Aprovada lei que amplia poder policial em bairros "de risco"
Perry Mason
(1957-1966) – Douglas Henderson, Kathryn Givney
O governo esloveno está a enfrentar críticas após a
aprovação de uma nova legislação que, segundo ativistas e especialistas, “trata uma minoria inteira [ciganos] como uma ameaça à segurança”
por permitir buscas policiais sem mandado em zonas consideradas de “alto
risco”. A chamada lei Aleš Šutar,
aprovada esta segunda-feira, surgiu na sequência da morte de Aleš Šutar — um
homem de 48 anos que perdeu a vida após ser agredido junto a um bar por um
jovem de etnia cigana, de 21 anos. O episódio desencadeou protestos, reforço
policial em bairros ciganos e a demissão de dois ministros.
O primeiro-ministro, Robert Golob, afirmou que as novas
medidas não têm um alvo étnico, sublinhando que o governo age “não contra
qualquer grupo em particular, mas contra o crime em si”. No entanto, várias
organizações e partidos da oposição, citados pelo The Guardian,
contestam esta posição, reiterando que a legislação assume um carácter
discriminatório.
Com esta nova lei — aprovada no parlamento com o apoio da
coligação liderada pelo partido liberal Svoboda, dos sociais-democratas e de
parte da oposição Democrata-Cristã —, é possível a polícia entrar em
propriedades privadas ou em transportes públicos que estejam em “áreas de alto
risco de segurança” sem mandado judicial, sempre que se considere
“inevitavelmente necessário proteger pessoas através da apreensão imediata de
armas de fogo”. As autoridades eslovenas passam igualmente a poder recorrer a
meios técnicos de vigilância, incluindo drones ou sistemas de reconhecimento de
matrículas, sempre que julguem estar em causa a vida ou os bens de cidadãos.
Estas áreas de risco de segurança serão delimitadas
geograficamente pelo diretor-geral da polícia ou pelos responsáveis regionais,
com base em avaliações internas. Para Mensur
Haliti, vice-presidente da organização Roma Foundation for Europe,
esta lei abre caminho a um tratamento desigual, transformando “bairros inteiros
em zonas de segurança e os seus residentes em categorias de risco”. Haliti
acrescentou, também, que “a Eslovénia fez algo que a Europa raramente admite
dentro da União: aprovou uma lei que trata uma minoria inteira como uma
ameaça”.
A esquerda parlamentar
recusou participar no debate legislativo, classificando a proposta como
repressiva. Apesar disso, o governo conta com um apoio significativo
por parte dos cidadãos. Uma sondagem da Mediana para a RTV Slovenia
revelou que mais de 60% dos inquiridos concordam com a resposta governamental
após o incidente com Aleš Šutar.
A aprovação da lei ocorre a poucos meses das eleições
nacionais, que se irão realizar em março de 2026. O partido de Golob, o
Movimento pela Liberdade, corre o risco de ser derrotado pelo Partido
Democrático Esloveno, de direita nacionalista, liderado pelo antigo
primeiro-ministro Janez Janša.
Fonte: Observador, 19 de novembro
de 2025

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