Patel, do FBI, enfrenta audições no Congresso dos EUA após erros na investigação da morte de Kirk
Perry Mason
(1957-1966) – Suzanne Lloyd, Raymond Burr
Os
conservadores questionam a qualificação do chefe do FBI para chefiar a agência
enquanto se prepara para o inquérito no Senado e na Câmara
O diretor do FBI, Kash Patel, está a preparar-se para o
escrutínio do Congresso dos Estados Unidos sobre a sua liderança na
investigação do assassinato do comentador conservador Charlie Kirk, após os
primeiros erros relatados, incluindo o seu anúncio erróneo nas redes sociais de
que "o sujeito" do assassinato estava sob custódia.
Patel deverá comparecer na terça e quarta-feira perante as
comissões judiciais do Senado e da Câmara, durante as quais deverá responder a
perguntas não só sobre a forma como o FBI lidou com o caso Kirk, mas também se conseguirá estabilizar uma agência
fragmentada por disputas políticas e turbulência interna desde a sua nomeação,
enquanto divisões políticas tóxicas assolam o país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou Patel no sábado
pela rapidez com que o FBI identificou e capturou o alegado assassino de Kirk,
Tyler Robinson.
Mas isso não impediu as críticas até de colegas
conservadores, que começaram a questionar-se se Patel está qualificado para
dirigir o principal órgão de segurança pública do país, com 38 mil
funcionários, incluindo 13 mil agentes.
Numa declaração publicada no X na sexta-feira, Christopher
F. Rufo, membro do think tank conservador Manhattan Institute, escreveu que era
"tempo de os republicanos avaliarem se Kash Patel é o homem certo para
comandar o FBI".
"Tem tido um desempenho péssimo nos últimos dias, e não
é claro se possui a perícia operacional necessária para investigar,
infiltrar-se e travar os movimentos violentos — de qualquer ideologia — que
ameaçam a paz nos Estados Unidos", acrescentou.
"Tenho falado por telefone nos últimos dias com muitos
líderes conservadores, todos os quais apoiam incondicionalmente a administração
Trump e nenhum deles está confiante de que a atual estrutura do FBI esteja à
altura desta tarefa", acrescentou Rufo.
O comentador conservador Erick Erickson também se
manifestou, escrevendo no X: "A situação do FBI é preocupante".
Uma notícia anterior do jornal The Guardian afirmava
que Patel também foi ridicularizado por grupos de extrema-direita pela sua
"resposta desajeitada" ao assassinato de Kirk.
As últimas questões sobre as qualificações de Patel surgiram
horas após o assassinato de Kirk.
Enquanto os agentes investigavam, Patel publicou no X:
"O indivíduo responsável pelo horrível tiroteio de hoje, que tirou a vida
a Charlie Kirk, está sob custódia". A informação revelou-se incorreta.
Patel logo depois publicou que a pessoa sob custódia tinha sido libertada.
O líder da minoria no Senado, Dick Durbin, republicano,
descreveu o erro de Patel como "momento amador" e questionou o seu
profissionalismo.
À medida que a busca se prolongava, Patel desabafou com
raiva junto de agentes do FBI, na quinta-feira, sobre o que considerava ser uma
falha em mantê-lo informado, incluindo o facto de não lhe terem mostrado
rapidamente uma fotografia do presumível atirador, segundo a agência de
notícias Associated Press.
No dia em que Kirk foi morto, Patel enfrentou também um
processo interposto por três altos executivos do FBI, demitidos numa purga em
agosto, que caracterizaram como uma campanha de retaliação da administração
Trump.
Entre eles estava Brian Driscoll, que, enquanto diretor
interino do FBI nos primeiros tempos da administração Trump, resistiu às
exigências do Departamento de Justiça para que fossem divulgados os nomes dos
agentes que investigaram o motim de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos EUA.
Driscoll alegou no processo que foi demitido depois de
contestar o desejo da liderança de despedir um piloto do FBI que tinha sido
identificado erradamente nas redes sociais como parte da busca da agência por
documentos confidenciais na propriedade de Trump em Mar-a-Lago.
Patel enfrenta também outras questões, incluindo a sua
insistência em dar seguimento às queixas de Trump muito depois de concluída a
investigação sobre a Rússia, bem como uma reorientação de recursos que tem dado
prioridade ao combate à imigração ilegal e ao crime de rua.
"Devido ao ceticismo que alguns membros do Senado
tiveram e ainda têm, é extremamente importante que ele tenha um ótimo
desempenho nestas audições de supervisão", disse Gregory Brower, antigo
alto funcionário do FBI para assuntos do Congresso.
O FBI recusou comentar o próximo depoimento de Patel.
Fonte: Al Jazeera, 14 de setembro
de 2025

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