Multibanco vai acabar? O que muda com a nova geração de máquinas
Nautilus (2024)
Durante décadas, o Multibanco foi um dos maiores orgulhos
nacionais. Criado em Portugal, tornou-se referência mundial e ainda hoje é um
dos sistemas mais completos do planeta. Mas à medida que o mundo caminha para
os pagamentos digitais, muitos começam a perguntar-se: será que o Multibanco
vai acabar? A resposta curta é não. Mas o sistema vai mudar profundamente nos
próximos anos e a nova
geração de caixas automáticas já está a ser preparada em silêncio.
O início do fim… ou apenas uma transformação?
Nos últimos anos, as caixas Multibanco têm vindo a
desaparecer em muitas zonas do país.
Há menos máquinas nas aldeias, menos terminais em pequenas
lojas e mais falhas de serviço ao fim de semana. É normal que as pessoas
perguntem se o sistema está a ser “desligado”.
Na verdade, o Multibanco não vai acabar. Ou seja, vai
transformar-se. O que está a acontecer é uma substituição progressiva por equipamentos de nova
geração, capazes de fazer muito mais do que levantar dinheiro.
As novas “Smart ATMs”: muito mais do que levantar notas
A SIBS (empresa que gere o Multibanco) está a apostar num
novo modelo de caixas inteligentes, chamadas Smart ATMs. Estas máquinas já
estão a ser testadas em alguns locais e trazem uma série de novidades:
• Leitura por QR Code para pagamentos
rápidos.
• Autenticação biométrica, incluindo
impressão digital e reconhecimento facial.
• Depósitos instantâneos, sem necessidade de
envelope.
• Integração com MB Way e apps bancárias
(podes fazer operações no telemóvel e concluir na caixa).
• Interface tátil renovada, com design
semelhante ao dos smartphones.
Em resumo: o Multibanco clássico, aquele dos botões duros e
ecrã verde, vai desaparecer, dando
lugar a caixas mais seguras, mais rápidas e mais digitais.
O papel do MB Way nesta revolução
Outra grande mudança é o peso crescente do MB Way, que se tornou o
verdadeiro “braço digital” do Multibanco. Hoje, já é possível fazer
transferências, levantamentos, pagamentos, cartões virtuais e compras online
sem tocar numa máquina.
E isso tem consequências: quanto mais o MB Way cresce, menos
dependemos das caixas automáticas, o que explica o encerramento de muitas
delas.
Mas atenção: o MB Way não substitui o Multibanco. Pelo
contrário, é uma extensão dele, pensada para um mundo em que o telemóvel é a
nova carteira.
Multibanco vai acabar? As caixas vão continuar, mas com
outro propósito
O objetivo da SIBS é simples: manter o Multibanco como ponto
físico de apoio, mas com funções avançadas. As máquinas vão deixar de ser
apenas para “levantar dinheiro” e passarão a ser balcões automáticos de
serviços financeiros.
Nas próximas versões poderás:
• Fazer levantamentos sem cartão (apenas com
QR code);
• Consultar saldo de várias contas bancárias
num só local;
• Aceder a documentos digitais através da
Chave Móvel Digital.
Sim, o Multibanco do futuro pode ser a ligação entre bancos,
Governo e cidadãos.
O problema das zonas rurais
Há, no entanto, um ponto crítico: o desaparecimento das
caixas em pequenas localidades.
Nos últimos três anos, centenas de multibancos foram
desativados, sobretudo em zonas rurais, devido ao baixo uso e aos custos de
manutenção.
A SIBS e as autarquias estão a estudar soluções, desde
caixas partilhadas entre bancos, até postos móveis, em carrinhas com terminal
integrado que percorrem aldeias isoladas.
Enquanto isso, o MB Way continua a expandir-se como
alternativa para quem tem smartphone e internet. Mas nem toda a gente tem
acesso digital, e esse continua a ser o grande desafio.
Mais segurança e menos burlas
Com o avanço das novas caixas, também chega um reforço de
segurança. As futuras máquinas terão sistemas antifraude mais sofisticados,
bloqueio automático de cartões suspeitos e alertas em tempo real via app
bancária. As tradicionais “burlas do multibanco” vão tornar-se muito mais
difíceis embora nunca desapareçam totalmente.
Fonte: Leak, 9 de outubro de 2025


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