"Frota fantasma" da Rússia debaixo de olho da NATO por ligações aos drones lançados na Dinamarca
Perry Mason
(1957-1966) – Guy Mitchell, Barbara Stuart
A Dinamarca acredita que três navios com fortes ligações à Rússia
poderão ter sido usados como plataformas de lançamento e de apoio para os
recentes ataques de drones ao país que levaram ao encerramento do Aeroporto
de Copenhaga durante quase quatro horas na noite de 22 de setembro. O ataque,
que afetou cerca de 150 voos, foi considerado o mais grave contra a
infraestrutura crítica do país, que faz parte da NATO, embora não tenha sido o
único - situações semelhantes foram registadas noutras cidades, nomeadamente em
Aalborg.
Entre os três navios que estão na mira da polícia
dinamarquesa e do Serviço de Segurança e Informações (PET) encontra-se o Astrol 1, um cargueiro sancionado pela União
Europeia e que tem realizado manobras suspeitas em Øresund, um dos principais
estreitos dinamarqueses, na mesma altura dos ataques ao país.
Também o petroleiro Pushpa,
que funciona com a presença da bandeira do Benim, mas que é amplamente
associado à conhecida “frota fantasma", e o cargueiro Oslo Carrier 3, de origem norueguesa, mas a
navegar com navegação russa e de um proprietário ligado à cidade russa de
Kaliningrado, estão sob investigação. Ambos encontravam-se a escassos
quilómetros do aeroporto durante o ataque.
Embora as autoridades
dinamarquesas considerem que seja difícil comprovar um envolvimento direto entre os navios e os
ataques, os meios de comunicação social
dinamarqueses revelaram a
presença de um navio da Frota Russa do Báltico, o Alexander
Shabalin, nas proximidades da ilha de Langeland, a cerca de 70 a 270
quilómetros da área afetada. A embarcação foi fotografada por jornalistas
dinamarqueses que suspeitaram o posicionamento da mesma.
O episódio levou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette
Frederiksen, a classificá-lo como um “ato deliberado de perturbação” e com
“semelhanças a incidentes recentes na Polónia, Roménia e Estónia”. Os ataques
levaram ainda a uma interrupção temporária do aeroporto de Oslo, na Noruega,
país que não faz parte da União Europeia, mas que também pertence à NATO.
Ao mesmo tempo, Volodymyr
Zelensky acusou diretamente a “frota sombra” de petroleiros russos
de estar a ser utilizada para lançar e controlar drones sobre cidades
europeias, pedindo novas sanções contra esta rede paralela de transporte de
petróleo, atualmente um dos motores da economia de Moscovo e, por isso, alvo
preferencial dos olhos de Kiev.
"É especialmente importante que as sanções afetem
duramente o comércio de energia da Rússia e toda a infraestrutura da frota de
petroleiros russa", sublinhou o presidente ucraniano. "Esta é mais
uma evidência de que o Mar Báltico e outros mares devem ser fechados aos
petroleiros russos, pelo menos para a frota paralela."
Numa altura em que ainda não é possível chegar a conclusões
definitivas, as autoridades dinamarquesas têm mantido uma vigilância apertada
nas zonas de maior movimento marítimo, em colaboração com parceiros
internacionais.
Fonte: CNN Portugal, 30 de setembro de 2025

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