"Tudo pode mudar". Chefes militares franceses apelam à preparação para a guerra face à ameaça russa
Perry Mason
(1957-1966) – Stuart Erwin
O chefe do Estado-Maior do Exército francês, Pierre Schill,
voltou a comentar as novas ameaças que pairam sobre o continente europeu. Em
entrevista à RTL esta quarta-feira de manhã, considerou que "o futuro não está escrito," mas insistiu na importância de estar pronto para
entrar em guerra. Um apelo reforçado esta tarde pelo chefe do Estado-Maior das
Forças Armadas, Fabien Mandon, que afirmou que o
Exército deve "estar pronto para um confronto dentro de três ou quatro
anos" face à Rússia.
O general francês apelou à França para que se prepare para
enfrentar "ameaças que aumentam, tornam-se mais urgentes, mais
radicais". Pierre Schill, que acaba de publicar o livro Le sens du
commandement (O sentido do comando, em português), mostrou-se preocupado
com uma situação em que "tudo pode mudar" muito rapidamente.
"Um equívoco pode acontecer e uma espiral pode se
instalar. Não estou a dizer que isso é inevitável, pelo contrário. Digo que
temos de ponderar de forma a evitar essa espiral. Por isso, temos de estar
prontos a partir desta noite", observou Pierre Schill, ao microfone da RTL
na manhã desta quarta-feira. “A partir desta
noite, o exército francês está pronto para defender o nosso país e o nosso
continente", afirmou o general francês.
"Estamos num mundo em que o recurso à força volta a ser
algo que pode parecer normal para certas grandes potências", explicou
Pierre Schill. "É o regresso dos impérios.
Perante um império, ou somos vassalos ou somos inimigos. A Europa deve tomar o
seu destino nas mãos", defendeu o general que destacou que "para ser livre, é
preciso ser temido. E para ser temido, é preciso ser forte".
A ameaça russa à Europa?
Questionado sobre que ameaças pairam sobre o continente,
Pierre Schill respondeu que "a ameaça russa na Europa é a maior". No
entanto, existe "a ameaça de conflito de uma forma geral. Também estamos
ligados a outros Estados por acordos de defesa que podem enfrentar a ameaça iraniana, por exemplo. O mundo
continua muito instável, como tem estado nas últimas três décadas",
observou. "Vimos as incursões de drones nas últimas semanas, os sobrevoos
de caças russos", exemplificou.
Moscovo tentada a continuar a guerra no nosso
continente
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francesas, Fabien
Mandon, afirmou que o exército francês deve estar "preparado para um
confronto dentro de três ou quatro anos" com a Rússia. Segundo o mais alto
oficial francês, Moscovo "pode ser tentada
a continuar a guerra no nosso continente". "O primeiro
objetivo que dei às Forças Armadas é estarem preparadas para um conflito dentro
de três ou quatro anos, que seria uma espécie de teste — talvez o teste já
exista em formas híbridas — mas talvez mais violento", declarou.
Perante os deputados da Comissão de Defesa esta
quarta-feira, onde justificou o "esforço de rearmamento" do país,
Fabien Mandon recordou a amplitude da ameaça russa em França e na Europa.
"Há vários anos, é um ator muito agressivo no nosso espaço
informativo, nomeadamente no contexto das eleições, que multiplica os
ciberataques, que lançou uma guerra de agressão na Ucrânia, que utiliza a
ameaça nuclear e que hoje provoca em espaços aéreos".
Fonte: RTP Notícias, 23 de outubro de 2025

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