Nova variante XFG.3 da Covid: o que se sabe até agora (e como isso atinge Portugal e a Europa)
Perry Mason
(1957-1966) – Denver Pyle
A Covid-19 ainda está entre nós — apesar de já termos
deixado para trás os tempos de confinamentos e máscaras obrigatórias.
Recentemente, começou a ganhar destaque uma nova subvariante do vírus,
conhecida como XFG.3 (ligada ao grupo Stratus). E as notícias não são
alarmistas, mas merecem atenção.
Em Inglaterra, a variante XFG.3 já representa uma parcela
significativa dos casos de Covid — segundo a UK Health Security Agency (UKHSA),
as variantes do grupo Stratus (XFG e XFG.3) somam uma fração importante das
infeções registadas.
Ainda não há informação pública confiável que confirme que a
XFG.3 já seja dominante em Portugal, mas como as variantes viajam com
facilidade e há deteção do genoma do vírus em vários países europeus, não é de
descartar que já exista circulação silenciosa.
Um dado interessante da Europa: o European Centre for
Disease Prevention and Control (ECDC) mantém a nova linhagem sob vigilância
(categoria “variant under monitoring”).
Além disso, alguns relatórios europeus apontam que a
variante XFG, pertencente ao mesmo grupo, já representa até 25 %dos casos
sequenciados em alguns países (em final de maio)
E nos meios de comunicação europeus, observa-se uma
tendência de aumento dos casos de Covid-19 nesta fase do ano, ainda que com
hospitalizações e mortes abaixo do que se via antes.
Sintomas que se destacam (além dos já conhecidos)
A maioria dos sintomas da XFG.3 são os tradicionais que já
conhecemos bem: tosse persistente, febre, fadiga, corrimento nasal, perda de
olfato ou paladar.
Mas o que muitos especialistas têm chamado atenção é para um
sintoma adicional: rouquidão ou voz áspera, descrita por médicos como
característica mais frequente nas variantes Stratus.
Esse sintoma novo — voz “riscada”, arranhada — pode servir
como pista para diferenciação num quadro onde muitos sintomas coincidem com
viroses comuns.
Será que a nova variante é mais perigosa?
Até ao momento, não há evidência convincente de que XFG.3
provoque doença mais grave do que as variantes anteriores. Especialistas e a
Organização Mundial de Saúde (OMS) classificam o risco público adicional como
baixo, pelo menos com os dados de hoje.
As vacinas disponíveis continuam a oferecer proteção contra
formas graves, segundo avaliações recentes.
O que podemos fazer — em Portugal e na Europa — para
nos proteger
Mesmo sem alarme, prevenção continua a ser palavra-chave:
• Se surgir sintomas respiratórios (tosse,
febre, mal-estar), faça um teste: rápida confirmação ajuda a impedir cadeias de
transmissão.
• Ao sentir rouquidão ou dor de garganta
inesperada, não descarte a possibilidade de ser Covid — pode ser um sinal de
XFG.3.
• Evite contacto com pessoas vulneráveis
quando estiver doente.
• Mantenha a vacinação em dia — em muitos
países europeus já se recomenda dose de reforço para grupos de risco.
• Higienize mãos com frequência, evite tocar
no rosto após manusear superfícies públicas, e mantenha ventilação em espaços
fechados.
Para finalizar
A variante XFG.3 já está em circulação no Reino Unido e com
sinais de presença em vários países europeus. Ainda não surgem dados públicos
específicos para Portugal que confirmem sua prevalência local, mas a vigilância
genómica e os sistemas de saúde europeus estão atentos.
O que salta à vista é que este vírus continua a evoluir — e
cabe-nos acompanhar com prudência e consciência. Nem pânico, nem descuido:
seguir as recomendações básicas de saúde pública é hoje mais importante que
nunca.
Fonte: Fada do Lar, 2 de outubro de 2025
A Inglaterra, por ser em geral um país afro-asiático em termos demográficos e culturais, é hoje um novo foco de doenças, que outrora vinham do Oriente em contingentes de soldados romanos ou no dorso dos ratos nas naus dos navegadores. Se noutros tempos o império britânico temia a malária nas colónias indianas, a peste bubónica trazida do Levante ou a cólera importada pelo comércio com o Ganges, agora as próprias ilhas britânicas recebem na sua porta de entrada de modernos aeroportos patologias que antes lhe chegavam apenas através das rotas marítimas. Londres, onde confluem fluxos migratórios de todo o subcontinente indiano e do continente africano, viu ressurgir a tuberculose resistente a antibióticos, outrora controlada, e detetaram-se surtos de sarampo em comunidades pouco vacinadas. Do mesmo modo, a hepatite B e a hepatite C, doenças endémicas em certas regiões da Ásia e de África, passaram a ter incidência desproporcionada na população britânica.
Nos últimos anos, o Reino Unido registou dezenas de casos de dengue e chikungunya importados por viajantes, com risco de fixação dado o aquecimento global e a presença do mosquito Aedes albopictus já no sul da Europa. Houve ainda episódios de “malária de aeroporto”, em que mosquitos vindos em aviões infetaram passageiros e funcionários sem terem saído do território britânico.
Ironia das ironias: o país que nos séculos XIX e XX se vangloriava de levar a “ciência médica” às suas colónias tropicais é agora ele próprio recetor de doenças tropicais ou exóticas. O que antes se imaginava como ameaça distante — a peste embarcada em Veneza, a cólera a galgar o Suez, a febre amarela a viajar nos navios de escravos — manifesta-se hoje nos hospitais de Birmingham ou nos bairros do East End, já não pela via marítima, mas pela velocidade aérea e pelo cosmopolitismo de uma nação transformada.
Numa clássica ida a Inglaterra para fazer compras ou assistir a um musical trazemos para casa um souvenir of London bem diferente daquele que os Procol Harum cantavam.

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