Putin promete resposta "devastadora" caso haja ataques com Tomahawk e goza com a Europa (por causa "das sanitas")
Panda (2023–2025) - Julien Doré, Ophélia Kolb
Putin leva ainda relativamente a sério as novas sanções
impostas por Trump - mas quanto às novas sanções europeias, fez ironia com elas
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu esta
quinta-feira uma resposta “devastadora” à eventual utilização de mísseis
Tomahawk para atacar território russo.
“Se essas armas forem utilizadas para atacar o território
russo, a resposta será muito forte. Para não dizer devastadora. Que eles pensem
nisso”, disse o líder do Kremlin, citado pela agência estatal russa Ria
Novosti.
O envio de mísseis Tomahawk para a Ucrânia tem sido tema em
cima da mesa no último mês entre Kiev e Washington, DC. No entanto, após o
encontro da passada sexta-feira entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump na
capital americana, ficou claro que tal não acontecerá em breve.
Putin, que falou aos jornalistas no 17.º Congresso da
Sociedade Geográfica Russa, minimizou também as palavras do presidente dos EUA,
que esta quarta-feira disse que tinha cancelado o encontro de Budapeste com o
homólogo russo porque “não lhe parecia correto”. Putin sugeriu que Donald Trump
não se estava a referir ao cancelamento, mas sim ao “adiamento” da reunião.
Sobre as sanções americanas, Putin procurou tranquilizar os
russos, garantindo-lhes que as mesmas não vão ter um “impacto significativo”.
“Não há nada de novo aqui. Sim, elas (sanções) são graves
para nós, claro. E terão certas consequências, mas não terão um impacto
significativo, especialmente na nossa saúde económica”, previu o líder russo,
que considerou as sanções um “ato hostil” que “não fortalece as relações
russo-americanas”.
O presidente russo disse também que esta “tentativa de
exercer pressão” não vai dar resultado com Moscovo.
“Nenhum país que se preze e nenhum povo que se preze decide
nada dessa forma (sob pressão). Sem dúvida, a Rússia tem esse privilégio —
sentir-se e considerar-se parte dessa lista de países e povos que se prezam.”
Putin foi mais irónico sobre as sanções europeias e deu-se
ao luxo de brincar com a proibição da importação de sanitas por Bruxelas.
"O facto de terem cancelado a compra das
nossas sanitas vai sair-lhes caro. Na minha opinião, elas seriam úteis na
situação atual".
Num tom mais sério, Vladimir Putin vaticinou a subida dos
preços do petróleo como consequências das sanções americanas, mas disse esperar
que estas não afetem o mercado energético global.
A administração de Donald Trump anunciou esta quarta-feira
sanções contra dois grandes grupos petrolíferos russos, Rosneft e Lukoil.
O anúncio contra as duas maiores empresas petrolíferas da
Rússia foi feito pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que criticou a
recusa de Moscovo em terminar uma “guerra sem sentido”.
As sanções contra a Rosneft e a Lukoil, bem como dezenas de
subsidiárias, seguem-se a meses de pressão bipartidária sobre o presidente
Donald Trump para sancionar a Rússia de forma mais rigorosa no setor
petrolífero.
“Agora é o momento de parar o derramamento de sangue e de
estabelecer um cessar-fogo imediato”, disse Bessent, em comunicado.
Dada a “recusa de o presidente russo, Vladimir Putin,
terminar esta guerra sem sentido", o Tesouro está a sancionar as duas
maiores empresas petrolíferas da Rússia que financiam a máquina de guerra do
Kremlin.
Bessent afirmou que o Departamento do Tesouro estava
preparado para tomar medidas adicionais, se necessário, para apoiar o esforço
do presidente norte-americano para acabar com a guerra. “Encorajamos os nossos
aliados a juntar-se a nós e a cumprir estas sanções”, adiantou Bessent.
Fonte: CNN Portugal, 23 de outubro de 2025

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