Alexander Dugin - Lições do Ocidente destruído pela imigração
Perry Mason
(1957-1966) – Victor Buono
Como se
propaga a decadência política quando a ideologia substitui a realidade
Alexander Dugin mostra como o colapso do Ocidente, impulsionado pela imigração, expõe o destino de qualquer sistema político que se desvincule da tradição e se afunde na podridão da sua própria ideologia secular.
O mundo ocidental está em colapso. Enquanto a União Europeia
e os globalistas tentam operar dentro de um “mecanismo de degeneração gradual”,
os eleitores norte-americanos têm-se levantado. E agora os europeus também se
estão a levantar. A que levará e o que deverá a Rússia fazer?
O governo de Starmer na Grã-Bretanha e os liberais da União
Europeia representam o núcleo ideológico liberal, insistindo nos seus pontos de
vista apesar do estado real das coisas no mundo. Neste sentido, assemelham-se à
União Soviética do final da era soviética, quando a elite do partido e o
governo soviético continuaram a basear-se em modelos teóricos que contradiziam
completamente a realidade. Em vez de tentarem conciliar as suas noções, talvez
parcialmente corretas, com a realidade — uma realidade que muda de acordo com
as suas próprias leis e ritmos, exigindo novas soluções — começaram a insistir
nas suas ideias como a verdade absoluta. E, no final, tudo se desmoronou.
O filósofo Nick Land introduziu o termo “degenerative
ratchet” (mecanismo irreversível de degeneração). Eu chamo-lhe “a
república”: sistemas políticos e sociais que, uma vez autónomos e deixados por
si mesmos, sem impulsos externos, inevitavelmente conduzem sempre ao mesmo
resultado: declínio, colapso, crise e degradação. Qualquer sistema desse tipo,
ressequido, baseado num algoritmo ideológico que perdeu a ligação com a
realidade — aquilo a que se chama reality check — qualquer sistema
fechado, qualquer república, qualquer ideologia política secular ou aparelho
administrativo acaba, em última análise, aprisionado num mecanismo de
degeneração irreversível.
No final, resta apenas um caminho: a acumulação de uma massa
crítica de erros. Uma decisão errada é seguida de outra; depois da terceira,
vem a quarta, a quinta e a sexta. Cada decisão errada é seguida de uma ainda
mais errada. Tudo isto se enquadra em conceitos ideológicos, mas entra em
conflito absoluto com a realidade. A União Soviética colapsou precisamente por
esta razão: o mecanismo de engrenagem degenerativa (ratchet mechanism) da
ideologia soviética chegou a um ponto crítico, recusando-se a ajustar-se à
realidade ou a responder aos seus desafios. Com essa república degenerativa, o
nosso país, infelizmente, colapsou também.
O mesmo está a acontecer agora com a União Europeia e os
globalistas. Acreditam que quanto mais imigração, melhor; que a imigração deve
ser combatida com mais imigração, a estupidez com mais estupidez e as
perversões com mais perversões. Tratam a degeneração da sua própria atividade
mental com uma prótese sob a forma de inteligência artificial. Este é o mecanismo
de engrenagem degenerativa (ratchet mechanism) da república. Qualquer
modelo político secular, mais cedo ou mais tarde, acaba exatamente num colapso
como este.
Este colapso está a acontecer neste momento no mundo
ocidental. Os eleitores americanos levantaram-se contra ele, e os eleitores
europeus também se estão a levantar. No entanto, os líderes políticos da Europa
— os liberais — insistirão nos seus modelos completamente disfuncionais até ao
fim. Nomearão imigrantes como curadores da imigração, incentivarão imigrantes
ilegais, acolherão muçulmanos e rejeitarão cristãos. Por outras palavras,
qualquer ação absurda que possamos imaginar será certamente levada a cabo pela
União Europeia.
Estamos a assistir a uma clara demonstração do mecanismo de
engrenagem (ratchet mechanism) da degeneração. E se não revitalizarmos o
nosso próprio Estado, o nosso sistema político, com significados mais elevados,
objetivos mais elevados, sacralidade e espírito, chegaremos ao mesmo ponto.
Deixar um sistema político à sua sorte conduz inevitavelmente precisamente a
isso. Tanto mais porque, infelizmente, somos formalmente uma república — o que
significa que estamos condenados à mesma degeneração que os países ocidentais.
Embora, claro, já tenham percorrido um caminho muito mais longo do que nós.
Neste contexto, é importante compreender o que se passa com
a imigração islâmica nos países ocidentais. Os globalistas fazem uma distinção
nítida entre o Islão dentro dos seus próprios países tradicionais e a imigração
islâmica. Travam guerras contra os Estados islâmicos — invadindo-os,
bombardeando-os e demonizando-os no palco internacional. Mas as diásporas
islâmicas nos países ocidentais, por outro lado, são recebidas de braços
abertos — especialmente os grupos mais radicais, desenraizados e fortemente criminalizados
que transformaram o Islão numa paródia de si mesmo.
Por outras palavras, os globalistas têm dois pesos e duas
medidas. Os muçulmanos que vivem nos seus próprios países são “maus”. Os
muçulmanos que vêm para os países ocidentais são “bons”. Isto porque distorcem
as suas próprias tradições, preservadas nas suas terras natais, e destroem as
tradições dos outros povos entre os quais se estabelecem. Os países muçulmanos
são inimigos; diásporas muçulmanas são amigas dos globalistas.
