Gonçalo Sousa, supremacista e autointitulado “macho tóxico”, não será comentador do canal público: RTP “reviu a sua posição”
Perry Mason
(1957-1966) – William Hopper, Gloria Talbott
O
influencer, que já foi candidato autárquico do Chega, tinha sido apresentado
como um dos novos comentadores do programa “Estado da Arte”. A RTP esclarece
que “não assinou qualquer contrato com o comentador Gonçalo Sousa” e que
“ponderou e reviu a sua posição”
A RTP garante que Gonçalo Sousa não será comentador do canal
público, depois de o influencer, que se autointitula “macho tóxico”, ter
surgido num vídeo promocional do programa “Estado da Arte”, apresentado por
Alberta Marques Fernandes. Em resposta ao Expresso, a direção de
informação da RTP esclareceu esta quarta-feira que “não assinou qualquer
contrato com o comentador Gonçalo Sousa” e que “ponderou e reviu a sua posição”
após ter tomado conhecimento de “alguns comentários feitos no
passado pelo próprio”.
Uma conta nas redes sociais divulgou publicações antigas do autointitulado “analista político”, onde este emitia comentários racistas, machistas e xenófobos.
Gonçalo Sousa é ainda conhecido por ter uma das 15 contas
portuguesas suspensas do X (antigo Twitter), em 2023, com ligações à
extrema-direita. Na altura, apresentava-se como “analista
político, empresário, comunicólogo e embaixador da masculinidade tóxica”.
Gonçalo Sousa tinha sido apresentado como um dos novos comentadores do programa “Estado da Arte”. Num vídeo publicado nas redes sociais do canal público – entretanto apagado –, via-se Alberta Marques Fernandes ao lado de três convidados, entre eles o próprio Sousa. “Eu acho que podem esperar o melhor destes artistas, porque vamos colocar a arte na televisão e não só. Fiquem atentos, porque acho que vai valer a pena”, dizia ele nesse vídeo.
O Expresso tentou contactar Gonçalo Sousa, mas até à publicação deste texto não obteve resposta.
O influencer, que já pertenceu ao Chega, é um dos nomes
mencionados no artigo do Expresso sobre “os influencers radicais que
aliciam os jovens”. Em 2021, foi candidato pelo Chega à vice-presidência da
Câmara Municipal de Oeiras.
No livro do jornalista Miguel Carvalho sobre o partido, “Por Dentro do Chega: A face oculta da extrema-direita em Portugal”, Gonçalo Sousa é descrito como “propagandista militante da supremacia branca”, que “dava palco, nos seus canais, a convidados do mesmo tronco ideológico, como Mário Machado”.
Em comunicado, o Conselho de Redação (CR) da RTP revelou
que, “em virtude da polémica com nome indicado como futuro comentador de um
programa da RTP Notícias e a subsequente reação da redação e da
sociedade civil”, solicitou, “com carácter de urgência”, uma reunião com o
diretor de informação, Vítor Gonçalves, “com vista ao cabal esclarecimento do
assunto”.
Os membros eleitos do CR “acompanham com preocupação o
impacto que estas decisões e respetivas reações possam vir a ter na
credibilidade e na perceção pública do novo canal de informação, a RTP
Notícias”, lê-se ainda. E acrescentam que “consideram essencial que o
serviço público de média mantenha os mais
elevados padrões de exigência, sobretudo numa fase tão sensível de
afirmação de um novo projeto informativo”.
Fonte: Expresso, 15 de outubro de 2025


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