André. Polícia investiga pedido sobre Giuffre
Perry Mason
(1957-1966) – Raymond Burr, William Hopper, Ray Collins
Quatro dias depois de renunciar aos títulos reais, o
príncipe André continua a ser o protagonista de uma grande crise dentro da
realeza. Ao longo do fim de semana, a imprensa britânica divulgou novos emails
comprometedores do filho de Isabel II que levaram à abertura de um inquérito
policial, enquanto novas alegações publicadas no livro recém-lançado de
Virginia Giuffre inflamam a opinião pública, que pede mais sanções — entre elas
a expulsão do Royal Lodge.
Entretanto, se for o caso, o contrato de arrendamento prevê que o irmão de
Carlos III seja indemnizado em mais de meio milhão de euros.
Polícia investiga uso de segurança privada em caso Giuffre
A Polícia Metropolitana de Londres está a investigar as
alegações de que o príncipe André pediu à sua segurança privada, paga com o
dinheiro dos contribuintes, informações sobre Virginia Giuffre, horas antes da
fotografia em que ambos aparecem juntos ter sido publicada, em 2011. A mensagem
que o irmão do Rei Carlos III enviou a Ed Perkins, então vice-secretário de
imprensa da Rainha Isabel II, foi divulgada no fim de semana pelo Mail on
Sunday.
No email, André diz a Ed Perkins que pediu ao seu segurança
privado, membro da Polícia Metropolitana, que investigasse Giuffre
fornecendo-lhe dados sobre a mulher. “Parece também que ela tem um registo
criminal nos Estados Unidos”, escreve o príncipe ao assessor de imprensa da
monarca. “Dei a sua data de nascimento e número de segurança social para
investigação ao oficial de segurança pessoal em serviço”. O jornal, entretanto,
não confirma se o agente de segurança cumpriu o pedido de investigação. A família
de Giuffre disse ao Mail on Sunday que Virginia não tem registo
criminal.
Dias antes, o mesmo jornal divulgou emails de André a
Jeffrey Epstein, nos quais reagia à publicação da fotografia comprometedora.
“Estamos nisto juntos”, disse o príncipe, sobre a crise que se instalava diante
da opinião pública. André ainda afirmou ao milionário acusado de exploração
sexual que os dois “voltariam a brincar em breve”.
Num outro email também divulgado, e enviado por Jeffrey Epstein ao advogado
britânico Paul Tweed, o milionário revela que Sarah Ferguson “foi a primeira a
celebrar” a sua libertação da prisão, com as duas filhas. “Visitaram-me com um
polícia sentado à minha porta. Pediu-me por ajuda para as suas atividades de
solidariedade social”, escreveu. As princesas Beatrice e Eugenie tinham 20 e 19
anos na altura. De acordo com o Daily Mail, as mensagens fazem parte dos
ficheiros Epstein, que ainda estão a ser analisados pela justiça
norte-americana para serem ocultados nomes e detalhes das vítimas antes da
divulgação ao público.
Virginia Giuffre acusa André de contratar trolls online
Esta terça-feira, 21 de outubro, foi lançado Nobody’s
Girl: A Memoir of Surviving Abuse and Fighting for Justice, o livro póstumo
de memórias de Virginia Giuffre (que se suicidou, segundo a família, em abril
deste ano), escrito há cerca de quatro anos, e no qual revela pormenores sobre
a relação com André. Nele, Giuffre ainda acusa o filho de Isabel II de contratar
“trolls online” para a assediarem.
Giuffre dá detalhes sobre o acordo confidencial firmado com
o príncipe em 2022, no caso civil de abuso sexual que moveu contra o membro da
realeza britânica na justiça norte-americana. “Íamos pedir pela lua”, escreve,
sobre o valor que a equipa de advogados terá pedido para aceitar o acordo.
“Tinha de ser mais do que mero dinheiro”, diz Giuffre. O valor acordado nunca
foi confirmado, mas a imprensa britânica diz que terá sido de 9 milhões de libras, o equivalente a 14,3
milhões de euros na altura.
“Depois de colocar em causa a minha credibilidade por tanto
tempo, a equipa do príncipe André teve de ir tão longe ao ponto de tentar
contratar trolls online para me assediarem. O duque de Iorque deve-me um pedido
de desculpas”, escreveu Virginia Giuffre. “Nunca conseguiríamos uma confissão,
é claro. É para isto que os acordos são feitos. Mas estávamos a tentar a
segunda melhor opção: um reconhecimento geral do que eu passei”. A mulher conta
ainda que aceitou manter-se calada por um ano para não “manchar” as
comemorações do jubileu de platina da Rainha em 2022.
