Primeiro casal lésbico do mundo

O casal holandês Helene Faasen e Anne-Marie Thus entrou para a história há 10 anos [2011], quando subiu ao altar como o primeiro casal de mulheres legalmente casado no mundo — uma distinção que hoje colocam ao serviço do ativismo.

«Casámos por amor, não por política. Mas, claro, estávamos conscientes de que era um momento histórico», afirmou Thus, de 41 anos, assistente de notário e militante pelos direitos LGBT, à AFP, na véspera do aniversário, esta sexta-feira, do primeiro casamento homossexual do mundo.

Ao trocarem alianças diante da imprensa internacional, «queríamos levar outras pessoas a refletir sobre quão horrível é ser privado de algo que é um direito natural para os outros», acrescentou a sua esposa, Helene Faasen, notária de 44 anos. «Uma pessoa heterossexual nunca tem de pensar se lhe é permitido casar ou não, só precisa de ter a sorte de encontrar o amor da sua vida.»

Os Países Baixos foram o primeiro país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2001. Faasen e Thus, ambas em longos vestidos de noiva tradicionais, trocaram os votos em Amesterdão a 1 de abril desse ano, perante o então presidente da câmara, Job Cohen, juntamente com três casais de homens.

Desde então, quase 15 mil casais homossexuais casaram-se nos Países Baixos — cerca de 2% do total de casamentos registados entre 2001 e 2010, segundo dados do Instituto Central de Estatística.

De acordo com o COC, a associação de defesa dos direitos LGBT mais antiga do mundo, sediada em Amesterdão, vivem no país cerca de um milhão de pessoas homossexuais, bissexuais e transgénero, num total de 16,7 milhões de habitantes.

Atualmente, Faasen e Thus vivem em Maastricht, no sul dos Países Baixos, com os dois filhos: Nathan, de 10 anos, e Myrthle, de 9, nascidos através de inseminação com dadores anónimos.

«Como tantas outras pessoas, temos uma família, trabalho, uma casa, um cão e dois coelhos», contou Thus, que conheceu «o amor da sua vida» num encontro às cegas em 1998. «De manhã também temos de ralhar com os miúdos para se levantarem e tomarem o pequeno-almoço… é tudo muito normal», acrescentou.

As crianças, disse Faasen, encaram a sua família «como apenas uma das muitas possibilidades que existem». «A única objeção do nosso filho foi ter de fazer trabalho a dobrar no Dia da Mãe

O casal protege ferozmente a sua privacidade, preferindo dar entrevistas no escritório de Faasen, em Amesterdão, em vez de em casa. Mas admite levantar o véu em ocasiões especiais, em nome do ativismo. «Gostamos de mostrar o quão aborrecidas e normais somos», disse Faasen, piscando o olho à parceira. «Não é a Sodoma e Gomorra que tantas pessoas aparentemente esperavam que resultasse da legalização do casamento gay.»

Dez anos após aquele casamento histórico, o matrimónio homossexual continua ilegal em muitos países. Em alguns Estados, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo permanecem proibidas e puníveis, chegando mesmo à pena de morte no Irão.

Na Indonésia, levar por trás faz doer as costas.


Mesmo nos Países Baixos, tradicionalmente liberais, «a lua-de-mel parece ter acabado», considera Philip Tijsma, do COC. «É algo irónico: como é hoje mais fácil para as pessoas homossexuais assumirem-se e serem abertas sobre a sua sexualidade, também se tornam mais visíveis — e mais vulneráveis a ataques homofóbicos.»

Em 2009, registaram-se 428 incidentes homofóbicos no país, quase um quinto deles envolvendo violência física — um aumento de 13% face a 2008, segundo os dados policiais mais recentes. Um estudo recente do ministério da Justiça revelou que sete em cada dez pessoas LGBT já enfrentaram violência física ou verbal. Quase metade dos holandeses inquiridos considerou «chocante» ver dois homens a beijarem-se em público.

«Enquanto pessoa homossexual, o mundo inteiro sente-se no direito de se intrometer na tua vida privada, mesmo que não faças nada de estranho, excêntrico ou perigoso para as crianças. Esses são, claro, os preconceitos», afirmou Faasen.

No dia 1 de abril, o casal marcará o aniversário publicamente — tal como o casamento —, participando na inauguração de uma exposição fotográfica organizada pela câmara de Amesterdão para assinalar a efeméride.

«Tivemos a sorte de outros terem travado a luta antes de nós e tornado possível o nosso casamento», disse Thus. «Se agora outras pessoas precisarem de nós, sobretudo em países onde ainda não é legal, queremos estar lá para elas.»

Fonte: Yahoo News, 30 de maro de 2011

Amsterdão festeja 10 anos do primeiro casamento homossexual no mundo

O presidente da câmara de Amesterdão foi o juiz de paz que casou dois homens esta sexta-feira, no âmbito das comemorações do décimo aniversário do primeiro matrimónio homossexual do mundo, celebrado a 1 de abril de 2001 na cidade holandesa

«Na qualidade de funcionário da cidade de Amesterdão, declaro-vos unidos pelos laços do matrimónio», declarou Eberhart van der Laan ao emocionado casal, composto por Jan van Breda e Thijs Timmermans, durante a cerimónia no Museu Histórico de Amesterdão.

«A vossa festa pessoal inscreve-se num contexto mais amplo: hoje (sexta-feira) faz precisamente dez anos que o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo foi celebrado pelo meu antecessor», disse o autarca aos jovens noivos.

De seguida, Van der Laan casou duas mulheres, numa cerimónia da qual a imprensa foi excluída. Em 2001, os Países Baixos tornaram-se o primeiro país do mundo a legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo. O então presidente da câmara, Job Cohen, oficiou a cerimónia de quatro casais nesse 1 de abril.

