Ministro da Defesa defende que novos helicópteros são adequados para emergência médica
Perry Mason (1957-1966)
O ministro da Defesa Nacional defendeu esta sexta-feira que
os quatro novos helicópteros que a Força Aérea vai adquirir no próximo ano para
emergência médica, num total de 32 milhões,
são adequados para esse fim, citando um relatório do INEM.
Numa publicação na rede social ‘X’, Nuno Melo reagiu a uma
notícia publicada pelo semanário Expresso, que cita declarações de Vítor
Almeida, médico de helitransporte civil de doentes há 25 anos e antigo
presidente do Colégio de Medicina de Urgência e Emergência.
De acordo com Vítor Almeida, os quatro Black Hawk anunciados pelo ministro da Defesa no
parlamento esta semana “não permitem o transporte primário” da vítima do local
do acidente para o hospital devido à sua volumetria.
Nuno Melo contradiz esta opinião, citando um “relatório do
INEM”: “É uma excelente escolha para operações de evacuação médica devido às
suas capacidades excecionais e versatilidade”.
“Mais: em quadro comparativo com outros helicópteros,
considera na maior parte dos itens que o Black Hawk U60 ‘satisfaz plenamente’,
ou ‘supera os padrões esperados’”, salientou Melo, citando o mesmo relatório.
O ministro da Defesa acrescenta que “investir em
equipamentos postos ao serviço da Nação, para auxílio na superação de tragédias
é uma obrigação de um Estado decente”
e as Forças Armadas “estão
ao serviço do povo”.
“Não o fazem por negócio, nem terei menos empenho por muito
que o sistema
queira que fique tudo igual”, criticou.
Na quarta-feira, numa audição no âmbito da discussão na
especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2026, Nuno Melo anunciou
que o governo vai adquirir até ao final de agosto do próximo ano quatro
helicópteros para a Força Aérea que serão colocados à disposição para auxiliar
a emergência médica.
De acordo com fonte oficial do ministério da Defesa, os
quatro helicópteros "Black Hawk" vão ser adquiridos
por aproximadamente 32 milhões de euros, através dos fundos do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR), com cada unidade a custar oito milhões.
“Os aparelhos serão operados pela Força Aérea e ficarão
disponíveis para, se necessário, reforço do serviço de emergência médica”,
acrescentou a mesma fonte.
Fonte: CNN Portugal, 7 de novembro de 2025
"Excelentes" para evacuação, mas não para socorro
de emergência? O que diz a avaliação aos helicópteros Black Hawk
Os
helicópteros que o ministério da Defesa vai adquirir serão, de acordo com o
jornal Expresso, adequados para missões de “evacuação médica”, mas não
para missões de “emergência médica”. A tabela divulgada por Nuno Melo estará,
segundo especialistas, “mal feita”
O ministro da Defesa defendeu, na SIC Notícias, que
os helicópteros Black Hawk, que o governo tenciona comprar para reforçar o
socorro, são uma "excelente" escolha. Mas, de acordo com o Expresso,
terão sido confundidos os conceitos de
“emergência médica” e “evacuação médica” e há uma mistura de
aeronaves na tabela que Nuno Melo apresentou.
Segundo o Expresso, não estão em causa missões de
“emergência médica”, como Nuno Melo anunciou no Parlamento. Essas são missões
de socorro e transporte urgente de traumatizados de um local de acidente para
um hospital - classificadas como inadequadas para os Black Hawk.
Em vez, disso, o que os Black Hawk podem fazer bem é
“evacuação médica”, um outro tipo de missão e que pode ser feita por outras
aeronaves. E é isso que o documento do governo parece avaliar.
Quando esteve no Parlamento, esta semana, o ministro da
Defesa afirmou que os quatro helicópteros Black Hawk que serão comprados seriam
mais um meio para “ações de emergência médica”, e não missões de “evacuação
médica”, que diz respeito, de uma forma mais abrangente, ao transporte de
doentes e de equipas médicas, mas não em situações de emergência primária.
Tabela "mal feita"
De acordo com os especialistas ouvidos pelo Expresso, o quadro de avaliação das aeronaves que foi publicado pelo ministro nas redes sociais mistura aviões. A tabela divulgada pelo governante está “mal feita”, afirmam, porque compara aviões pesados de transporte, como os C-130 ou os KC390, com helicópteros pesados (EH-101), médios como os Black Hawk e ligeiros, como os Koala.
“O C1-30 e o KC390 não aterram nos hospitais. Mas pela
tabela são excelentes”, declara um dos especialistas citados. “Não há um único
Black Hawk a fazer emergência médica por esse mundo fora”, afirma outro.
O semanário diz ter confirmado junto de várias fontes que os Black Hawk não são adequados para este tipo de serviço
de emergência - o que Nuno Melo procurou desmentir, esta
sexta-feira, na SIC Notícias, mas admitindo que “não há aeronaves
adequadas para todas as circunstâncias".
Ouvido pela SIC Notícias, o presidente do Sindicato
dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, defendeu que "o peso, as dimensões e o tempo que demora a levantar voo
fazem com que este modelo anunciado pelo ministro da Defesa não seja, de facto,
adequado para emergência médica".
“Não se compreende a escolha deste modelo. Esperemos que
tenha outra utilidade que não seja a emergência médica", concluiu.
Os quatro helicópteros Black Hawk vão custar 32 milhões de
euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e deverão ser
entregues até agosto de 2026.
Fonte: SIC Notícias, 7 de novembro de 2025



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