Saída do Royal Lodge pode render mais de 500 mil euros
As novas revelações do livro de Giuffre aumentam a pressão
dentro da realeza por mais sanções ao príncipe, que abdicou dos títulos reais,
como o de duque de Iorque, na passada sexta-feira. E há quem apele para que o
Rei Carlos III expulse André do Royal Lodge, propriedade onde vive há décadas,
incluindo um político britânico, o conservador Robert Jenrick. Ativistas
anti-monarquia do grupo Republic protestaram esta tarde a pedirem a abertura de
uma investigação às relações da família real com Epstein, com cartazes à porta
da propriedade em Windsor. Uma casa pela qual o príncipe não pagará renda desde
2003 devido a um acordo recentemente revelado pela imprensa britânica.
De acordo com o contrato firmado em 2003 com a Crown Estate,
a empresa que administra as propriedades da coroa em nome dos contribuintes, e
publicado pelo The Times, o príncipe fica obrigado a pagar uma renda anual
no valor de “um grão de pimenta” — o que na lei britânica
significa um valor simbólico tão baixo quanto uma libra, que pode ser pago
anualmente em contratos de longa duração. Entretanto, no caso de André, o
pagamento não terá sido feito, porque o príncipe optou por pagar o valor adiantado
e porque assumiu os custos de manutenção do palácio de 30 quartos em Windsor —
incluindo a manutenção das pedras exteriores a cada cinco anos e a pintura
interior a cada sete. Como inquilino, o príncipe também deve permitir que o
senhorio inspecione o estado do Royal Lodge para assegurar que o contrato está
a ser cumprido. O documento também especifica que não é permitido a aterragem
de helicópteros e nem o desenvolvimento de atividades de jogo ou apostas dentro
da propriedade. A família de André pode viver na mansão até 2078.
De acordo com a BBC, informações publicadas pelo National
Audit Office revelam que André pagou adiantado pelo arrendamento um valor um
milhão de libras, o equivalente a 1,1 milhão de euros, além de pelo menos 7,5
milhões de libras em remodelações, cerca de 8,6 milhões de euros. O valor terá
sido acordado levando em conta uma renda especulativa de 260 mil libras por
ano, com o reconhecimento de que seria difícil colocar a propriedade no mercado
comum devido às restrições de segurança.
No contrato há ainda uma cláusula a dizer que se André
saísse do Royal Lodge antes do prazo do contrato, poderia recuperar parte do
dinheiro que havia adiantado, com esse valor diminuindo gradualmente ao longo
do tempo, até que a garantia terminasse completamente após 25 anos. Como já se
passaram mais de 22 anos desde a assinatura do contrato, se o príncipe deixasse
a propriedade da coroa atualmente, teria de receber cerca de 213 mil euros para
cada ano restante até 2028, ou seja, mais de 500 mil euros.
Contudo, o facto de o contrato exigir que o príncipe pague
pela manutenção do Royal Lodge poderá ser um motivo para exigir que André volte
a pagar a renda ou seja alvo de um “despejo” avança o Telegraph. De
acordo com o jornal, o príncipe perdeu recentemente um contrato com a
Startupbootcamp (SBC), empresa dos Países Baixos que financia startups através
de contactos com investidores e programas de aceleração, no âmbito do seu
antigo projeto Pitch@Palace.
O acordo havia sido firmado no verão de 2024, quando a SBC
terá tido discussões com altos funcionários do Palácio de Buckingham para
“procurar aprovação para continuar as negociações dos termos comerciais e
iniciar o planeamento de atividades” da rede Pitch@Palace no Médio Oriente e na
Ásia. Na altura, terá ficado acordado que a SBC não incluiria em materiais
promocionais nem o nome do Palácio de Buckingham nem as conexões oferecidas
pelo príncipe André.
Aliás, Carlos III cortou a
ajuda financeira a André no ano passado, já numa tentativa de
retirar o irmão da propriedade em Windsor. Neste momento a única fonte de rendimento do príncipe é a pensão paga
pela marinha no valor de 23 mil euros anuais.