«Não exercia o cargo nessa época, naturalmente, mas lembro-me que, como holandês e como habitante de Amesterdão, me senti muito orgulhoso», contou Van der Laan à AFP.

Desde então, outros nove países seguiram o exemplo: Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia e Argentina.

«Hoje é um dia simbólico e especial», disse à AFP Thijs Timmermans. «Os Países Baixos foram o primeiro país onde casais homossexuais puderam casar-se; tenho orgulho disso, que deveria ser algo normal.»

«É uma pena que tanta gente, em tantos países, ainda tenha de viver sempre escondida», lamentou Timmermans. «O casamento não é uma questão de ser ou não homossexual, é uma questão de amor

Para além deste casamento comemorativo, a câmara de Amesterdão organizou também uma exposição fotográfica com imagens de vários casamentos entre pessoas do mesmo sexo, bem como várias festas.

Entre 1 de abril de 2001 e 31 de dezembro de 2010, 14 913 casais homossexuais casaram-se nos Países Baixos, segundo o Instituto Central de Estatística holandês. Em 2010, 1353 casais homossexuais celebraram a sua união civil no país, contra 71 858 casais heterossexuais.

De acordo com o COC, a associação de defesa dos direitos dos homossexuais mais antiga do mundo, existem aproximadamente um milhão de homossexuais nos Países Baixos, que contam com 16,7 milhões de habitantes.

«O matrimónio aberto foi o nosso melhor produto de exportação até hoje», declarou o COC numa carta enviada na quinta-feira ao governo e ao parlamento holandeses.

Fonte: Estado de Minas Gerais, 1 de abril de 2011

Quanto mais gays se casam, mais adulta e consolidada fica a democracia. Longo foi o caminho até chegarmos à proclamada democracia plena. E Nero foi aquele que mais gozou, seria ele o primeiro moderno.

Vários tipos de casamentos do mesmo sexo têm existido e vão desde relações informais não sancionadas a uniões altamente ritualizadas.

No sul da província chinesa de Fujian, durante o período da dinastia Ming, as mulheres comprometiam-se em contratos com outras mulheres mais jovens em elaboradas cerimónias. Os homens também entravam acordos semelhantes. Este tipo de arranjo também foi semelhante na história da Europa antiga.

Um exemplo de parceria doméstica igualitária masculina do início do período da dinastia Zhou, na China, está registrado na história de Pan Zhang e Zhongxian Wang. Embora a relação tenha sido claramente aprovada pela comunidade em geral e ter sido comparada ao casamento heterossexual, não envolveu uma cerimónia religiosa que vincule o casal.

Uma referência ao casamento entre pessoas do mesmo sexo aparece no Sifra, que foi escrito no terceiro século d.C. O livro de Levítico proibia as relações homossexuais, e os hebreus foram advertidos a não “seguir os atos da terra do Egito ou os atos da terra de Canaã” (Levítico 18:22, 20:13). O Sifra esclarece quais foram esses “atos” ambíguos e que incluíam o casamento do mesmo sexo: “Um homem se casaria com um homem e uma mulher com uma mulher, um homem se casaria com uma mulher e a sua filha, e uma mulher seria casada com dois homens.”

O imperador adolescente Heliogábalo referia-se ao seu cocheiro, um escravo loiro de Caria chamado Hiérocles, como seu marido. Ele também se casou com um atleta chamado Zoticus numa sumptuosa cerimónia pública em Roma, no meio da alegria dos cidadãos.

O primeiro imperador romano a se casar com um homem foi Nero, que, segundo consta, casou-se com dois homens em ocasiões diferentes. A primeira foi com um dos seus escravos libertos, Pitágoras, com quem Nero assumiu o papel de noiva. Mais tarde, como noivo, Nero casou-se com Esporo, um adolescente castrado por sua ordem, para substituir a concubina adolescente que ele tinha matado. Casou-se com ele numa cerimónia pública com todas as solenidades do matrimónio, após o que Esporo foi forçado a fingir ser a concubina que Nero matara e agir como se fossem realmente casados. Um amigo deu a "noiva” em casamento conforme exigido por lei. O matrimónio foi celebrado na Grécia e em Roma em extravagantes cerimónias públicas.

Note-se, no entanto, que o conubium existia apenas entre um Romanus Civis e uma Romana Civis (isto é, entre um cidadão romano do sexo masculino e uma cidadã romana), de modo que um casamento entre dois homens romanos (ou com um escravo) não tinha legitimidade jurídica no direito romano (com exceção, provavelmente, a partir da vontade arbitrária do imperador nos dois casos mencionados acima).

Além disso, o matrimonium era uma instituição que envolvia uma mãe, mater. A ideia implícita na palavra é a de que um homem toma uma mulher em casamento, in matrimonium ducere, de modo que ele pode ter filhos com ela. Apesar da falta de validade jurídica, há um consenso entre os historiadores modernos que relacionamentos do mesmo sexo existiam na Roma antiga, mas a frequência exata e a natureza dessas uniões durante esse período são obscuras.

Em 342, no entanto, os imperadores cristãos Constâncio II e Constante I emitiram uma lei no Código de Teodósio (C. Th. 9.7.3) que proibia o casamento homossexual em Roma e ordenava a execução daqueles que assim o fizessem.

Um casamento homossexual entre dois homens, Pedro Díaz e Muño Vandilaz, no município galego de Rairiz de Veiga, na atual Espanha, ocorreu em 16 de abril de 1061. Eles foram casados por um padre de uma pequena capela. Os documentos históricos sobre o casamento na igreja foram encontrados no Mosteiro de San Salvador de Celanova.

Fonte: Wikipédia

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