A Inglaterra é um exemplo clássico. Starmer — cuja
popularidade está agora próxima de zero — adota políticas que muitos consideram
como aceleradoras do declínio da Inglaterra, e suspeito que o seu destino
político refletirá isso mesmo. Líderes como ele podem, em última análise,
enfrentar duras consequências por parte dos seus próprios cidadãos — figuras
como o ativista de direita Tommy Robinson já personificam esta crescente reação.
Esta trajetória é previsível, e as comunidades muçulmanas atraídas para o projeto
globalista só irão amplificar a turbulência, dado o papel disruptivo que lhes é
atribuído dentro desta agenda.
Mas o que devemos nós, russos, aprender com isto? Em
primeiro lugar, os países muçulmanos devem ser nossos amigos, e os muçulmanos
que vivem nos seus próprios territórios, nas suas áreas tradicionais de
povoamento, são pessoas maravilhosas – portadores da tradição. Em segundo
lugar, quando começam a espalhar-se excessivamente e sem fundamentos sérios,
como uma espécie de fungo, noutras sociedades, isso deve ser combatido. Por
outras palavras, devemos ser amigos e aliados dos muçulmanos e dos países islâmicos,
enquanto a imigração islâmica deve ser reduzida ao máximo possível.
Quanto aos nossos muçulmanos tradicionais e nativos – como
os tártaros, os chechenos e outros povos caucasianos – estes são inteiramente
nossos. Isso é uma questão diferente; são simplesmente nossos. Mas os
estrangeiros muçulmanos que vêm ao nosso país devem ou adotar os nossos
costumes ou regressar aos seus próprios países amigos.
Não devemos temer ofender alguém como Emomali Rahmon 1 quando expulsámos todos os imigrantes
tajiques ilegais da Rússia. Tudo deve ser o mais rigoroso possível. Aqueles que
se tornam como nós são nossos amigos. Aqueles que não se querem tornar como
nós, que querem usar todos os tipos de adereços de cabeça estranhos – por
favor, voltem para casa. Em casa, podem fazer o que quiserem. Vestir o que
quiserem. Tratá-los-emos com grande respeito, amor, amizade, reverência e
parceria estratégica — mas apenas quando regressarem aos seus países. Se
estiverem aqui, tornem-se como nós.
Portanto, a nossa tarefa é fazer exatamente o oposto do que
Starmer, na Grã-Bretanha, e outros globalistas na União Europeia estão a fazer:
fazer amizade com países islâmicos, apoiá-los e simplesmente travar a imigração
islâmica, reduzi-la a zero. Naturalmente, isto exclui os nossos próprios muçulmanos,
que vivem na sua própria pátria e que, obviamente, respeitam as nossas leis.
Alexander Dugin
Fonte: Multipolar Press, 24 de novembro de 2025
1. Emomali Rahmon é o presidente do Tajiquistão desde 1992, tendo consolidado um regime autoritário que se mantém ininterruptamente no poder desde o colapso da União Soviética. Nascido em 1952 numa família modesta em Danghara, formou-se em Economia e começou a sua carreira política ainda no período soviético, como dirigente de uma quinta coletiva. Após assumir o poder durante a guerra civil tajique, Rahmon construiu um sistema político altamente centralizado, marcado pela limitação severa da oposição e pela concentração progressiva de autoridade na sua figura. Em 2016, as restrições constitucionais aos mandatos presidenciais foram removidas, garantindo-lhe a possibilidade de governar indefinidamente. No plano simbólico, o próprio Estado passou a exaltá-lo com títulos oficiais como “Líder da Nação” e “Fundador da Paz e da Unidade Nacional”, reforçando o carácter personalista do regime.
A governação de Rahmon é também marcada pelo controlo apertado da vida social e religiosa. O governo tem adotado medidas de vigilância e repressão cultural, incluindo a limitação de vestuário islâmico e outras expressões públicas de religiosidade, consideradas pelo regime como potenciais ameaças à estabilidade política. Paralelamente, Rahmon tem cultivado relações estreitas com potências regionais, nomeadamente a China, que reconheceu formalmente a importância da parceria estratégica atribuindo-lhe distinções oficiais.
A sua longevidade política relaciona-se ainda com o fenómeno da migração massiva de trabalhadores tajiques para a Rússia. A economia do Tajiquistão depende fortemente das remessas enviadas por emigrantes, sobretudo jovens em idade ativa que procuram emprego em setores de baixa qualificação no mercado russo. Este fluxo migratório reduz a pressão social interna, alivia o desemprego e cria uma fonte constante de rendimentos externos, funcionando, na prática, como um amortecedor económico e político do regime. Por outro lado, a população migrante torna-se vulnerável à chantagem política de Moscovo, que periodicamente utiliza a ameaça de expulsão ou restrições laborais como instrumento de influência sobre Dushanbe. Assim, o sistema construído por Rahmon não se explica apenas pelo controlo interno, mas também por esta relação triangular em que a estabilidade do regime se apoia parcialmente na capacidade de exportar mão de obra excedentária para a Rússia — e na dependência económica que daí resulta.

Comentários
Enviar um comentário