"Causou grande dano". Igreja Luterana da Noruega pede desculpas à comunidade gay
Perry Mason
(1957-1966) – Skip Homeier, Virginia Gregg
A Igreja Luterana da Noruega pediu desculpas aos
homossexuais, na quinta-feira, pelos danos que causou. O bispo presidente
norueguês, Olav Fykse Tveit, considera "justo" que a Igreja assuma as
suas responsabilidades pela "discriminação" e o "assédio"
infligido que "nunca deveriam ter acontecido". De acordo com uma
sondagem para a Igreja da Noruega, 65 por cento
dos noruegueses consideram que "é hora" de a Igreja pedir desculpa à
comunidade LGBTQ+.
"A igreja na Noruega causou vergonha, grande dano e dor
às pessoas LGBTQ+", afirmou o bispo presidente, Olav Fykse Tveit, na
quinta-feira, num dos espaços LGBTQ+ mais proeminentes de Oslo. "Isso
nunca deveria ter acontecido e é por isso que peço desculpas hoje".
No seu discurso Olav Fykse Tveit recordou que, em 2022,
"os bispos da Igreja da Noruega reconheceram que a instituição que
dirigimos infligiu sofrimento e feridas às pessoas homossexuais" e
reconheceu que a "discriminação, o tratamento desigual e o assédio" levaram algumas pessoas a perder a fé. "É
justo que assumamos as nossas responsabilidades como Igreja e apresentemos as
nossas desculpas", sublinhou.
À semelhança de muitas religiões em todo o mundo, a Igreja
Luterana Evangélica marginalizou as pessoas LGBTQ+, recusando-se a permitir que
se tornassem pastores ou se casassem na igreja. Na
década de 1950, os bispos da Igreja da Noruega consideraram os homossexuais
"um perigo social de proporções mundiais" e os seus atos
"perversos e desprezíveis".
Com o tempo a Igreja da Noruega, a maior comunidade
religiosa do país com 3,4 milhões de membros, adotou uma abordagem mais
liberal, acompanhando lentamente a sociedade norueguesa que se tornou a segunda
no mundo a permitir uniões entre pessoas do mesmo sexo, em 1993, e o primeiro
país escandinavo a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2007, a Igreja da Noruega começou a aceitar pastores
homossexuais e, desde 2017, os
casais do mesmo sexo podem casar-se na igreja. Em 2023, Olav Fykse Tveit participou na
Marcha do Orgulho, uma estreia para a igreja.
O pedido de desculpas bispo presidente ocorreu no London Pub,
um bar da comunidade gay de Oslo, que foi alvo do tiroteio de 2022 que fez dois
mortos e deixou nove gravemente feridas durante as celebrações da Marcha do
Orgulho de Oslo.
O autor do ataque, Zaniar Matapour, um norueguês de origem
iraniana que jurou lealdade ao Estado Islâmico, foi condenado a pelo menos 30
de anos de prisão pelos homicídios.
Um pedido de desculpa que chegou "tarde
demais"
Stephen Adom, líder da Associação para a Diversidade de
Género e Sexualidade na Noruega, considerou que o pedido de desculpas foi
"forte e importante", mas chegou "tarde demais para aqueles entre nós que morreram de SIDA com o coração
cheio de angústia porque
a igreja considerava a epidemia um castigo de Deus".
"Observamos uma onda cristã conservadora e populista de
direita a espalhar-se por todos os países. Nos Estados Unidos, na Hungria, mas
também na Noruega, torna-se cada vez mais aceitável, entre os líderes
religiosos e políticos, denegrir a diversidade humana de identidades e
corpos", lamentou.
A líder de uma rede de lésbicas cristãs na Noruega e pastora homossexual, Hanne Marie Pedersen-Eriksen, citado pelo Guardian descreveu o pedido de desculpas como "uma reparação importante" e um momento que "finalmente marcou o fim de um capítulo sombrio na história da igreja".
Segundo uma sondagem realizada pelo instituto Opinion para a
Igreja da Noruega, 65 por cento dos noruegueses consideram que "é
hora" de a Igreja pedir desculpa aos homossexuais. Nos últimos anos, outras igrejas em Inglaterra, na
Irlanda e no Canadá apresentaram pedidos de desculpas semelhantes.
Fonte: RTP, 17 de outubro de 2025


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