Steconfer. Empresa portuguesa na "lista negra" da ONU de sociedades ligadas a colonatos israelitas
Perry Mason
(1957-1966) – Kaye Elhardt, Joyce Mackenzie
Uma empresa portuguesa surge na "lista negra" das
Nações Unidas de sociedades ligadas ao desenvolvimento dos colonatos
israelitas, considerados ilegais ao abrigo do Direito Internacional. A lista
atualizada, divulgada esta sexta-feira pela ONU, inclui um total de 158
empresas, a maioria das quais israelitas.
A
Steconfer S.A. é uma empresa portuguesa de construção de vias férreas,
construção civil e obras públicas.
É também a única sociedade do país a surgir na “lista negra”
da ONU, junto a empresas do Luxemburgo, Espanha, Estados Unidos, Países Baixos,
França, China, Reino Unido, Alemanha, Canadá e, na grande maioria, Israel.
“As empresas devem assumir a responsabilidade de respeitar
os Direitos Humanos ao abrigo de normas internacionais amplamente aceites, para
além de garantirem o cumprimento das leis e regulamentos nacionais de proteção
dos Direitos Humanos”, recomenda a ONU no relatório agora divulgado. A Airbnb, a Booking.com,
a Motorola Solutions e a Trip Advisor são
algumas das empresas internacionais incluídas na lista.
A Steconfer já reagiu,
garantindo ter um
"papel neutro e apolítico" nos países onde opera e pedindo
para ser retirada deste banco de dados das Nações Unidas.
A empresa “não tem qualquer relação contratual direta com o governo
de Israel ou qualquer autoridade governamental da região”, assegurou numa carta
ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos a que a agência
Lusa teve acesso.
"O seu papel limita-se estritamente à execução técnica
de obras como subcontratado de grandes empreiteiros de engenharia, aquisição e
construção", acrescentou.
Steconfer pede que ONU reconsidere
Garantindo ter um "compromisso com a defesa dos
Direitos Humanos, do direito internacional e dos valores da transparência e da
paz", a Steconfer refere que opera em mais de 15 países,
"disponibilizando sistemas de transporte público com o objetivo de
melhorar a mobilidade, a sustentabilidade e o bem-estar da comunidade".
A empresa frisa ainda que não forneceu qualquer equipamento
ou material diretamente aos colonatos israelitas e que todos os materiais
utilizados foram adquiridos e entregues exclusivamente no âmbito do projeto do
comboio ligeiro sobre carris de Jerusalém.
Além disso, a empresa "não possui, controla ou explora
os recursos naturais da região" e tem uma "política de estrita neutralidade",
abstendo-se de se envolver "em discursos ou decisões políticas em regiões
sensíveis ao conflito", refere a carta.
A Steconfer vai agora lançar um mecanismo para
"identificar, avaliar e mitigar potenciais riscos para os Direitos Humanos
associados a operações em territórios sob disputa internacional".
Na mesma carta, a empresa sediada
em Santarém pede à ONU que
reconsidere a sua inclusão na lista, até porque "não tem a intenção de
beneficiar economicamente dos colonatos e está a tomar medidas proativas para
alinhar as suas operações com os padrões internacionais de direitos
humanos".
Fonte: RTP, 26 de setembro
de 2025

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