Guarda suíço acusado de ter insultado duas mulheres judias no Vaticano
Perry Mason
(1957-1966) – Dick Foran, Wesley Lau, John Sutton, Ronald Long, William Boyett
Segundo os jornais austríacos Die Furche e Kathpress,
um guarda suíço terá agredido com insultos
antissemitas duas mulheres judias que visitavam o Vaticano no dia 29 de
outubro.
As duas mulheres encontravam-se no Arco dos Sinos, a zona de
entrada da Praça de São Pedro, quando o guarda
suíço terá exclamado "les juifs!" (os judeus).
Uma das vítimas, a escritora israelita Michal Govrin,
relatou na quinta-feira, numa entrevista à Kathpress, que o guarda
também terá simulado cuspir na sua direção depois de um dos acompanhantes das mulheres lhe
ter perguntado por que razão as estava a insultar.
"Ficámos completamente chocados", contou Govrin.
"Um incidente destes em pleno Vaticano? Uma
expressão flagrante de ódio aos judeus, em contraste com as
palavras do Papa na noite anterior".
As mulheres relataram o incidente às autoridades, que
abriram uma investigação interna "confidencial", como confirmou o
porta-voz da Guarda Suíça Papal, Eliah Cinotti, à Agência Ansa. "Foi
comunicado que houve um incidente de desavença num dos pontos onde havia
serviço e, como acontece nestas ocasiões, foi aberto um inquérito
interno", acrescentou.
O superior da Guarda Suíça, no entanto, "pediu
desculpas profusamente", disse Govrin, e acrescentou: "Mas o que
aconteceu certamente deixou sua marca".
Papa Leão XIV: "A Igreja não tolera o antissemitismo
Govrin estava de visita a Jerusalém para assistir a uma
audiência do Papa Leão XIV dedicada ao aniversário da "Nostra
Aetate", um documento de 1965 sobre as relações entre a Igreja Católica e
as religiões não cristãs, adotado pelo Concílio Vaticano II.
Durante a audiência, o Pontífice afirmou: "A Igreja não tolera o antissemitismo e combate-o, por causa do próprio
Evangelho.
Em Itália, 500 casos de antissemitismo registados no
primeiro semestre de 2025
Os episódios de antissemitismo em Itália estão a aumentar,
segundo os dados do Observatório do Antissemitismo da Fundação Centro de
Documentação Judaica Contemporânea (Cdec).
Só nos primeiros seis meses de 2025 foram registados cerca
de 500 casos e, até ao final do ano, poderão ultrapassar os 874 em 2024.
Trata-se de uma clara tendência de crescimento, uma vez que nos três anos
anteriores, segundo o Observatório, foram registados cerca de 230 casos por
ano.
IEC: "Temos de lutar sempre contra o antissemitismo
Desde 7 de outubro, os ataques contra os judeus
"aumentaram exponencialmente", afirmou o rabino-chefe de Roma,
Riccardo Di Segni, na quarta-feira, à margem da apresentação de um projeto para as
escolas desenvolvido pelos bispos italianos e pela comunidade judaica.
Trata-se do volume "Cartas para conhecer o judaísmo",
que explora a tradição judaica para o ensino nas escolas católicas.
"Devemos lutar sempre contra o antissemitismo",
afirmou o presidente da Conferência Episcopal Italiana (Cei), Cardeal Matteo
Zuppi. "Com o mundo judaico devemos continuar a crescer em amizade e
também resolver mal-entendidos que existiram no
passado."
Fonte: Euronews, 7 de novembro de 2025
Ben Gvir: “Cuspir nos cristãos é um antigo costume judaico”
Os colonos judeus extremistas, que têm aproveitado o feriado do Sukkot para profanar locais e símbolos religiosos muçulmanos e cristãos, têm o respaldo do ultra-direitista ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que disse numa entrevista à Rádio do Exército que cuspir em cristãos “não é crime”.
Ben Gvir já tinha defendido o ato de cuspir nos cristãos como “um antigo costume judaico”. A afirmação foi repetida na terça-feira, no X/Twitter, pelo líder dos colonos extremistas, Elisha Yered, suspeito de envolvimento na morte de um adolescente palestiniano em agosto.
“Talvez sob a influência da cultura ocidental tenhamos esquecido um pouco o que é o cristianismo, mas penso que os milhões de judeus que sofreram no exílio as Cruzadas, a tortura da Inquisição [espanhola], os libelos de sangue e os pogroms em massa — nunca esquecerão”, justificou Yered.
Youssef Daher, coordenador do Conselho Mundial das Igrejas em Jerusalém, acusou as autoridades israelitas de encorajarem as agressões contra os cristãos. Numa entrevista à agência Anadolu, Daher disse que a negligência da polícia e as declarações dos ministros israelitas estavam a contribuir para o crescimento do fenómeno.
O assédio de israelitas contra cristãos, incluindo cuspidelas, não é novo. No entanto, aumentou durante o novo governo, que tomou posse no final do ano passado e tem sido considerado como o mais à direita da história do país.
Os ataques — cometidos na sua maioria por ultranacionalistas ou colonos, incluindo soldados — vão desde a invasão de igrejas e cuspidelas nos fiéis até à destruição de símbolos cristãos e à vandalização de sepulturas, entre outros atos.
