Biden autorizou ataques de Israel no Líbano, diz ex-diplomata israelita

Perry Mason (1957-1966) – Don Beddoe, Allison Hayes

O ex-embaixador disse que o seu governo chegou a "entendimentos paralelos" com Washington para continuar a bombardear o Hezbollah

O governo de Biden chegou a "entendimentos paralelos" para permitir que Israel continuasse a bombardear alvos no Líbano, apesar do cessar-fogo alcançado no final do ano passado, segundo Michael Herzog, que na altura era embaixador de Israel nos EUA.

Herzog revelou o acordo informal, que não tinha sido confirmado anteriormente, durante um painel na sexta-feira no Instituto de Washington para a Política do Próximo Oriente. Um resultado fundamental do acordo, que Herzog ajudou a negociar, foi a manutenção da "liberdade de ação de Israel contra as ameaças" quando outras partes "não estão dispostas ou são incapazes" de as conter, disse. "Isto foi conseguido através de entendimentos paralelos com o governo dos Estados Unidos", disse Herzog. "E foi implementado no Líbano".

A revelação ajuda a explicar porque é que os EUA têm permanecido relativamente quietos no último ano sobre as alegadas violações do cessar-fogo israelita, incluindo ataques aéreos quase diários e incursões de comandos contra o que Israel alega serem locais relacionados com o Hezbollah no sul do Líbano. Estes ataques, que mataram pelo menos 100 civis libaneses, parecem representar algo muito distante da “cessação permanente das hostilidades” que o presidente Joe Biden afirmou que ocorreria após o cessar-fogo.

Os rumores sobre um acordo deste tipo circularam ao longo do último ano, após relatos dos meios de comunicação israelitas sobre a existência de uma “carta paralela” que permitiria a Israel “defender-se” contra as ameaças no Líbano, desde que as forças israelitas notificassem os EUA com antecedência. Mas os comentários de Herzog parecem representar a primeira confirmação oficial do acordo secreto — e a indicação mais clara até agora de que Israel vê o acordo paralelo como uma carta branca para continuar a sua campanha aérea unilateral contra o Hezbollah.

Herzog não disse explicitamente se estes “acordos paralelos” se mantêm em vigor sob a administração Trump, que, tal como a administração Biden, ignorou em grande parte as alegadas violações israelitas do cessar-fogo.

As observações de Herzog também oferecem novos elementos antes da visita do presidente sírio Ahmed al-Sharaa a Washington na próxima semana, quando este se reunirá com o presidente Donald Trump para discutir, entre outras questões, a possibilidade de um acordo de segurança entre a Síria e Israel. Segundo o antigo embaixador israelita, Israel “gostaria de aplicar” um acordo paralelo semelhante a qualquer entendimento com a Síria. “É importante para os israelitas saber que podem manter liberdade de ação”, afirmou Herzog.

Connor Echols

Fonte: Responsible Statecraft, 7 de novembro de 2025

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