Secretário do Tesouro dos Estados Unidos alerta: “A China quer derrubar todo o mundo, mas será a mais prejudicada”

Perry Mason (1957-1966) – Sue Ane Langdon

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou a China de tentar prejudicar a economia mundial após Pequim ter imposto controles de exportação sobre as terras raras e minerais críticos, afetando as cadeias globais de fornecimento, em declarações ao Financial Times. Mais uma tensão entre ambas as potências

As restrições anunciadas pela China relativamente ao fornecimento de minerais e críticos e terras raras - três semanas antes de os chefes de Estado de ambos os países se encontrarem na Coreia do Sul - são um sinal de fraqueza sobre a economia chinesa. As afirmações são de Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, em declarações ao Financial Times.

Donald Trump e o seu homólogo chinês Xi Jinping vão encontrar-se, mas a China ao anunciar aquelas restrições está a comprar desentendimentos.

Bessent afirma ao Financial Times que isso "é um sinal de quão fraca está a economia chinesa" e que com isto "querem derrubar todo mundo". Referiu ainda que esta estratégia talvez incida em "algum modelo de negócios leninista em que prejudicar os seus clientes seja uma boa ideia, mas eles são o maior fornecedor do mundo”, e como tal "se quiserem desacelerar a economia global, serão os mais prejudicados”.

O secretário de Estado do Tesouro dos EUA afirma ainda que este anúncio de Pequim fez com que Trump colocasse uma ameaça em cima da mesa: uma tarifa adicional de 100% sobre as importações chinesas a partir de dia 1 de novembro.

Bessent diz ainda que isto deve-se ao facto da China estar "no meio de uma recessão/depressão e estão a tentar sair da mesma através das exportações", mas para Bessent, "o problema é que estão a piorar a sua imagem em termos internacionais", refere ao Financial Times. (a)

O Financial Times dá nota de que “os futuros dos EUA apontavam para queda na terça-feira: contratos ligados ao S&P 500 recuavam 0,6%, enquanto os da Nasdaq caíam 0,8%”. Os mercados globais oscilaram fortemente, com investidores a temerem o retorno da guerra comercial que abalou os mercados no início do ano.

Uma fonte próxima desta problemática diz que os EUA já prepararam contramedidas caso não haja acordo entre as partes. E que os EUA iriam colocar em cima da mesa o tema durante o encontro de ministros do G7 em Washington nesta semana, no âmbito de reuniões do Banco Mundial e FMI.

Outras fontes afirmam que os EUA equacionam exigir licenças para empresas que exportam software à China, o que poderá afetar drasticamente a indústria chinesa.

As autoridades norte-americanas estão surpresas com o que consideraram uma ação desproporcional da China ao restringir o fornecimento de minerais críticos antes do encontro na Coreia do Sul, que ocorrerá no fim de outubro durante o encontro da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (Apec). Tudo porque, segundo as autoridades norte-americanas, Li Chenggang, principal negociador comercial de He Lifeng — contraparte de Bessent —, havia feito ameaças a Washington no verão.

E a troca de acusações foi fácil. A China culpou Washington pela escalada das tensões. No domingo, Pequim citou ações recentes dos EUA, incluindo a inclusão de milhares de subsidiárias de empresas chinesas numa lista negra comercial.

Um alto funcionário americano disse que Pequim estava a usar essa medida do Departamento de Comércio dos EUA, introduzida no fim de setembro, como “mero pretexto” para avançar com uma política que estava a ser planeada há algum tempo.

Para evitar mais questões, Bessent e He Lifeng deverão reunir mais uma vez antes do encontro entre Trump e Xi, marcado para 29 de outubro na Coreia do Sul.

Fonte: Expresso, 14 de outubro de 2025

(a) A afirmação de Bessent de que a China estaria “no meio de uma recessão/depressão e estaria a tentar sair da mesma através das exportações” mistura observação económica com retórica política agressiva, e deve ser analisada com cuidado.

Do ponto de vista económico, é inegável que a China tem enfrentado um abrandamento nos últimos anos. O crescimento anual do país tem ficado abaixo das taxas históricas de dois dígitos, levando alguns analistas a referirem períodos de desaceleração ou até recessão técnica em determinados trimestres. Neste contexto, é correto afirmar que o governo chinês utiliza as exportações como instrumento para estimular a economia, aproveitando a forte procura internacional por produtos chineses para compensar a fraqueza do consumo interno e do investimento.

No entanto, a formulação de Bessent possui também um claro tom retórico e político acompanhantes da guerra americana contra a China. Termos como “recessão/depressão” exageram a gravidade da situação, sugerindo fragilidade extrema, enquanto a frase “estão a tentar sair da mesma através das exportações” simplifica a realidade: a China não depende exclusivamente das exportações, estando igualmente a implementar políticas de estímulo ao consumo interno, investimentos em infraestruturas e medidas de política monetária para sustentar o crescimento económico.

Em resumo, embora exista fundamento económico na observação sobre o abrandamento e o papel das exportações, a declaração deve ser interpretada com cautela, pois incorpora um forte componente de exagero e simplificação política, típico de análises destinadas a destacar vulnerabilidades estratégicas de rivais económicos.

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