Já se sabe o impacto das tarifas dos EUA no PIB português
Nautilus
(2024) - Shazad Latif, Georgia Flood, Kayden Price, Muki Zubis
A
simulação feita pelo governo aponta que a tarifa de 15% imposta pelos EUA sobre
as exportações europeias tenha um impacto de
menos 0,15 pontos percentuais na taxa de crescimento do PIB português em 2026
As tarifas norte-americanas deverão penalizar o Produto
Interno Bruto (PIB) português em -0,01 pontos percentuais este ano, -0,15 pontos em
2026 e -0,05 pontos em 2027, segundo a proposta do Orçamento do
Estado para 2026 (OE2026), divulgada esta terça-feira.
"Atendendo a que o choque foi aplicado no último
trimestre deste ano, os impactos em 2025 são baixos (-0,01 pontos percentuais),
aumentando em 2026", lê-se na proposta entregue hoje no parlamento.
Assim, a simulação feita pelo governo aponta que a tarifa de
15% imposta pelos EUA sobre as exportações europeias tenha um impacto na taxa
de crescimento do PIB português em torno dos -0,15 pp em 2026, dos quais -0,06
pp em impactos diretos.
Já em 2027, "o impacto indireto do choque é menos
negativo, dado que os impactos negativos no crescimento das restantes economias
europeias moderam, subsistindo essencialmente impactos diretos, que se traduzem
num impacto total de cerca de -0,05 pp", acrescenta.
Queda nas exportações portuguesas
Numa análise por componentes do PIB, o executivo estima quedas na taxa de
crescimento das exportações a rondar os -0,69 pp em 2026 e -0,37 pp em 2027,
"devido ao aumento do preço dos bens no mercado norte-americano, por força
do aumento das tarifas, o que leva a uma redução da sua procura".
Os impactos indiretos "explicam uma parte considerável
do impacto total em 2026", sugerindo que a redução das exportações
portuguesas "é maioritariamente explicada pelo abrandamento das restantes
economias europeias".
Já ao nível da procura interna, o impacto é mais negativo no
caso do investimento privado (-0,23 pp) do que no crescimento do consumo
privado (-0,09 pp).
"Pese embora a exposição direta de Portugal ao comércio
com os Estados Unidos seja relativamente limitada, os efeitos indiretos
decorrentes da imposição de tarifas mais elevadas amplificarão o impacto
global, dado que as restantes economias europeias serão igualmente penalizadas,
verificando-se uma contração das suas exportações e, consequentemente, do
respetivo crescimento económico", lê-se na proposta do OE2026.
De acordo com o Governo, "a redução do dinamismo
económico nos parceiros europeus traduzir-se-á numa menor procura externa
dirigida às exportações portuguesas para esses mercados, reforçando, assim, o
efeito negativo sobre o crescimento do PIB português".
"Importantes riscos para a economia"
A simulação do executivo foi feita com recurso ao modelo
NiGEM (National Institute Global Econometric Model, desenvolvido pelo National
Institute of Economic and Social Research - NIESR), aplicando um cenário de
tarifas de 15% a partir do quarto trimestre de 2025 e tendo em conta os
impactos indiretos deste choque, resultantes das menores taxas de crescimento
das restantes economias europeias, que são os principais parceiros comerciais
de Portugal.
O executivo ressalva que nesta simulação não é aplicado
qualquer choque de aumento de incerteza, uma vez que o cenário simulado
corresponde já ao acordo alcançado entre a UE e os EUA.
Globalmente, o OE2026 aponta um cenário internacional marcado por uma "incerteza particularmente elevada, causada pelas tensões geopolíticas e pelas profundas alterações da política comercial global, resultantes do aumento do protecionismo norte-americano".
"O aumento das tarifas impostas pelos e aos Estados
Unidos da América (EUA) representa importantes riscos descendentes para a
atividade económica mundial, para o comércio internacional e para o emprego.
Neste contexto, os mercados financeiros e de matérias-primas permanecem
voláteis", salienta.
Fonte: SIC Notícias, 9 de outubro de 2025




Comentários
Enviar um comentário