Militares de 20 países foram a Israel aprender com a experiência da guerra em Gaza
O.P.J.
Pacific Sud (2019) - Yaëlle Trules, Lola Dewaere
Ciclo
de cinco dias juntou vários países da NATO, incluindo Estados Unidos e
Alemanha, numa experiência que serviu para aprender, entre outras coisas, sobre
a utilização da Inteligência Artificial em contexto de guerra
Se a guerra na Faixa de Gaza parece ter isolado Israel na
política internacional, a cooperação e as
exportações militares do país continuam a crescer. O ministério da
Defesa relatou vendas de 14,7 mil milhões de dólares (cerca de 12,7 mil milhões
de euros) em 2024, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Mas as
parcerias não se resumem aos negócios. A CNN Portugal esteve presente em
apresentações de militares israelitas a parceiros de Forças Armadas
estrangeiras. Tivemos de deixar o telemóvel do lado de fora do auditório antes
de nos juntarmos a palestras de oficiais do exército de Israel diante de uma
plateia formada por militares de 20 países.
De forma organizada, como num evento TED, oficiais
israelitas apresentaram os ensinamentos obtidos durante os dois anos da guerra
na Faixa de Gaza e também nos confrontos na Síria e no Líbano.
O evento fez parte de um ciclo realizado durante cinco dias
em Israel para 130 oficiais de nações
estrangeiras. Entre os países presentes, Estados Unidos, Canadá,
Alemanha, Estónia, Finlândia ou Hungria. Duas potências europeias pediram para
que não houvesse divulgação da participação dos seus militares. O
mesmo aconteceu em relação a militares de países árabes que estiveram presentes
- um desses países é Marrocos, onde têm existido uma série de manifestações
intensas nas ruas contra Israel.
O exército de Israel não revelou se houve convite a
Portugal. A explicação é que não poderia haver confirmação para não prejudicar
os governos dos países aliados. A CNN Portugal entrou em contacto com o
ministério português dos Negócios Estrangeiros para confirmar a informação. A
resposta é que o ministério não recebeu qualquer convite.
Durante o dia em que a CNN Portugal esteve presente
no evento, militares estrangeiros aprenderam sobre o uso de Inteligência
Artificial por parte de Israel nos campos de batalha, drones para ataques de
precisão, como o exército israelita se posicionou diante da possibilidade de
sequestros de soldados durante a guerra, e a forma como o país criou um centro
de operações logísticas na Faixa de Gaza. Também houve estudo de casos reais da
ofensiva no território palestiniano. Os
militares estrangeiros assistiam a tudo com atenção, tomavam notas e faziam
perguntas no final das apresentações.
A CNN Portugal questionou por que os dois países
europeus não quiseram divulgar a participação no evento, mas não obteve
resposta.
Num dos intervalos, a CNN Portugal conversou com
alguns militares estrangeiros que aceitaram falar sob anonimato.
"A guerra é muito
recente e sofisticada. Aprendemos muito", disse um militar do
Canadá.
A CNN Portugal conversou com militares dos Estados
Unidos e da Alemanha que disseram estar satisfeitos por "aprender com os
aliados".
Decisão da ONU
Nesta semana, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por 13
votos a favor e duas abstenções (Rússia e China) o plano de 20 pontos elaborado
pelos Estados Unidos para estabilizar a Faixa de Gaza. O plano envolve a
criação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, em inglês), que
deverá substituir a presença do exército de Israel no território. Há metas
ambiciosas, como o desarmamento do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza,
além de prever a possibilidade da criação de um
Estado palestiniano após reformas
internas da Autoridade Palestiniana (AP), o governo palestiniano reconhecido
pela comunidade internacional.
Ainda não está claro que exércitos irão ceder soldados para
a ISF. O ministro da Defesa da Indonésia, o país com a maior população
muçulmana no mundo, revelou que há 20 mil soldados a treinar para participar
nesta força internacional. Já o ministério dos Negócios Estrangeiros de França
afirma ter um plano para desarmar o Hamas e impedir que o grupo seja parte de
um futuro governo de Gaza.



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