Fonte: Observador, 21 de outubro de 2025
"Acreditava que fazer sexo comigo era um direito de
nascença". Virginia Giuffre relata encontros com príncipe André em livro
de memórias
A
mulher que em 2021 acusou o príncipe de abuso sexual e que tirou a própria vida
em abril deste ano deixou um livro de memórias com pormenores de como entrou
para a rede sexual de Epstein e Maxwell
Recrutada por Ghislaine Maxwell no resort de luxo de Donald
Trump na Florida e oferecida a homens poderosos por Jeffrey Epstein, entre os
quais o filho “playboy” da rainha Isabel II. No livro de memórias que
será lançado na próxima semana, Virginia Giuffre descreve em detalhe os
encontros com o príncipe André entre 2000 e 2001, quando terá sido vítima de
uma rede de tráfico sexual comandada por Epstein e Maxwell. “Acreditava que
fazer sexo comigo era um direito de nascença”, descreve, sobre a atitude do duque
de Iorque na primeira vez que estiveram juntos. A mulher suicidou-se em abril
de 2025, mas quatro anos antes terminou de escrever as suas memórias que, com a
ajuda da jornalista Amy Wallace, resultaram no livro Nobody’s Girl: A Memoir
of Surviving Abuse and Fighting for Justice, que será lançado a 21 de
outubro.
Num trecho divulgado pelo The Guardian, Giuffre
pormenoriza o momento em que conheceu Ghislaine Maxwell no resort Mar-a-Lago,
em Palm Beach, na Florida. A mulher começou a trabalhar no empreendimento de
Donald Trump graças ao pai, que era funcionário de manutenção e responsável
pelos aparelhos de ar condicionado e pelos campos de ténis. “Depois de alguns
dias o meu pai disse-me que queria apresentar-me ao próprio senhor Trump. Os
dois não eram exatamente amigos. Mas o papá trabalhava muito e Trump gostava disso
— vi fotografias dos dois a posarem juntos, a cumprimentarem-se. Um dia o meu
pai levou-me ao escritório de Trump”, relata Giuffre, dizendo que o atual presidente
dos EUA foi “amigável” e ofereceu-lhe um emprego de babysitter, a cuidar dos
filhos dos amigos que frequentavam o resort.
Com a oferta, Giuffre passou a trabalhar durante o dia nas
instalações de Mar-a-Lago e à noite em diferentes casas, a cuidar das crianças
enquanto os pais saíam. Entretanto, a mulher relata que se encantou com o
trabalho no spa do resort e começou a
interessar-se pelos tratamentos de relaxamento. Foi neste contexto
que terá conhecido Ghislaine Maxwell. Em julho, Trump confirmou em conversa com
jornalistas a bordo do Air Force One que chamou a atenção de Epstein por estar
a recrutar trabalhadores do resort. “Tirou-me pessoas que trabalhavam para mim,
e eu disse, não o faça mais. E ele continuou a fazer. Disse-lhe: fique longe
daqui”, descreveu Trump, que foi questionado especificamente sobre o caso de
Giuffre. “Não sei. Acho que ela trabalhava no spa. Acho que era uma destas
pessoas. Sim, ele roubou-a”, afirmou o presidente.
Recrutada por Maxwell e a primeira massagem a Epstein
De acordo com Giuffre, a primeira vez que Maxwell a viu foi
ainda antes do seu aniversário de 17 anos. “Estava a caminhar em direção ao spa
de Mar-a-Lago, para trabalhar, quando um carro começou a andar mais devagar
atrás de mim. Lá dentro estava uma socialite britânica chamada Ghislaine
Maxwell e o seu motorista, Juan Alessi, que ela insistia em chamar John. Alessi
mais tarde daria um depoimento em tribunal sobre este dia, alegando que quando
Maxwell me viu — o meu cabelo loiro longo, o meu corpo magro e a minha
aparência notoriamente ‘jovem’ — ela pediu, do banco de trás: ‘Pare, John,
pare!'”.
Neste dia Giuffre conta que o spa estava vazio e que ficou
sentada na receção a ler um livro sobre anatomia que tinha requisitado da
biblioteca. Foi quando Maxwell terá chegado e a cumprimentado. “Está
interessada em massagem? Que maravilhoso”, terá dito Maxwell, que depois terá
afirmado conhecer um homem rico, membro de Mar-a-Lago, que procurava uma
massagista que pudesse viajar com ele. “Venha conhecê-lo hoje à noite depois do
trabalho”, terá sugerido.
A mulher descreve o seu sentimento de “entusiasmo” pelo
convite. Algumas horas depois, terá sido o próprio pai a levá-la à casa, na El
Brillo Way. “Ninguém precisava explicar ao meu pai a importância de ganhar
dinheiro”, justifica. Giuffre descreve a mansão cor-de-rosa e as paredes
cobertas de fotografias e pinturas de mulheres nuas. A jovem terá sido levada
então ao famoso
“quarto de massagens” de Epstein, onde o milionário esperava, nu.
