Tensão entre Trump e Bin Salman por desacordo sobre Israel

Apesar do encontro público ter ficado marcado pela cordialidade, a reunião privada entre Donald Trump e o príncipe herdeiro saudita Mohammed Bin Salman (MBS) terá sido mais tensa, noticiou o Axios, citando três fontes próximas

O presidente dos EUA terá pressionado o saudita a ceder na reaproximação a Israel e juntar-se aos Acordos de Abraão, criados por Washington. MBS, em resposta, terá combatido as pretensões do norte-americano, sublinhando que a opinião pública na Arábia Saudita é “esmagadoramente anti-Israel” e que Telavive se deve comprometer com “um caminho irreversível, credível e com prazos definidos” para a criação de um estado palestiniano.

Esta troca de opiniões, indicam as fontes, ter-se-á tornado tensa, mas nunca colocou em causa a cordialidade que ambos mostravam ter mutuamente.

“A melhor forma de descrever isso é deceção e irritação. O presidente realmente quer que eles adiram aos Acordos de Abraão. Ele tentou muito convencê-lo. Foi uma discussão honesta. Mas MBS é um homem forte. Ele manteve a sua posição”, indicou uma das fontes. Um funcionário norte-americano indicou ao jornal digital que, apesar de rejeitar por agora, MBS “nunca disse não a uma normalização” das relações com Israel.

Rubio disse a Israel que F-35 sauditas serão inferiores aos das IDF

O principal fruto do encontro da semana passada foi o anúncio da venda de F-35 para a Arábia Saudita, numa versão que, supostamente, seria a mesma que as Forças de Defesa de Israel.

Porém, fontes israelitas e nos Estados Unidos afirmaram que o secretário de Estado, Marco Rubio, assegurou a Benjamin Netanyahu que Telavive iria ter direito a mais, de forma a que não se viole a “vantagem militar qualitativa” — uma cláusula legal norte-americana que obriga a que os Estados Unidos garantam uma superioridade de Israel face aos seus vizinhos.

“Dissemos aos israelitas que estamos comprometidos com a vantagem militar qualitativa e não a vamos violar”, indicou um funcionário à Axios.

Fonte: Observador, 26 de novembro de 2025

Os sauditas sabem o seu futuro, mesmo que o sonho de perderem pouco território se mantenha em anos vindouros, mas, entre linhas amarelas e zonas tampão, têm razão para estarem preocupados.

A versão bíblica das fronteiras de Israel, frequentemente associada ao versículo de Génesis 15:18 — “Desde o rio do Egito até ao grande rio, o Eufrates” — tem sido interpretada, ao longo da história, como a referência territorial mais ampla atribuída ao antigo Israel. Se tomarmos esta descrição de forma literal, o espaço geográfico aí sugerido ultrapassa largamente as fronteiras do Estado atual e abrange regiões que hoje pertencem a vários países do Médio Oriente: o território de Israel contemporâneo, os territórios palestinianos (Cisjordânia e Gaza), a Jordânia, o Líbano, o sul da Síria, o ocidente do Iraque e ainda o nordeste da península do Sinai, no Egito.

A Arábia Saudita, porém, não faz parte desta delimitação tradicional. Apenas surgiria nas versões mais maximalistas e minoritárias desta leitura bíblica, que prolongam a fronteira para sul da Jordânia. Mesmo nessas interpretações, o que poderia ser incluído não passaria de pequenas zonas desérticas no extremo noroeste saudita, nas imediações de Aqaba — e, portanto, sem qualquer relevância territorial significativa.

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