Trump cria "cartão dourado" para milionários e restringe vistos para profissionais qualificados
Perry Mason
(1957-1966) – Myrna Fahey, Joseph Cronin
Em vez
do 'cartão verde' que permite a estrangeiros viver e trabalhar nos Estados
Unidos após um processo de candidatura exaustivo e demorado, a versão dourada
estará disponível para todos os que pagarem um milhão de dólares
Os Estados Unidos vão emitir 'vistos dourados' a troco de 1
milhão de dólares (850 mil euros) e exigir um pagamento de 100 mil dólares para
vistos de profissionais qualificados, segundo decreto assinado este sábado por
Donald Trump.
"Isto vai ser um enorme
sucesso", previu o presidente norte-americano na Sala Oval da
Casa Branca durante a assinatura do decreto executivo sobre o novo sistema que
deverá permitir a cidadãos estrangeiros com "qualidades excecionais"
obter um 'cartão dourado'.
Em vez do 'cartão verde' ('green card') que permite a
estrangeiros viver e trabalhar nos Estados Unidos após um processo de
candidatura exaustivo e demorado, a versão dourada estará disponível para todos
os que pagarem um milhão de dólares ao Tesouro norte-americano.
Um conselheiro de Donald Trump citado pela AFP referiu que o
pagamento será de dois milhões de dólares, se for uma empresa a patrocinar o
'cartão dourado', e que os candidatos "beneficiarão de um processamento
acelerado" na obtenção do visto.
Vai ser (ainda) mais difícil ir trabalhar para os EUA
Também este sábado, Trump assinou um decreto exigindo uma
nova taxa anual de 100 mil dólares (85 mil euros) para os pedidos de visto
H-1B, entre outras alterações ao programa para trabalhadores estrangeiros
altamente qualificados que está sob análise do governo.
O secretário do Comércio, Howard Lutnick, que marcou
presença na cerimónia de assinatura ao lado do presidente, afirmou que "a
ideia geral" das alterações "é que estas grandes empresas
tecnológicas ou outras empresas não formem mais trabalhadores
estrangeiros", e que "todas as grandes empresas estão alinhadas"
com a medida.
Se utilizarem trabalhadores
estrangeiros, "terão de pagar 100 mil dólares ao governo e depois pagar
aos seus funcionários; não é rentável", continuou.
"Se quiser formar alguém, terá de formar um jovem
recém-formado numa das grandes universidades do nosso país, formar americanos e
deixar de trazer pessoas para nos roubar os empregos",
referiu ainda Lutnick.
O visto H-1B de não-imigrante permite aos empregadores
norte-americanos contratar temporariamente trabalhadores estrangeiros em
ocupações especializadas.
Tem sido amplamente utilizado nos últimos anos por empresas
tecnológicas, como as controladas pelo magnata Elon Musk.
De acordo com a Bloomberg, Trump planeia também pedir à
secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer, que reveja os níveis salariais
associados ao programa H-1B, para evitar que os funcionários norte-americanos
sofram cortes salariais.
O programa H1-B foi criado em 1990 para pessoas com um
diploma de licenciatura ou superior em áreas onde as vagas são consideradas
difíceis de preencher, especialmente ciências, tecnologia, engenharia e
matemática.
Os críticos afirmam que permite que as empresas paguem
salários mais baixos com menos proteções laborais.
De acordo com a AP, o programa de visto H-1B transformou-se
num canal para estrangeiros que, muitas vezes, estão dispostos a trabalhar por
apenas 60 000 dólares por ano, muito menos do que os salários de mais de 100 000
dólares normalmente pagos aos trabalhadores norte-americanos da área da
tecnologia.
Trump insistiu hoje que a indústria tecnológica não se
oporia à medida: "Acho que vão ficar muito felizes", disse.
Historicamente, estes vistos – 85 000 por ano - eram
atribuídos através de um sistema de lotaria.
Este ano, a Amazon foi de longe a maior beneficiária de
vistos H-1B, com mais de 10 000 atribuídos, seguida pela Tata Consultancy,
Microsoft, Apple e Google.
Fonte: SIC Notícias, 20 de setembro de 2025

Comentários
Enviar um comentário