“Olhei para Maxwell à procura de orientações. Nunca tinha recebido uma
massagem, quanto mais feito uma. Mesmo assim, pensei: ‘Não era suposto estar
tapada com um lençol?’ A expressão indiferente de Maxwell indicava que a nudez
era algo normal. ‘Acalma-te’, disse para comigo. ‘Não estragues esta
oportunidade.'”
Giuffre continua a contar que Epstein terá feito perguntas
sobre se a jovem tomava contracetivos e como fora a sua primeira relação
sexual. Foi quando revelou ao milionário sobre o seu passado de abuso — Virginia Giuffre já disse anteriormente à BBC que foi
violada quando era criança, o que a levou a fugir de casa e viver
nas ruas durante parte da sua infância. “Epstein não recuou. Em vez disso, fez
pouco caso, provocando-me por ser ‘uma rapariga marota'”.
Dentro da rede de tráfico de Epstein
Giuffre diz que naquela noite foi
abusada sexualmente por Epstein e Maxwell, e, a partir daquele dia,
passou a “trabalhar” para os dois, com visitas frequentes. “Como podes reclamar
de teres sido abusada, alguns questionam, quando podias simplesmente manter-te
afastada? Mas este ponto de vista ignora o que muitas de nós passámos antes de
encontrar Epstein, assim como o quão bom era em encontrar raparigas que tinham
traumas e eram vulneráveis. Muitas de nós tinham sido abusadas e violadas em
criança, muitas eram pobres ou até sem abrigo. Éramos
raparigas com as quais ninguém se importava, e Epstein fingia importar-se”.
A mulher diz que Epstein dava-lhe dinheiro para pagar a renda de um apartamento
onde podia viver longe dos pais e também terá ameaçado membros da sua família,
como quando exibiu uma fotografia do irmão mais novo. “Nunca deves dizer nada a
ninguém do que se passa nesta casa”, terá dito o milionário. “Sou o dono do
departamento de polícia de Palm Beach, não farão nada sobre isto”.
No trecho divulgado, Giuffre volta a mencionar Trump e
também cita Bill Clinton, já num momento em que a jovem fazia parte da rede de
tráfico sexual gerida por Epstein e Maxwell. A mulher fala sobre a festa de Halloween de Heidi Kum em Nova Iorque, em outubro de 2000, o dia em que
terá conhecido o príncipe André, na qual também estavam o atual presidente e a
mulher, Melania. “Maxwell estava orgulhosa das suas amizades com pessoas
famosas, especialmente homens. Adorava falar sobre como poderia telefonar tão facilmente
ao presidente Bill Clinton; ela e Epstein visitaram a Casa Branca juntos quando
Clinton estava no cargo“, escreve Giuffre. A presença de Trump e Melania na
festa de Heidi Klum foi descrita em alguns jornais da época — e em fevereiro de
2000 o casal já havia sido fotografado ao lado de Maxwell e Epstein.
De acordo com Giuffre, Maxwell e Epstein solicitavam as
“massagens” em diferentes horas do dia, e às vezes com a presença de outras
jovens raparigas. Em determinado momento, terão começado a “emprestar” a jovem
a outros amigos poderosos. Giuffre descreve um encontro com um “novo cliente”
de Epstein e a sua mulher grávida, assim como com um professor. “Os cientistas
não eram as únicas pessoas a quem Epstein recorria, usando os seus vastos
recursos para ganhar acesso — foi assim que acabei traficada para um grande
número de homens poderosos. Entre eles estava um candidato a governador que,
pouco depois, venceria as eleições num estado do oeste, e um antigo senador.
Como Epstein não me apresentava esses homens pelo nome, só viria a saber quem
eram anos mais tarde, ao analisar fotografias das pessoas associadas a Epstein
e reconhecer-lhes os rostos.”. Virginia Giuffre escreve ainda: “Não se enganem
pelos que faziam parte do círculo de Epstein e dizem não saber o que ele estava
a fazer. Epstein não só não escondia o que se passava como tinha uma certa
alegria em fazer as pessoas assistirem. E as pessoas assistiam — cientistas,
investidores da Ivy League e outras instituições, titãs da indústria. Assistiam
e não se importavam.”
