Milei promete acelerar reformas e conta com o apoio de Trump contra “grupo de idiotas locais”
Perry Mason
(1957-1966) – Donna Atwood, Dick Foran
Presidente
argentino promete manter o controlo cambial, mesmo contra a opinião de alguns
investidores e banqueiros
Javier Milei rejeita os
apelos de vários investidores argentinos para abdicar do controlo cambial do
peso, uma política que levou os Estados Unidos a gastar 20 mil milhões de
dólares (cerca de 17 mil milhões de euros) para sustentar a moeda local, pouco antes
das eleições legislativas de 26 de outubro, em que a coligação liderada por
Milei saiu reforçada.
Depois de uma vitória com valores inesperados sobre a
oposição de esquerda, o presidente argentino garantiu ao Financial Times
que iria acelerar as reformas liberalizantes, para
“matar as ideias socialistas” que,
no seu ponto de vista, destruíram o país no último século.
A Argentina controla o valor do peso através de uma faixa de variação
em relação ao dólar, dentro da qual a moeda pode flutuar, evitando quedas
bruscas e dando mais estabilidade à economia. Investidores e altos
quadros da banca de investimento têm sugerido que esta política devia terminar,
aproveitando a maré de otimismo após a vitória eleitoral e “reconstruindo”
assim as reservas do Banco Central.
Milei rejeita a hipótese: “Temos um programa e vamos
mantê-lo”. Alguns economistas argentinos também consideram que o peso está
sobrevalorizado, mas o chefe de Estado cita o secretário do Tesouro dos EUA,
Scott Bessent, para defender o contrário: “O que
acha que vale mais? A opinião de um especialista bem sucedido e representante
do Tesouro norte-americano, como o sr. Bessent, ou um grupo de idiotas locais?
(...) A Argentina não vai entrar em default. O nosso compromisso em
pagar a dívida é irrevogável.”
Milei considera que os investidores que se encontraram
preocupados estão a ser influenciados por “economistas e consultorias locais,
que sistematicamente erram” e diz que já previra, em abril, que o governo fosse
atacado por opositores antes das eleições.
Milei aponta para regresso aos mercados
Scott Bessent assegurou que fará todos os possíveis para
apoiar um aliado estratégico importante como a Argentina e reconhece que o grande objetivo dos norte-americanos é reafirmarem-se
na América Latina, para conter a expansão da China.
Pelo apoio económico que os EUA têm "oferecido",
Milei garantiu a Donald Trump que poderia contar com o total apoio da Argentina
no combate ao tráfico de drogas, nomeadamente na Venezuela. Referiu também que concorda com a pressão de Trump sobre
o presidente venezuelano Nicólas Maduro, a quem apelidou de
"narcoditador".
O governo de Milei tem conseguido controlar a histórica
inflação argentina, mas a economia estagnou nos últimos meses. O aumento das
taxas de juros, com o objetivo de conter as pressões inflacionistas, reduziu o
acesso de empresas e consumidores ao crédito. No entanto, o executivo espera que a Argentina volte a aceder aos
mercados globais de capitais no próximo ano.
Milei
também tem um plano para acelerar o crescimento económico: espera acabar com
cerca de 20 impostos, devolvendo cerca de 500 mil milhões de dólares aos bolsos
dos argentinos até 2031, ano em que poderá terminar um eventual segundo
mandato.
Para a aprovação destas reformas, a plataforma A Liberdade
Avança, de Milei, precisa de negociar com outros partidos, uma vez que não tem
maioria absoluta no Congresso argentino.
Fonte: Expresso, 6 de
novembro de 2025

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