, defesa, inovação e alta tecnologia".

O acordo marcou "um importante passo estratégico para a nossa visão conjunta", disse Smotrich, que foi sancionado por vários países ocidentais pelas suas ligações aos colonatos ilegais na Cisjordânia ocupada.

“O acordo hoje firmado entre Israel e a Índia reflete o nosso crescimento económico, inovação e prosperidade mútua”, escreveu no X.

“Este acordo abrirá novas oportunidades para investidores em ambos os países, fortalecerá as exportações israelitas e fornecerá às empresas a certeza e as ferramentas para crescer num dos maiores e mais dinâmicos mercados do mundo.”

O ministério das Finanças indiano descreveu o acordo como um “marco histórico”, acrescentando que fomentará a cooperação em “inovação em fintech, desenvolvimento de infraestruturas, regulamentação financeira e conectividade de pagamentos digitais”.

O comércio bilateral atingiu os 3,9 mil milhões de dólares em 2024, enquanto os investimentos mútuos atuais ascendem a cerca de 800 milhões de dólares, segundo dados oficiais. Mas a maior parte do comércio entre os dois países é na área da defesa e segurança, sendo Nova Deli o maior comprador de armas de Israel.

No ano passado, as empresas indianas também venderam rockets e explosivos a Israel durante a guerra israelita em Gaza, revelou uma investigação da Al Jazeera.

O acordo surge numa altura em que Nova Deli se aproxima de Israel, mesmo com Israel a enfrentar um crescente isolamento político devido à sua guerra genocida em Gaza. A Índia foi um dos primeiros países a aproximar-se de Israel após o ataque de 7 de outubro de 2023, liderado pelo Hamas, condenando-o como "um ato de terror".

As autoridades indianas reprimiram os protestos pró-Palestina, chegando mesmo a criminalizá-los em alguns casos, ao mesmo tempo que permitiram manifestações pró-Israel.

A Índia ainda apoia a chamada solução de dois Estados para a resolução do conflito entre Israel e a Palestina, mas absteve-se de várias resoluções das Nações Unidas que criticavam as violações dos direitos israelitas contra os palestinianos.

Em 2024, a Índia também se absteve numa votação na Assembleia Geral da ONU que apelava a um cessar-fogo "imediato, incondicional e permanente" em Gaza.

Os indianos constituem o maior grupo de estudantes estrangeiros em Israel, enquanto as empresas de construção israelitas procuraram obter permissão para contratar até 100 000 trabalhadores indianos para substituir os palestinianos cujas licenças foram revogadas após Israel ter lançado a sua brutal guerra em Gaza, em outubro de 2023.

A Índia também se recusou a condenar a guerra de Israel contra o Irão e rejeitou apoiar a condenação dos ataques israelitas pela Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês). Contudo, após as tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Índia, que entraram em vigor no final do mês passado, Nova Deli assinou este mês uma declaração da SCO que condenava os bombardeamentos dos EUA e de Israel sobre o Irão.

A Índia avançou ainda para reparar as suas relações com a rival China, representando um revés para anos de política norte-americana que utilizava Nova Deli como contrapeso a Pequim.

“A China e a Índia deveriam ser parceiras, não rivais”, disse o presidente chinês, Xi Jinping, a Modi à margem da cimeira da SCO em Tianjin.

Fonte: Al Jazeera, 8 de setembro de 2025

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