Novo presidente do parlamento checo retira bandeira ucraniana e causa polémica
Perry Mason
(1957-1966) – Elaine Devry
O recém-eleito presidente do parlamento da República Checa,
Tomio Okamura (extrema-direita), gerou polémica ao retirar a bandeira ucraniana
da fachada do edifício, que era até agora um
símbolo da solidariedade com o
país invadido pela Rússia.
Okamura,
uma figura controversa que lidera o partido de extrema-direita Liberdade
e Democracia Direta, mostrou em várias ocasiões uma posição crítica em relação
à União Europeia – questionando mesmo a presença da República Checa no bloco
europeu -, e à NATO.
Pouco depois de assumir o novo cargo de presidente da
assembleia, o político checo decidiu retirar a bandeira, o que suscitou
críticas de um grande número de deputados.
A situação levou alguns
parlamentares a colocar bandeiras ucranianas nas janelas dos seus respetivos
gabinetes na sede do parlamento.
A maioria dos deputados que manifestou repúdio à decisão do
novo líder do parlamento integra partidos da coligação governamental cessante.
A antecessora de Okamura no cargo, Marketa Pekarova Adamova,
considerou que se tratou de um "gesto lamentável" por parte do
político de extrema-direita e considerou que "não visa apenas a população
ucraniana, mas também os valores fundamentais da República Checa", noticiou a Radio
Prague International.
Juntamente com a bandeira da República Checa,
permanecem agora na fachada do edifício do parlamento a da União Europeia e a de Israel,
içada após os ataques do movimento islamita palestiniano Hamas em outubro de
2023.
A bandeira ucraniana havia sido colocada na fachada após o
início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Considerado pró-russo,
Okamura foi eleito na quarta-feira presidente do parlamento com o apoio dos
deputados do seu partido, do movimento populista Aliança dos Cidadãos
Descontentes (ANO), do magnata agroindustrial Andrej Babis – que deverá liderar
o próximo governo - e do partido Motoristas Unidos.
Estas três forças populistas e eurocéticas, que representam
108 dos 200 lugares no parlamento, deverão chegar ao poder nas próximas
semanas, depois de terem chegado a acordo para governar em conjunto, na
sequência das eleições legislativas realizadas a 3 e 4 de outubro.
Até agora, a República Checa está entre os países que mais
apoiam a Ucrânia.
A nomeação de Okamura suscitou um debate controverso na
câmara devido às suas conhecidas posições pró-russas e eurocéticas, bem como
uma investigação policial por suspeita de incitamento ao ódio, na sequência de
cartazes de campanha do seu partido que mostravam imagens e mensagens
discriminatórias e racistas contra migrantes e ciganos.
Fonte: Lusa, 7 de novembro de 2025

Comentários
Enviar um comentário