Freiras que fugiram de lar de idosos regressam ao convento, mas sob uma condição: devem parar de utilizar as redes sociais

Três freiras austríacas, com idades entre 82 e 88 anos, fugiram de um lar de idosos para regressar ao convento onde viveram a maior parte das suas vidas. A Igreja concordou em deixá-las ficar, mas com a condição de abandonarem as redes sociais, onde contabilizam mais de 100 mil seguidores

Irmã Rita, Irmã Regina e Irmã Bernadette. São os nomes das três freiras que fugiram do lar de idosos para o qual foram encaminhadas, para voltar para o convento onde viviam. A Igreja acolheu as irmãs, mas com uma condição: teriam de deixar de utilizar as redes sociais.

Com 82, 86 e 88 anos, respetivamente, Rita, Regina e Bernadette são as últimas freiras no convento de Kloster Goldstein em Elsbethen, no distrito de Salzburgo, Áustria, onde passaram a maior parte das suas vidas. Foram de lá retiradas, contra a sua vontade, em dezembro de 2023 e, em setembro deste ano, regressaram ao convento, com a ajuda de um grupo de estudantes, de um serralheiro e contra a vontade dos priores.

“Estou tão contente por regressar a casa”, dizia a Irmã Rita à BBC em setembro. “Estava sempre com saudades de casa no lar, estou mesmo feliz e grata por estar de volta”. Bernadette acrescenta: “Não nos perguntaram nada, tínhamos o direito de ficar aqui até o final das nossas vidas e essa promessa foi quebrada”.

O convento era anteriormente um castelo. Convertido numa escola privada para raparigas em 1877, começou a aceitar também rapazes em 2017 e está ainda em funcionamento. A irmã Bernadette foi uma das alunas, quando entrou na escola em 1948. Regina entrou no convento em 1958 e Rita foi a última, em 1962. Foram as três professoras.

As irmãs não ficaram felizes com o despejo em 2023, quando foram encaminhadas para um lar de idosos católico, depois de lhes ter sido garantida estadia no convento enquanto a sua saúde física e mental assim o permitisse. “Eu fui obediente a minha vida toda, mas foi demais”, expressou a Irmã Bernadette ao jornal britânico.

Então, com o auxílio de um grupo de antigos alunos, as freiras regressaram ao convento em setembro e depararam-se com os cadeados dos antigos apartamentos substituídos, pelo que não viram alternativa senão chamar um serralheiro. “Quando precisarem de nós só precisam de nos ligar e nós vamos estar lá de certeza”, disse uma das antigas alunas, Sophie Tauscher. “As freiras mudaram tantas vidas de uma forma tão boa”.

A história tornou-se rapidamente conhecida através da internet, onde os apoiantes das freiras partilharam vídeos das irmãs a orar ou a almoçar e da Irmã Rita a fazer exercício. O apoio foi demonstrado através de ajuda monetária para o pagamento da alimentação e da eletricidade e a Irmã Rita recebeu inclusive um par de luvas de boxe.

Com mais de 100 mil seguidores no Instagram e outros milhares no Facebook, as irmãs souberam agora, três meses depois do regresso, que podem ficar no convento por enquanto. No entanto, apenas sob certas condições.

Os superiores da Igreja pedem que as freiras deixem as suas atividades nas redes sociais e que assegurem que mais ninguém que não pertença à ordem entre na área reservada do convento. Em troca, oferecem a estadia, apoio médico e suporte espiritual. O acordo ainda não foi aceite, no entanto, em 2023, a Irmã Bernadette mostrava-se determinada a permanecer no convento.

“Antes de morrer naquele lar de idosos, prefiro ir para um prado e entrar na eternidade dessa forma”

Fonte: Expresso, 28 de novembro de 2025

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