"Não me lembro de ter ouvido falar disto". Dinamarca mobiliza secretamente militares na reserva para responder aos drones
Perry Mason
(1957-1966) – Guy Mitchell, Barbara Stuart
As autoridades da Dinamarca emitiram no último domingo uma
ordem de convocação confidencial para centenas de militares que já se encontram
na reserva, depois de terem sido reportados incidentes a envolverem drones no
espaço aéreo do país na última semana.
A informação surgiu depois de o canal TV 2 ter tido
acesso a um documento que comprova a convocatória, onde era ainda possível
ler-se uma referência direta ao recente incidente, e uma recomendação para que
os notificados se apresentem ao serviço “com a maior brevidade possível”.
“Isso comprova que estávamos perante uma situação
completamente extraordinária. É por isso que também vimos estas medidas
extraordinárias. Não me lembro de ter ouvido falar disto antes”, referiu Jacob
Kaarsbo, consultor de política de segurança e ex-analista-chefe do Serviços
Secretos de Defesa da Dinamarca.
De acordo com o mesmo canal dinamarquês, a mobilização tem
em vista um eventual destacamento para solo nacional. “Independentemente do que
acontecesse, estávamos num nível elevado com tudo o que estava em causa e com o
que ia decorrer. E ainda havia navios russos a navegar pelo nosso país. Tenho a
certeza de que todas as velas estavam içadas”, acrescentou Kaarsbo.
Embora o exército da Dinamarca não divulgue quantas pessoas
se encontram neste momento na condição de reserva, em 2013 estimava-se que eram
cerca de três mil soldados, segundo a Organização Principal para Pessoal da
Reserva.
“Pode-se dizer que há uma necessidade crescente de
reservistas a intervir e a contribuir com reforços. Não podemos comentar se a
situação atual aumenta essa necessidade ou não. No entanto, não é incomum
recorrer a forças extras”, referiu Jesper Schuneider, presidente da Organização
Principal para Pessoal da Reserva, sem especificar quando ocorreu a última
convocação de emergência.
“Grande parte do efetivo tem um contrato de prontidão que os
obriga a estar disponíveis. Este foi um bom exemplo de situações em que é
necessário ter uma reserva grande e capacitada”, acrescentou o mesmo
responsável.
A alegada mobilização acontece dias depois de Copenhaga ter
imposto uma proibição que deverá durar até ao próximo dia 3 de outubro,
sexta-feira, para todos os voos civis de drones. O
desrespeito pela medida poderá levar a avultadas multas ou, em casos mais
graves, a uma pena de prisão de até dois anos. A proibição, no
entanto, não abrange drones militares, governamentais, ou destinados a missões
médicas e humanitárias.
Por estes dias, a Dinamarca
tem contado ainda com o apoio de militares ucranianos que participam em exercícios conjuntos, centrados
no combate a drones, conforme anunciado pelo Estado-Maior das Forças Armadas da
Ucrânia, que descreveu o momento como sendo “um passo importante” para a
cooperação entre os dois países. A missão tem por objetivo ajudar Copenhaga a
combater incidentes que envolvem drones externos.
Também a vizinha Suécia anunciou igualmente medidas de apoio
ao país, ao decidir, na segunda-feira, enviar unidades e sistemas antidrone
para território dinamarquês.
Fonte: CNN Portugal, 30 de setembro de 2025

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