"Acabou a brincadeira!": juíza repreende advogado de Sócrates e faz participação à Ordem
Perry Mason
(1957-1966) – Dabbs Greer
A mãe
de José Sócrates não compareceu esta quinta-feira ao julgamento da Operação
Marquês, onde seria ouvida como testemunha. Foi entregue um atestado médico a
justificar a ausência, mas o documento não foi aceite pelas juízas do Campus da
Justiça, uma vez que foi apresentado por Pedro Delille, advogado do
ex-primeiro-ministro
Pela primeira vez desde o início do julgamento da Operação
Marquês, a juíza Susana Seca levantou o tom de voz para repreender o advogado
de José Sócrates.
Em causa está o facto de Pedro Delille ter presumido que a
sessão iria começar mais tarde do que o agendado e ter chegado atrasado ao
julgamento, tendo José Sócrates sido representado, durante cerca de meia hora,
por uma advogada oficiosa na audiência.
Para as 09:30 desta quarta-feira estava marcada a
inquirição, enquanto testemunha, da mãe do antigo primeiro-ministro, que não
compareceu, depois de, na quarta-feira à tarde, Pedro Delille ter apresentado
um atestado médico no qual é referido que o estado de saúde da idosa, de 94
anos, não permite que esta se desloque a tribunal.
Segundo a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, o
advogado justificou por telefone que estava atrasado porque presumiu que, face
à apresentação do atestado, a sessão iria começar mais tarde.
Já no julgamento, o causídico tentou explicar o atraso ao
tribunal e apresentar um protesto, tendo sido impedido de o fazer pela
magistrada.
“Acabou a brincadeira!",
gritou a magistrada no momento em que o advogado se exaltava, depois
de repreendido por ter faltado injustificadamente à sessão, o que obrigou a que
fosse chamada uma advogada oficiosa para representar o ex-primeiro-ministro.
"O senhor doutor estava notificado para comparecer às
9:30. Não compareceu porque sabia que a testemunha [mãe de Sócrates] não vinha.
Apresentou um atestado, sem ter procuração para representar a testemunha",
constatou a juíza.
A resposta por parte do advogado Pedro Delille não tardou a
chegar:
"Eu presumi que a sessão começaria mais tarde."
Mas a juíza não perdoou:
"O senhor doutor presumiu mal! Todos os seus colegas
compareceram."
A troca de palavras não se ficou por aqui e Pedro Delille
acrescentou:
"A senhora juíza não me
vai ralhar!"
Por fim, a magistrada respondeu:
"Acabou a brincadeira! Vai responder perante a Ordem
dos Advogados."
O julgamento da Operação Marquês tem sido marcado por vários
episódios de exaltação e de desrespeito para com o tribunal.
Logo nos primeiros dias, o ex-primeiro-ministro fez uso
frequente de ironias, lançado questões retóricas e até chegou mesmo a abandonar
a sala de audiências sem pedir autorização.
Fonte: SIC Notícias, 30 de outubro de 2025


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