Netanyahu anuncia "medidas enérgicas" contra colonos violentos na Cisjordânia
Perry Mason
(1957-1966) – Ray Collins, Wesley Lau
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou
hoje "medidas enérgicas" contra os colonos radicais e seus atos de
violência dirigidos à população palestiniana e também às tropas de Israel na
Cisjordânia.
"São uma minoria que entra na Judeia e Samaria e não representam a
maioria dos colonos, que respeitam a lei e são leais ao Estado", declarou
Netanyahu antes de uma reunião do seu executivo, usando as designações
administrativas israelitas para o território da Cisjordânia.
O chefe do governo afirmou que as ações de violência dos
colonos "vão receber uma resposta muito forte", observando que Israel é "uma nação de leis", apesar
das críticas reiteradas da impunidade de que gozam os israelitas radicais na
Cisjordânia ocupada.
Já na semana passada, o comandante do exército israelita,
Eyal Zamir, manifestou a intenção de pôr fim aos ataques de colonos, onde a ONU
registou, em outubro, um pico de violência em quase duas décadas.
"Estamos determinados a pôr fim a este fenómeno e
agiremos com firmeza até que a justiça seja feita", disse Eyal Zamir,
citado num comunicado militar, durante uma visita às tropas que realizam
exercícios no território palestiniano ocupado por Israel desde 1967.
Segundo o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de
Assuntos Humanitários (OCHA), foram registados pelo menos 264 ataques de colonos
que resultaram em vítimas, danos materiais ou ambos na Cisjordânia em
outubro, representando "o máximo mensal em quase duas décadas de recolha
de dados".
Na terça-feira, a polícia e o exército de Israel prenderam
vários colonos por envolvimento em ataques violentos contra palestinianos em
Beit Lid, no norte da Cisjordânia, uma medida invulgar após denúncias
reiteradas das autoridades locais e organizações de defesa dos direitos humanos
sobre a impunidade de que beneficiam os habitantes judeus nos territórios
ocupados.
O presidente israelita, Isaac Herzog, condenou estes
ataques, classificando-os como "chocantes e inaceitáveis".
No seu comunicado militar, o comandante do Exército reforçou
que "não tolerará o comportamento criminoso de uma pequena minoria que
mancha a imagem de uma população cumpridora da lei".
Nas últimas semanas, os ataques atribuídos a colonos cada vez mais jovens e violentos,
geralmente residentes em postos avançados (assentamentos ilegais ao abrigo das
leis de Israel e destinados a criar factos consumados no terreno), têm-se
multiplicado na Cisjordânia, tendo como alvo habitantes palestinianos, mas
também jornalistas, ativistas do seu próprio país e estrangeiros e, por vezes,
até militares israelitas.
Mais de 500 mil israelitas
vivem na Cisjordânia em colonatos
regularmente condenados pela ONU como ilegais ao abrigo do direito
internacional, entre cerca de três milhões de palestinianos.
A violência explodiu no território desde o início da guerra
na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, entre Israel e o grupo islamita
Hamas.
Apesar do cessar-fogo no enclave palestiniano, em vigor
desde o passado dia 10 de outubro, os ataques atribuídos a colonos na
Cisjordânia não pararam e inclusive registaram um aumento relacionado com a
campanha de colheita de azeitona e destruição de olivais.
Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, mais de mil
palestinianos morreram na Cisjordânia, de acordo com números das Nações Unidas,
em episódios de violência envolvendo militares e colonos radicais israelitas.
No mesmo período, segundo
números oficiais de Israel, pelo menos 36 israelitas, incluindo
civis e soldados, foram mortos em ataques palestinianos ou durante incursões
militares.
Há três semanas, knesset (parlamento israelita) aprovou na primeira de três leituras um projeto de
anexação da Cisjordânia, o que mereceu amplas críticas da comunidade
internacional, incluindo dos Estados Unidos, principal aliado de Israel.
Embora se tenha distanciado na altura da aprovação dos
deputados, Benjamin Netanyahu disse hoje que a posição do seu Governo em
relação à criação de um Estado palestiniano em qualquer território a oeste do
rio Jordão "não mudou minimamente".
Fonte: RTP, 16 de novembro
de 2025

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