De acordo com a Al Araby TV, os últimos incidentes visaram o clero cristão na Cidade Velha, onde milhares de israelitas estão a participar em marchas que assinalam a semana do feriado de Sukkot.
Vários turistas foram maltratados por colonos judeus que lhes cuspiram enquanto caminhavam ao longo da Via Dolorosa durante a procissão da Via Sacra. As imagens de vídeo mostraram a presença das forças de ocupação israelitas durante o incidente, que nada fizeram para parar ou impedir a ação racista dos colonos.
O Papa Francisco terá ficado “furioso” com os incidentes, segundo Wadie Abu Nassar, conselheiro e antigo porta-voz da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa.
O ministério dos Negócios Estrangeiros palestiniano afirmou num comunicado que os repetidos incidentes de cuspir nos cristãos refletem a “cultura de ódio e racismo” da ocupação israelita.
O presidente da comissão presidencial palestiniana para os Assuntos da Igreja, Ramzi Khoury, afirmou que as declarações de Ben-Gvir, “não são apenas palavras passageiras, mas sim uma ameaça real à vida dos cristãos... que terá consequências perigosas e inesperadas, uma vez que as práticas racistas e extremistas se tornaram abertamente praticadas contra todos os que não são judeus”.
Entretanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu garantiu que “Israel está totalmente empenhado em salvaguardar o direito sagrado de culto e de peregrinação aos locais sagrados de todas as religiões”.
Muçulmanos expulsos das mesquitas para dar lugar aos judeus
Centenas de colonos israelitas ilegais forçaram, na quinta-feira, a entrada no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada, no quinto dia do feriado judaico de Sukkot, de acordo com o Departamento Islâmico Waqf, informa a agência Anadolu.
Em comunicado, o departamento afirmou que pelo menos 240 colonos entraram no local sob a proteção da polícia israelita. Pelo menos 4551 colonos invadiram o complexo desde domingo, de acordo com a mesma fonte.
Na segunda-feira, a polícia israelita invadiu a mesquita Qibli/Al-Aqsa, a principal área de oração no recinto sagrado muçulmano em Jerusalém, conhecido como Al-Haram Al-Sharif ou Nobre Santuário, sob o pretexto de fazer uma busca, enquanto centenas de extremistas judeus invadiam o local muçulmano e a polícia agredia e prendia e expulsava fiéis palestinianos.
Os fanáticos judeus intensificaram a sua presença na Mesquita de Al-Aqsa, quando assinalam o seu feriado de Sukkot, respondendo aos apelos dos seus líderes para estarem presentes no local com o objetivo de alterar o status quo que diz que a área é uma zona de culto exclusivamente muçulmana.
O Sukkot é um feriado de uma semana, que começou a 29 de setembro e termina a 6 de outubro, terminando uma temporada de feriados judaicos que começou com a observação do Rosh Hashanah (Ano Novo) a 15 de setembro.
A Mesquita de Al-Aqsa é o terceiro local mais sagrado do mundo para os muçulmanos. Os judeus chamam à área o Monte do Templo, alegando que foi o local de dois templos judaicos em tempos antigos.
Em Hebron, na passada segunda-feira, as autoridades de ocupação israelitas fecharam a Mesquita Ibrahimi aos fiéis muçulmanos sob o pretexto dos feriados judaicos, abrindo-a apenas para as orações judaicas, de acordo com o diretor-geral das Doações de Hebron, Nidal Jaabari.
Ghassan Al-Rajabi, director da Mesquita Ibrahimi, disse à Anadolu que todas as partes da mesquita seriam abertas aos colonos israelitas, acrescentando que Israel fecha a mesquita aos muçulmanos durante 10 dias por ano, por ocasião de diferentes feriados judaicos.
Reverenciado tanto por muçulmanos como por judeus, o complexo da Mesquita Ibrahimi de Hebron é considerado o local onde estão sepultados os profetas Abraão, Isaac e Jacob.
O Comité do Património Mundial da UNESCO decidiu, em julho de 2017, incluir a Mesquita Ibrahimi e a cidade velha de Hebron na sua lista do Património Mundial.
Em Hebron vivem perto de 160 000 palestinianos e cerca de 500 colonos judeus ilegais. Estes últimos vivem numa série de enclaves exclusivamente judaicos, fortemente vigiados por tropas israelitas.
ONU apela a ação imediata contra profanação de locais e símbolos religiosos
Volker Turk, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos apelou, na quinta-feira, a uma ação imediata contra a crescente profanação de locais e símbolos religiosos em todo o mundo, durante a reunião do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra.
Segundo Turk, as lacunas nas políticas e nos quadros jurídicos nacionais permitem que o ódio e a discriminação passem despercebidos face às consequências reais.
“Os Estados-Membros podem e devem fazer mais”, insistiu, uma vez que a queima do Alcorão e outros incidentes de ódio religioso em todo o mundo demonstram que a luta contra as causas profundas e os fatores de ódio exige “muito mais”.
“O desmantelamento ativo de estereótipos nocivos, campanhas de informação pública que celebrem a diversidade, sistemas educativos inclusivos e não discriminatórios, plataformas de redes sociais com políticas de moderação de conteúdos que respeitem os direitos humanos, meios de comunicação social fortes, independentes e diversificados, e soluções para aqueles que são vítimas de discriminação são necessários para combater o ódio religioso e os seus efeitos”, afirmou.
Fonte: mppm, 6 de outubro de 2023



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