Os três encontros com André
O primeiro encontro oficial com André, de acordo com
Giuffre, foi a 10 de março de 2011, na casa de Maxwell em Londres. “Como
Cinderella, ia conhecer um lindo príncipe! O seu velho amigo, o príncipe André,
jantaria connosco naquela noite”, escreve. Virginia Giuffre relata então que
Maxwell levou-a para um dia de compras: regressaram com três visuais diferentes
e uma carteira Burberry. À noite, quando André chegou à casa, Maxwell terá logo
pedido ao convidado para “adivinhar a idade” da jovem. “O duque de Iorque tinha
41 anos, e acertou no número: 17. ‘As minhas filhas são só um pouco mais jovens
do que tu’, disse-me, explicando como tinha sido tão certeiro. Como sempre,
Maxwell foi rápida com uma piada: ‘Acho que teremos de trocá-la em breve'”.
Giuffre relata que passou a chamar o príncipe Andy, assim como os amigos Maxwell e Epstein. Diante da presença do filho da Rainha Isabel II, lembrou-se também que a mãe nunca a perdoaria se não tirasse uma fotografia com alguém tão famoso. “Corri para pegar a minha Kodak FunSaver no meu quarto, regressei e entreguei-a a Epstein. Lembro-me do príncipe a colocar o seu braço em redor da minha anca enquanto Maxwell sorria atrás de mim. Epstein tirou a foto”, conta Giuffre, sobre a imagem que circulou na imprensa internacional em fevereiro de 2011, gerou uma grande crise dentro da realeza e serviu de prova para contradizer as alegações de André de que nunca esteve com a mulher.
Depois da fotografia, os quatro saíram para jantar num
restaurante e depois foram à discoteca Tramp, onde Giuffre
dançou com o príncipe. “Era um dançarino algo desajeitado e
lembro-me de que suava abundantemente”, escreve. As alegações foram refutadas
pelo príncipe numa entrevista à BBC em 2019, na qual afirmou ter uma doença que
faz com que não sue, que não estava com Virginia na data que ela aponta porque
tinha ido a uma pizzaria e sugeriu que a foto dos dois podia ser uma
manipulação.
Virginia Giuffre descreve pormenores do primeiro encontro
sexual com André, incluindo a sua “atenção
especial aos pés” e a forma como
parecia “apressado” para terminar, num ato que
não terá durado mais do que meia hora. “Era amigável o suficiente,
mas ainda assim achava que tinha o direito — como se acreditasse que fazer sexo
comigo era um direito de nascença.” Na manhã seguinte Giuffre diz ter recebido 15 mil dólares das mãos de Epstein pelo “serviço”.
Um valor que já tinha sido apontado em tribunal em 2016, num caso paralelo, e
revelado no começo deste ano pela revista People.
A mulher descreve ainda outros dois encontros com André — um
deles cerca de um mês depois, na casa de Epstein em Nova Iorque, com a presença
de outra vítima, Johanna Sjoberg. O dia também terá sido fotografado, apesar da
imagem não se ter tornado pública. Quanto ao terceiro encontro, Giuffre
confessa não saber “exatamente” quando terá ocorrido, mas destaca ter sido na
ilha privada de Epstein. Num depoimento apresentado em tribunal em 2015, a
mulher já havia falado sobre este encontro, que classifica como uma “orgia”.
“Epstein, Andy, aproximadamente oito outras jovens raparigas e eu tivemos sexo.
As outras pareciam ser menores de 18 anos e não falavam inglês. Epstein ria
sobre como elas não conseguiam comunicar, dizendo que estas eram as raparigas
mais fáceis de conviver”.
O registo de voo do jato privado de Epstein de 4 de julho de
2001 diz que voaram de Little Saint Thomas até Palm Beach Epstein, uma mulher,
a própria Virginia e um homem descrito como AP, o qual o piloto afirmou em
tribunal ser um código para o príncipe. Outras provas recentes divulgadas nos
ficheiros revelados no final de setembro pelos congressistas democratas do
Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes norte-americana mostram que
André voou no jato de Epstein em dezembro de 2000 e o milionário anotou na
própria agenda um pagamento de uma “massagem a André”.
De recordar que Virginia Giuffre processou o príncipe André
em 2021 por abuso sexual. O processo decorreu na justiça norte-americana e em
fevereiro de 2022 ambos chegaram a acordo. Giuffre recebeu 14,3 milhões de
euros, em que parte do valor foi doado à instituição que criou para apoiar
vítimas de abuso e tráfico sexual. Entretanto, o duque de Iorque nunca assumiu
qualquer culpa no caso e continua a negar que sequer a conheceu nos anos 2000.
Fonte: Observador, 16 de outubro de 2025


Comentários
Enviar um comentário