Governo dos EUA admite que o F-35 é um fracasso
Perry Mason (1957-1966)
Com uma
linguagem técnica e pouco clara, um relatório recente do GAO (Government
Accountability Office — Tribunal de Contas norte-americano) concluiu que o
problemático caça F-35 nunca corresponderá às expectativas
Quase um quarto de século depois de o Pentágono ter
atribuído à Lockheed Martin o contrato para desenvolver o Programa Joint Strike
Fighter, que deu origem ao F-35, o governo norte-americano acabou por admitir
que o avião nunca cumprirá as promessas
ambiciosas com que a Lockheed convenceu quase 20 países a investir no que se
tornou um fiasco de dois biliões de dólares.
O GAO publicou no mês passado um relatório detalhando os
problemas persistentes enfrentados pelo programa. Logo no primeiro parágrafo do
resumo lê-se a seguinte frase: “O programa
planeia reduzir o âmbito do Bloco 4, de modo a disponibilizar capacidades
operacionais aos militares a um ritmo mais previsível do que no passado.”
Um leitor menos atento poderia passar por esta passagem sem
lhe dar importância, dada a sua formulação inócua. No entanto, a frase
representa uma admissão profunda: o F-35 nunca alcançará os objetivos de
capacidade definidos para o programa. “Reduzir o âmbito do Bloco 4” significa
que os responsáveis estão a abdicar de certas capacidades de combate que
estavam planeadas para os caças.
Bloco 4
é o nome dado ao trabalho de conceção contínua do programa. Iniciado em 2019,
foi apresentado como a fase de “modernização” do projeto. Na realidade, o Bloco
4 não passa de uma continuação do processo de desenvolvimento inicial. Os
responsáveis não conseguiram concluir o desenho básico do F-35 dentro do
orçamento e do calendário originais. Em vez de admitirem esse fracasso e
pedirem mais tempo e dinheiro ao Congresso, os dirigentes do Pentágono
declararam falsamente que o desenvolvimento inicial estava concluído (não
estava) e que passavam à fase de “modernização”. O que fizeram, na prática, foi
reclassificar o trabalho inacabado, disfarçando-o com uma nova designação.
Assim, quando os responsáveis do programa dizem que planeiam
“reduzir o âmbito do Bloco 4”, estão, na verdade, a admitir que o F-35 não terá
todas as capacidades de combate previstas no design original.
Trata-se de um acontecimento notável. O povo norte-americano
tem vindo a pagar, há mais de duas décadas, um preço altíssimo pelo
desenvolvimento e construção daquele que deveria ser o caça multifunções mais
sofisticado da história. Durante anos, funcionários do Pentágono, políticos e
executivos da indústria de defesa garantiram que os Estados Unidos precisavam
do F-35 e de todas as suas capacidades planeadas para manter uma vantagem
tecnológica qualitativa sobre possíveis rivais.
As capacidades de combate incluídas no topo do “âmbito” do
Bloco 4 — segundo o GAO — diziam respeito a guerra eletrónica, armamento,
comunicações e navegação. Eram precisamente estas as funcionalidades mais
dispendiosas, aquelas pelas quais o povo americano foi convencido a pagar um
prémio.
Ao admitir que o programa não consegue entregar os caças que
foram prometidos, o governo dos Estados Unidos está, na verdade, a reconhecer
que todo o projeto é um fracasso. As implicações desta admissão vão muito além
do dinheiro desperdiçado ao longo do último quarto de século.
Existem 19 países que já
operam — ou que em breve irão
operar — F-35s comprados aos Estados Unidos. Vários deles, como o Reino Unido,
a Noruega e a Itália, participaram no programa muito antes de a Lockheed Martin
ganhar o contrato para desenvolver o avião. Estes países investiram somas
colossais, esperando receber a aeronave de combate mais avançada da história.
Todos viram os custos disparar ao longo dos anos e agora descobrem que os caças
nunca corresponderão à propaganda.
Assim, para além de constituir um desastre militar, o F-35
poderá também revelar-se um desastre diplomático. Os
defensores do programa nos Estados Unidos venderam o avião aos líderes
estrangeiros com promessas grandiosas, descrevendo capacidades de combate que
nunca seriam concretizadas. Também foram feitas promessas iniciais sobre a
acessibilidade económica do projeto, que hoje soam quase cómicas.
Da próxima vez que um norte-americano tentar vender uma arma
“transformadora” no estrangeiro, não deverá ficar surpreendido se o potencial
comprador reagir com ceticismo. Os países que adquiriram o F-35 pagaram
fortunas muito acima do preço anunciado, recebendo apenas uma fração do que
lhes foi prometido. Os Estados Unidos poderão, por isso, ver encolher o mercado
das suas exportações de armamento nos próximos anos.
Este deveria ser um momento de profunda reflexão para todo o
establishment de segurança nacional norte-americano. O F-35 nunca poderia
corresponder às expectativas, porque o conceito em si era profundamente falho.
Tentar construir um único caça multifunções que satisfaça as necessidades de
apenas uma força armada já seria altamente arriscado. Mas tentar desenvolver um
único avião capaz de cumprir funções múltiplas para pelo menos 15 forças
militares diferentes, servindo simultaneamente de programa de emprego global e
de instrumento de clientelismo político, só poderia resultar num albatroz de
dois biliões de dólares.
Dan Grazier
Fonte: Responsible Statecraft, 7 de outubro de 2025
Dinamarca investe 3,6 mil milhões de euros na defesa da Gronelândia. 16 novos F-35 estão a caminho
A Dinamarca vai investir 27,4 mil milhões de coroas dinamarquesas, cerca de 3,6 mil milhões de euros, para reforçar as suas capacidades defensivas no Ártico e na Gronelândia.
O acordo foi anunciado pelo ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen.
O investimento, diz o jornal dinamarquês Politiken, inclui a compra de 16 novas aeronaves F-35, o que faz subir para 43 o número de caças deste modelo ao serviço da Dinamarca.
Está também prevista a compra de dois navios para o Ártico, bem como uma aeronave de patrulha marítima.
O acordo foi assinado em cooperação com os governos das Ilhas Faroé e da Gronelândia.
Fonte: CNN Portugal, 10 de outubro de 2025

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