"Combater o verdadeiro crime": ministra da Justiça de Trump defende processos contra adversários do presidente
Perry Mason
(1957-1966) – Lee Farr, Penny Edwards
A
ministra americana da Justiça, Pam Bondi, defendeu os processos movidos pelos
seus serviços contra adversários de Donald Trump numa audiência conturbada no
Senado, onde os eleitos democratas a acusaram de instrumentalizar a justiça
para fins partidários
A antiga advogada do multimilionário republicano, Donald
Trump é alvo de duras críticas da oposição, que denuncia a perda da
independência do ministério da Justiça a favor da Casa Branca, desde que aquela
pasta está sob a sua direção.
"Em apenas oito meses, transformou profundamente o ministério
da Justiça e deixou uma enorme mancha na história americana", afirmou o
senador democrata Dick Durbin perante Pam Bondi, acrescentando que, ao
contrário de Donald Trump, o seu antecessor Joe Biden nunca ordenou ao ministro
da Justiça que perseguisse os seus opositores políticos.
Pam Bondi, por seu lado, defendeu o seu historial à frente
do ministério e afirmou que os seus serviços estavam a trabalhar para restaurar
a confiança dos americanos na justiça, após o que também qualificou como uma
instrumentalização política sob orientação do ex-presidente dos EUA Joe Biden.
"Estamos a regressar à nossa missão fundamental de
combater o verdadeiro crime", afirmou a ministra.
Durante a sua campanha presidencial de 2024, quando estava
envolvido em vários processos judiciais, o atual chefe de Estado
norte-americano tinha insinuado várias vezes que, no caso de regressar ao
poder, atacaria os seus adversários.
Numa publicação recente na sua plataforma Truth Social,
Donald Trump lamentou-se da ausência de processos movidos pelos procuradores
federais.
Pouco depois, o antigo diretor do FBI, James Comey, que
tinha conduzido a investigação sobre a interferência russa nas eleições
presidenciais americanas de 2016, foi acusado de falso testemunho perante uma
comissão parlamentar.
Pam Bondi recusou-se durante o seu depoimento a responder a
uma pergunta do senador democrata Richard Blumenthal, que a questionou se, na
véspera da acusação do diretor do antigo diretor do FBI, a ministra tinha
discutido o caso de James Comey com o presidente durante um jantar na Casa
Branca.
Se estas audições no Congresso americano são
tradicionalmente uma ocasião para assistir a declarações teatrais por parte dos
responsáveis políticos que nelas participam, a de Pam
Bondi atingiu um nível de violência e rancor raramente observado. Adotando
um tom combativo, a ministra lançou, nomeadamente, vários ataques pessoais
contra os senadores democratas que a interrogavam.
Fonte: Expresso, 8 de outubro de 2025

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