Fabricantes italianos de massas indignados com as tarifas impostas por Trump
Perry Mason
(1957-1966) – James Forrest
Na tempestade comercial global desencadeada desde o regresso
ao poder do presidente dos EUA, Donald Trump, os produtores italianos de massas
alimentícias estão a sentir-se muito sozinhos - embora o seu caso seja
especial.
A 4 de setembro, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou
tarifas preliminares de 91,74% sobre
13 marcas de massas alimentícias.
Se forem mantidas, as tarifas entrarão em vigor em janeiro
de 2026, constituindo um golpe significativo para a Itália, que exportou cerca de 700 milhões de euros de massas alimentícias para os Estados Unidos em 2024.
É certo que o caso não é novo. Teve
origem em 1996, quando os produtores americanos de massas
alimentícias acusaram os fabricantes italianos de dumping, ou seja, de venderem
os seus produtos no mercado americano a preços inferiores aos praticados em
Itália.
Desde então, os produtores italianos têm sido regularmente
sujeitos a direitos aduaneiros, mas nunca com a magnitude agora decidida pela
administração Trump.
Se forem aplicados os direitos aduaneiros de 15% que se
aplicam atualmente às importações da UE para os EUA, a carga pautal total
atingirá 106,74%. Os fabricantes de massas alimentícias dizem que isto é
brutal.
"É injusto, é uma ação protecionista dos EUA contra a
massa italiana", disse Margherita Mastromauro, presidente da Unione
Italiana Food, a maior associação de produtores de alimentos em Itália, à Euronews.
"Precisamos de ajuda porque uma grande parte das nossas
empresas está envolvida. Com um direito tão elevado, isso significa que todas
estas empresas não vão exportar até que a nova revisão seja efetuada",
indicou.
O inquérito abrangeu o período entre 1 de julho de 2023 e 30
de junho de 2024. Os produtores italianos esperam que a revisão de 2025 lhes
traga algum alívio. Mas, para já, o futuro permanece incerto.
A luta pode tornar-se política?
Desde setembro que as empresas se esforçam por conseguir o
levantamento das tarifas.
Duas delas, Garofalo e La Molisana, interpuseram ações
judiciais contra a decisão.
O governo italiano e a Comissão Europeia começaram a
envolver-se. No entanto, a margem de manobra continua a ser limitada no que,
segundo o presidente da Unione Italiana Food, é mais uma questão
"jurídica" do que "política".
O ministério dos Negócios Estrangeiros italiano afirmou que
os direitos são "desproporcionados" e juntou-se ao processo como
"parte interessada" para pesar a favor deste setor-chave da economia
italiana.
Por seu lado, a Comissão disse à Euronews que a
questão poderia ser levantada no âmbito do novo diálogo iniciado com a
administração Trump sobre as tarifas, uma vez que o acordo alcançado em julho
pôs fim a semanas de discórdia entre os dois lados do Atlântico.
Mas um funcionário da UE também admitiu que, ao contrário
das tarifas unilaterais impostas a outros produtos europeus - que violam as
regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) - a ação anti-dumping dos EUA contra as massas alimentícias
parece ser feita de forma tradicional, como um mecanismo de defesa
comercial permitido pela OMC, que regula o comércio internacional entre os seus
países membros.
"Estamos a acompanhar de perto o caso e, se houver
falhas na investigação, vamos questioná-la e levantar a questão junto da
OMC", disse o funcionário à Euronews.
Se for esse o caso, a UE poderá adotar medidas de
retaliação.
O eurodeputado italiano Brando Benifei, que lidera a
delegação parlamentar para as relações com os EUA, condenou a ação
norte-americana, que considera "claramente discriminatória".
"Isto tem de ser resolvido e instamos a Comissão
Europeia a atuar de forma adequada", disse Benifei à Euronews.
Fonte: Euronews, 16 de
outubro de 2025

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