Hamas e clã palestiniano confrontam-se no sul de Gaza
Perry Mason
(1957-1966) – Leslie Parrish, Wesley Lau
Uma força de segurança do Hamas e homens armados do clã
al-Mujaida, uma das maiores famílias do sul, confrontaram-se esta sexta-feira
na cidade de Khan Younis. De acordo com a BBC, o Hamas afirmou que as suas
forças invadiram o bairro para deter indivíduos acusados de colaborar com
Israel.
Relatos locais descreveram um ataque armado realizado por
cerca de 50 homens em cinco carrinhas de caixa aberta, armados com espingardas
de assalto e um lança-granadas-foguete (RPG), que invadiram o bairro de
al-Mujaida e mataram cinco familiares do clã.
Membros do clã armados reagiram rapidamente, desencadeando
confrontos que duraram horas e foram acompanhados por fortes disparos, refere
ainda a BBC.
Relatos que circulam nas redes sociais - difíceis de
verificar de forma independente - afirmam que mais de 11 membros do Hamas foram
mortos, tendo alguns dos seus corpos sido arrastados pelas ruas.
Vídeos amplamente partilhados online, que a BBC não
verificou, parecem mostrar vários corpos ensanguentados com uniformes
militares, juntamente com uma voz off que afirma que pertenciam à "Unidade
Sahm" do Hamas.
Outro vídeo captou rajadas de tiros e um RPG a atingir um
prédio residencial no bairro.
O exército israelita
confirmou o sucedido, acrescentando que ajudou a repelir o ataque do Hamas,
usando meios aéreos.
O Times of Israel cita fontes das IDF, segundo as
quais, cerca de 20 membros armados do Hamas, tentaram realizar um ataque na
manhã de sexta-feira contra outros residentes de Gaza numa "zona humanitária" designada
por Israel na zona de Khan Younis, no sul de Gaza. Os militares referiram que
os membros do Hamas foram mortos em ataques com drones.
Conflito interno
A confirmação das Forças de Defesa de Israel surgiu depois
do líder de um grupo armado rival em Gaza ter dito ao The Times of Israel
que as suas forças tinham frustrado um ataque do Hamas a Khan Younis com
assistência militar israelita.
Hossam al-Astal,
que lidera o grupo armado a leste de Khan Younis, disse que frustrou um ataque
do Hamas contra uma família com quem o Hamas está em conflito, na manhã de
sexta-feira na zona de Mawasi, em Khan Younis, com o apoio aéreo das Forças de
Defesa de Israel. De acordo com a BBC, os anciãos locais intervieram
posteriormente para mediar entre os dois lados, levando a uma troca de corpos
com o objetivo de conter a escalada.
Al-Astal afirmou que, pelas 6h00 locais, agentes do Hamas
chegaram a al-Mawasi e abriram fogo, lançando lança-granadas contra uma zona
onde se encontravam membros da família al-Majaida, alvos do grupo terrorista.
A família al-Majaida está em guerra com o Hamas há várias
semanas, desde que os agentes dispararam contra a perna de vários membros da
família por motivos desconhecidos, disse al-Astal.
Afirmou que o grupo também alegou que a família está a
colaborar com Israel e a roubar ajuda humanitária. Disse que as suas forças
vieram em auxílio da família e, com a ajuda da aviação israelita, conseguiram
atacar toda a unidade do Hamas.
Onze agentes do Hamas foram mortos e seis ficaram gravemente
feridos, disse, e um membro da família Majaida, que lutou contra eles, também
foi morto. As suas próprias forças não sofreram baixas, afirmou.
Receio de guerra civil
Cresce agora o receio de que o uso generalizado de armas, as
tensões entre famílias poderosas e a permanência do Hamas no poder, possam
levar à multiplicação de episódios a lembrar uma guerra civil, num território
já devastado por deslocações, destruição e medo.
Analistas da BBC admitem que a intensidade da raiva que o
Hamas enfrenta por parte dos seus muitos opositores internos, que humilhou
durante os seus 17 anos no poder, será um factor-chave para a rejeição do plano
de cessar-fogo de Donald Trump.
O plano exige o desarmamento completo do Hamas e os
combatentes islamitas temem retaliações violentas, e serem morto nas ruas, se a
proposta for implementada.
O chefe da ala militar do grupo já se opôs ao plano, que
Trump revelou na terça-feira. O presidente norte-americano deu esta sexta-feira
ao Hamas até às 18h00 EDT (23h00 em Portugal) de domingo para aceitar a
proposta ou enfrentar "o inferno".
Fonte: RTP, 3de outubro de 2025


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