“A negação do genocídio é fazer parte do genocídio em si”: relatora da ONU acusa UE de ser cúmplice da “limpeza étnica” israelita
A moderada Daniella Weiss, a voz da verdade israelita
“Ninguém
está a fazer nada em relação ao que Israel está a fazer na Cisjordânia, é uma
limpeza étnica, apenas a um ritmo diferente” do de Gaza, disse Francesca
Albanese, no Parlamento Europeu
A relatora especial da Organização das Nações Unidas para os
territórios palestinianos ocupados acusou hoje a União Europeia de ser cúmplice
de Israel na “limpeza étnica” na Cisjordânia, que só é diferente de Gaza “no
ritmo” da destruição.
“Ninguém está a fazer nada em relação ao que Israel está a
fazer na Cisjordânia, é uma limpeza étnica, apenas a um ritmo diferente”, disse
Francesca Albanese, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
A relatora especial da ONU acrescentou que “é mais do que
tempo de perceber que os palestinianos” estão a ser vítimas de um genocídio:
“Crianças vítimas de homicídio, durante o suposto cessar-fogo, Gaza é uma cena
de um crime.”
A UE “falhou como organização que podia fazer as coisas mais
básicas para impedir Israel de cometer estes crimes”.
“A maioria dos Estados-membros contribuíram para que Israel
mantenha a ocupação, um regime de apartheid e agora um genocídio”, criticou
Francesca Albanese.
A “trajetória foi há muito decidida” por Israel, comentou
Albanese perante os eurodeputados: “Há 20, 30 anos, Benjamin Netanyahu
[primeiro-ministro israelita] já expressava que era contra a criação de um
Estado palestiniano.”
Apesar das funções que desempenha na ONU, Francesca Albanese
disse que a última resolução aprovada no Conselho de Segurança não melhora a
situação porque ninguém disputa as ações de Israel que configuram genocídio.
A inação da UE e da maioria dos Estados-membros faz com que
“sejam cúmplices da fase final de destruição da população palestiniana”.
Albanese criticou Telavive por impedir que visite a
Cisjordânia ou Gaza, ainda que tenha mandato das Nações Unidas para isso, mas
avançou que as informações que recolheu com organizações no terreno demonstram
que há uma estimativa de 200 mil vítimas, entre pessoas mortas pelo regime
israelita e feridos com “cicatrizes para toda a vida”.
“O inverno está a chegar e 1,9 milhões de palestinianos não
têm onde dormir, não têm uma casa digna, muito menos acesso a água. Os que não
foram bombardeados por Israel estão a tentar esvaziar tendas indignas
encharcadas”, descreveu.
Francesca Albanese disse que “o sonho da Europa morreu” ao
ser cúmplice com o genocídio israelita e por “ser irresponsável”.
O Tribunal Internacional de Justiça está a determinar se
Israel cometeu genocídio e “na UE não fizeram nada”.
“A negação do genocídio é fazer parte do genocídio em si”,
comentou.
Fonte: Expresso, 25 de novembro de 2025



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