UBBO fatura mais de 200 milhões por ano e 20% dos visitantes são da Amadora











A NiA falou com o diretor, Pedro Pereira, residente no concelho, e considera que o shopping resort já faz parte da comunidade

O facto de o UBBO estar completamente integrado na comunidade e o trabalho realizado pela equipa que lidera, são dois motivos de Pedro Pereira, 35 anos, diretor do shopping resort desde 2023.

A aposta na diferenciação do centro comercial como um “espaço com tudo para todos, onde as pessoas não vão apenas ver montras”, tem mostrado resultados positivos; uma estratégia que tem sido desenvolvida em colaboração com a autarquia, com o intuito de valorizar ainda mais o território do município. Esta “visão da Câmara Municipal da Amadora”, alinhada com a missão de atrair cada vez mais público, é também elogiada pelo responsável.

“Há sempre muita coisa para fazer aqui, há muita luz e muitos projetos a serem lançados. O UBBO é dog friendly e a aceitação, tanto por parte dos clientes como das empresas, tem sido cada vez maior”, sublinha.

Os números falam por si: em 2024, bateram-se todos os recordes, quer em volume de faturação, como em frequência. O ano passado o shopping resort recebeu 22 milhões de visitantes.

Em 2016, quando o UBBO surgiu (na altura como Dolce Vita Tejo), o conceito shopping resort era considerado “uma estratégia de marketing feliz”. Hoje, quase uma década depois, percebe-se que é mais do que isso.

Sim, verdade. O UBBO logo assumiu uma identidade própria, ou seja, não é apenas mais um centro comercial. Até porque existem vários nas proximidades, num eixo de 10/15 quilómetros, as Amoreiras, o Colombo, o Strada, o Oeiras Parque, o Alegro Alfragide, o Alegro Sintra, entre outros. Quem vem ao UBBO escolhe-nos por uma razão, não é por acaso.

Que razão, em concreto?

O projeto foi criado com um objetivo claro: criar um espaço diferente, cheio de luz, com muito espaço para toda a família. Arriscámos ser um shopping resort. Nós associamos a ideia de resort à ideia de férias, de descanso, de lazer, de coisas para fazer. De facto, o UBBO não tem uma piscina, como chegámos a pensar inicialmente, mas temos atividades para todos. Para os avós, para os pais, para os filhos, para os cães.

Só esta Praça Central onde estamos, com uma área de 9 mil metros quadrados na totalidade, permite fazer muita coisa.

Sim, ainda agora tivemos a piscina de bolas, temos atividades desportivas, agora há de chegar a pista de gelo, depois as feiras. Tem restaurantes, um ecrã incrível para ver o futebol, a praça é toda coberta, mas tem luz natural.

Aliás, a luz natural é uma idas imagens de marca do centro.

Sim, e vai continuar a ser. Posso dizer-lhe que à medida que vamos renovando os contratos com a loja, juntamente com o contrato há uma guideline com um conjunto de pressupostos que as marcas têm de cumprir, entre eles a presença de luz natural. E isso muda tudo.

Até aquela ideia muito portuguesa de “está a chover, o que vamos fazer? Vamos ao centro comercial”.

[risos] É verdade. Não direi que é um preconceito, mas era um estigma que temos vindo a quebrar. As pessoas não vêm ao UBBO para ver montras, vêm para fazer compras, mas para usufruir do espaço público. E há uma coisa que provavelmente não sabe, até porque nunca comunicámos isso de forma clara. Esta Praça Central onde estamos, com nove mil metros quadrados, não é do UBBO. É espaço público que tem um acordo de utilização com a Câmara da Amadora, mediante determinados pressupostos. Este espaço era um terreno sem utilização, e fomos nós que investimos nele, que cuidamos dele, com a colaboração da Câmara. Mas no fundo, o UBBO tem muito orgulho em fazer parte desta comunidade da Amadora e contribuir para a melhoria do território.

Qual é o perfil do vosso cliente?

Olhe, a primeira informação é muito relevante: a grande maioria dos nossos visitantes não vem sozinha, vem em família, e isso reforça a nossa aposta. E por isso nos preocupamos tanto na preservação do espaço público e trabalhar com a câmara e com empresas e organizações da Amadora, para podermos contribuir para a melhoria da cidade.

O Pedro mora cá, na Amadora?

Morava do outro lado do rio, mas agora moro cá, sim, para estar mais perto de tudo e também usufruir da experiência enquanto consumidor.

A taxa de ocupação de lojas e empresas no UBBO é grande, tipo lista de espera do SNS?

[risos]. Temos uma lista de espera de marcas que querem ver cair para cá. As lojas que precisam de mais espaço, como a Lefties, por exemplo, têm sempre de aguardar mais tempo. Temos crescido também muito aí e há muitas empresas que escolheram o UBBO para abrir a primeira loja em Portugal: a Primark, a Primor, etc.

Quantos clientes recebeu o UBBO em 2024?

Cerca de 22 milhões de visitantes, um número bastante superior ao de 2023. Antes da pandemia eram 15 milhões. Portanto, todos os aos temos vindo a crescer, quer em visitantes, quer em faturação, quer em experiência de compra e bem-estar.

Qual o peso da população da Amadora nesses números?

Como estamos aqui a cinco minutos de vários concelhos: Sintra, Loures, Odivelas, Oeiras, vir ao UBBO é perto, basta que as pessoas percebam por que razão é que vêm. Mas posso dizer-lhe que os últimos números que temos, que nos são dados pelos próprios clientes, apontam para que cerca de 20% dos nossos visitantes sejam do concelho da Amadora. Mas como é tudo muito perto, temos 17% de Odivelas, 16% de Lisboa, é tudo muito próximo. Mas desde a pandemia crescemos 45%.

E em faturação?

São números que não gostamos muito de partilhar, mas posso dizer-lhe que, comparando também com o período pré-pandemia, aumentámos 70% em vendas, alcançando hoje uma faturação superior a 200 milhões/ano.

Este sábado, é Dia do Animal e o UBBO vai marcar o dia de forma muita clara, ou não fosse o centro dog friendly, com um parcão, com um bandana personalizada para os cães que podem andar no interior do shopping, à exceção da restauração. O que é que o centro vai fazer?

No ano passado fizemos um evento que foi um sucesso, que foi elegermos a mascote do UBBO, a Bela. Agora, o reinado da Bella está a chegar ao fim e vamos voltar a eleger uma nova mascote, cão ou cadela não sabemos. Para além disso, vamos ter também uma campanha de adoção responsável e vamos ter cães e gatos, com instituições de apoio animal da Amadora e não só. Vamos ter ainda um concurso de beleza, com um casting gratuito para agências de publicidade, que podem permitir transformar um patudo numa estrela de TV.

Para os cães poderem circular no UBBO têm de estar registados e ter um “passaporte”. Quantos cães já estão registados?

Temos 1000 cães registados, o que é um número impressionante e temos registado o interesse crescente de várias lojas que querem aderir à política dog friendly. Até lhe posso contar uma história incrível: tivemos uma senhora que foi ao balcão para registar a sua cobra, para poder andar tranquilamente com a cobra no centro [risos]. Tivemos de explicar à senhora que só aceitamos cães.

Fonte: NiA, 3 de outubro de 2025

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