Tensão entre China e Japão: diplomata pede que "cortem a cabeça" à primeira-ministra nipónica
Perry Mason (1957-1966) – William Talman
Governo
japonês apresentou um protesto formal contra a China. Comentário feito por
diplomata chinês surge na sequência de declarações de Sanae Takaichi sobre
Taiwan
O governo do Japão afirmou esta segunda-feira que apresentou
um protesto formal contra a China, depois de um diplomata chinês ter
alegadamente pedido para "cortar a cabeça" da primeira-ministra
nipónica, Sanae Takaichi, após declarações sobre Taiwan.
"Estes comentários são extremamente inapropriados
vindos do chefe de uma missão diplomática chinesa no estrangeiro",
declarou o porta-voz do governo japonês Minoru Kihara, em conferência de
imprensa, referindo-se a uma mensagem publicada na rede social X pelo
cônsul-geral chinês em Osaka, Xue Jian, posteriormente apagada, de acordo com
meios de comunicação japoneses.
Kihara disse que pediu à China uma explicação sobre os
comentários, mas também acrescentou que esta não é a primeira vez que Xue está
no centro da polémica.
"Estamos cientes dos muitos comentários inapropriados
feitos pelo cônsul-geral de Osaca e exortamos veementemente a China a tomar as
medidas adequadas", afirmou.
O jornal japonês Sankei Shimbun, que afirmou que a
mensagem foi posteriormente apagada, disse que Xue partilhou um artigo do
próprio jornal, escrevendo na rede social X: "não
temos outra escolha senão cortar a cabeça imunda [de Takaichi]".
O embaixador dos EUA no Japão, George Glass,
utilizou a mesma rede social para se pronunciar sobre o assunto e apelar à
China para que se porte como um "bom vizinho".
"A
máscara está a cair - outra vez", publicou Glass, notando que
"há apenas alguns meses, o cônsul chinês "comparou Israel à Alemanha
nazi" e agora "ameaça a primeira-ministra e o povo japonês".
"Está na altura de Pequim se comportar como o 'bom
vizinho' de que tanto fala, mas que repetidamente não consegue ser", nota
ainda Glass.
Xue foi
descrito como um dos "lobos guerreiros" da nova geração de
diplomatas chineses, que optaram por um tom muito mais firme e agressivo do que
os antecessores.
O que esteve na origem da polémica declaração?
O comentário do diplomata chinês surgiu na sequência de
declarações da primeira-ministra japonesa, na sexta-feira, que disse que um
ataque militar a Taiwan justificaria uma intervenção das Forças de Autodefesa
do Japão.
Takaichi reafirmou hoje os comentários, mas disse que Tóquio
teria de "analisar todos os fatores" antes de agir.
O Japão reconheceu a República Popular da China como o único
governo legítimo da China num documento conjunto que remonta a 1972, quando
ambos os países normalizaram as relações diplomáticas bilaterais e Tóquio
rompeu relações com Taiwan.
Desde então, Tóquio mantém intercâmbios não governamentais
com Taipé. O antigo primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em 2022, chegou a
sublinhar, quando estava no poder, que uma eventual invasão da ilha levaria a
uma intervenção japonesa no conflito, no âmbito do acordo de segurança que liga
Tóquio aos Estados Unidos e aliados.
Pequim considera a ilha, que é autónoma desde 1949, como
parte inalienável do território chinês e avisou repetidamente que não renuncia
ao uso da força para alcançar a reunificação.
Taipé, por seu lado, afirma que a República da China,
denominação oficial de Taiwan, e a República Popular da China "não estão
subordinadas uma à outra".
Fonte: CNN Portugal, 10 de novembro
de 2025

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