Festival Eurovisão da Canção retira poder ao televoto: “Qualquer tentativa de influenciar indevidamente os resultados será sancionada”
Perry Mason
(1957-1966) – Victor Buono, Carl Don
O
Festival Eurovisão da Canção vai ter novas regras, como a redução do número de
votos do público e o regresso, nas semifinais, dos jurados, que terão de
assinar um compromisso de imparcialidade. Medidas são anunciadas após polémicas
sobre sistema de votação, nomeadamente envolvendo Israel
O Festival Eurovisão da Canção vai ter novas regras de
votação, nomeadamente uma redução do número de votos do público e o regresso de
jurados nas semifinais, anunciou esta sexta-feira a União Europeia de
Radiodifusão (UER).
Em comunicado, a UER refere que foram feitas
"importantes atualizações no quadro de votação do Festival Eurovisão da
Canção, para reforçar a confiança, a
transparência e o envolvimento do
público" no evento.
"As alterações surgem na sequência de um amplo processo
de consulta aos membros da UER [entre os quais a RTP] após o Festival de
2025", explica a organização.
Para a edição de 2026, o número máximo de votos possível
para cada espectador (feitos 'online', por SMS ou chamada telefónica) é
reduzido de vinte para dez.
As semifinais do festival voltam a ter júris profissionais -
o que já não acontecia desde 2022 - e tanto nas semifinais como na final é
feita uma repartição de "aproximadamente 50/50 entre os votos do júri e do
público".
Os júris passam a integrar sete elementos (anteriormente
eram cinco), têm de representar uma "variedade de experiências
profissionais" ligadas à música e às artes e têm de assinar um compromisso
de imparcialidade.
"Cada júri incluirá pelo menos dois jurados entre 18 e
25 anos", refere a UER.
Em comunicado, a UER sublinha ainda que as emissoras
televisivas e os artistas participantes "não estão autorizados a
participar ativamente, a facilitar ou a contribuir para campanhas promocionais
de terceiros que possam influenciar o resultado da votação".
"Qualquer tentativa de influenciar indevidamente os
resultados será sancionada", refere.
Estas medidas são anunciadas depois de terem surgido várias
polémicas sobre o sistema de votação, nomeadamente envolvendo Israel.
Alguns países europeus, entre os quais Eslovénia, Espanha,
Irlanda, Islândia e Países Baixos, tornaram público nos últimos meses que
ponderam boicotar a edição de 2026, que acontecerá em Viena, caso Israel
participe no concurso.
Nos Países Baixos, a associação de radiodifusão pública
Avrotros acusou Israel de ter cometido "interferência comprovada durante a
última edição, envolvendo-se em manipulação política do evento", numa
referência à segunda posição obtida pela cantora israelita Yuval Raphael,
através da votação telefónica, na edição deste ano do concurso.
A Avrotros justificou ainda a decisão citando as
"graves violações da liberdade de imprensa" cometidas por Israel em
Gaza.
Bélgica, a Suécia e a Finlândia revelaram estar a pensar
também sobre a participação no festival. Os boicotes devem-se aos ataques
militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, nos dois
últimos anos, classificados como genocídio por uma comissão internacional
independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
Na terça-feira, em conferência de imprensa, o diretor-geral
da estação pública austríaca de radiodifusão ORF, Roland Weissmann, disse que
"chegou o tempo da diplomacia" para que se consiga realizar o
Festival Eurovisão da Canção em 2026.
Weissmann disse que espera um compromisso, em dezembro,
sobre a participação de Israel na Eurovisão, para que a Áustria possa acolher
"o maior número possível de participantes".
A União Europeia de Radiodifusão irá tomar uma decisão
assembleia geral ordinária de inverno, marcada para os dias 4 e 5 de dezembro.
A final do 70.º Festival Eurovisão da Canção está marcado
para 16 de maio, sendo antecedida de duas semifinais a 12 e 14 de daquele mês.
O Festival Eurovisão da Canção é organizado pela UER em
cooperação com operadores públicos de mais de 35 países, entre os quais a RTP.
O concurso realiza-se anualmente desde 1956 e já houve
países excluídos, caso da Bielorrússia, em 2021, após a reeleição do presidente
Aleksandr Lukashenko, e da Rússia, em 2022, após a invasão da Ucrânia.
Israel foi o primeiro país não europeu a poder participar,
em 1973, e ganhou quatro vezes.
A Áustria venceu o 69.º Festival Eurovisão da Canção, que
aconteceu em maio passado em Basileia, na Suíça, com o tema
"Starmania", interpretado por JJ. Os representantes portugueses,
NAPA, alcançaram o 21.º lugar com a canção "Deslocado".
Portugal participou pela primeira vez no Festival Eurovisão
da Canção em 1964, tendo, entretanto, falhado cinco edições (em 1970, 2000,
2002, 2013 e 2016).
Em 2017, Portugal venceu pela primeira e única vez o
concurso com a canção "Amar pelos dois", de Luísa Sobral,
interpretada por Salvador Sobral.
Fonte: Expresso, 22 de novembro de 2025
Dificultar o trabalho dos agentes israelitas em manipular o voto popular na Eurovisão é antissemitismo descapotado.


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