Polícia detém veterano da RAF que protestava contra genocídio enquanto Reino Unido prepara visita de Estado para criminoso de guerra israelita
Law Abiding
Citizen (2009) - Christian Stolte
Um veterano da RAF, usando um andarilho, estava entre as
centenas de pessoas detidas em Londres no sábado, durante um ato em massa de
desobediência civil contra a decisão do governo do Reino Unido de proibir o
grupo não violento Palestinian Action, ao abrigo da legislação antiterrorista.
O número total de pessoas detidas por protestarem contra a proibição atingiu
quase 900 desde julho, no que os grupos de defesa dos direitos humanos dizem
representar uma das repressões mais agressivas contra a dissidência política na
história recente do Reino Unido.
O veterano, identificado apenas como Steve, juntou-se a cerca de 1500 outras pessoas — muitas delas idosas ou deficientes — segurando cartazes com as palavras: "Oponho-me ao genocídio. Apoio a Palestine Action". Até ao final do dia, a polícia informou ter detido 890 pessoas no total desde que a proibição entrou em vigor, com mais de 400 detidas apenas durante a manifestação de sábado, a maioria por alegadamente demonstrarem apoio a uma organização proscrita. Outras foram detidas por ofensas à ordem pública.
O protesto, organizado pela Defend Our Juries (DoJ), foi um
dos maiores atos coordenados de desobediência civil da história britânica. Os
participantes permaneceram sentados em silêncio no chão ou em cadeiras durante
mais de oito horas, tendo muitos recusado fornecer dados pessoais quando foram
detidos. Entre os detidos
estavam um padre anglicano de 83 anos, uma parteira do NHS, dois enfermeiros de
saúde mental, uma médica reformada na casa dos oitenta e um homem cego de 62
anos.
Apesar da natureza calma do protesto, a Polícia
Metropolitana mobilizou grandes esquadrões de polícias para prender os
manifestantes um a um. Imagens publicadas pela Novara Media mostraram
polícias a usar táticas agressivas, incluindo bastões e força física, mesmo
contra participantes visivelmente frágeis.
Os organizadores disseram que as detenções expuseram a
natureza "completamente distópica" da proibição da Palestine Action.
"Isto é um enorme embaraço para a Polícia Metropolitana", disse um
porta-voz do DoJ. “Alegaram que iriam prender todos os portadores de cartazes.
Falharam. Há simplesmente muitas pessoas que se opõem à cumplicidade deste
governo com o genocídio”.
A Palestine Action foi proibida pela Lei do Terrorismo em julho,
após uma campanha de ação direta não violenta contra os fabricantes de armas
israelitas que operam no Reino Unido. É a primeira vez na história do Reino
Unido que um grupo de protesto não violento é proibido pelas leis do terrorismo
— colocando-o legalmente na mesma categoria do Daesh e da Al-Qaeda.
Sob a nova designação, apoiar a Palestine Action de qualquer
forma – como levar um cartaz, participar num protesto ou organizar um seminário
jurídico – pode implicar uma pena de prisão até
14 anos. Organizações de defesa das liberdades civis condenaram a
medida como um grave ataque a direitos democráticos fundamentais, incluindo a
liberdade de expressão e de reunião.
Enquanto os manifestantes enfrentam longas penas de prisão
por manifestarem solidariedade para com a Palestina, o governo do Reino Unido prepara-se para receber o presidente
israelita Isaac Herzog no final
deste mês, estendendo a passadeira vermelha ao chefe de Estado de um país
formalmente acusado de genocídio pelo Tribunal Internacional de Justiça.
Herzog, que defendeu a agressão militar israelita em Gaza,
irá alegadamente reunir-se com as autoridades britânicas e participar em
negociações de alto nível, apesar do ataque israelita em curso, que já matou
mais de 64 mil palestinianos desde outubro de 2023, sobretudo mulheres e
crianças.
Entre os detidos no sábado estava a reverenda Sue Parfitt,
de 83 anos, uma ativista pela paz de longa data, que disse aos jornalistas ter
violado deliberadamente as condições da sua fiança para enviar uma mensagem de
solidariedade aos palestinianos. "Quero ter a certeza de que estou
absolutamente do lado deles", disse ela.
Entretanto, Shabana Mahmood, recém-nomeada secretária do
Interior, visitou a sala de controlo da polícia no dia da repressão e elogiou
as detenções. "Foi uma honra", publicou nas redes sociais. Os seus
comentários geraram críticas de ativistas que dizem que o governo está mais
focado em criminalizar o sentimento pró-Palestina do que em abordar o comércio
de armas ou investigar crimes de guerra.
Um agente da Polícia Metropolitana terá dito à Novara
Media que prender pessoas ao abrigo da proibição o fazia sentir-se
“enojado” e “envergonhado”. Até a Federação da Polícia alertou para o
esgotamento e exaustão emocional dos agentes devido às exigências de fazer
cumprir uma lei que muitos consideram injusta e insustentável.
Fonte: Middle East Monitor, 8 de setembro de 2025







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