Trump ameaça revogar licença da ABC News após perguntas de jornalista sobre negócios na Arábia Saudita
Perry Mason
(1957-1966) – Josephine Hutchinson
Enquadrada
na visita do regente saudita a Washington DC, a promotora imobiliária saudita
Dar Global anunciou, esta terça-feira, uma nova parceria nas Maldivas com a
Trump Organization, grupo empresarial liderado desde 2016 pelos filhos mais
velhos do Presidente, Donald Jr. e Eric
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou, esta
terça-feira, revogar a licença da ABC News, após uma jornalista desta
cadeia televisiva fazer perguntas sobre os negócios da sua família na Arábia
Saudita e o escândalo Jeffrey Epstein.
"É apropriado, senhor presidente,
que a sua família faça negócios na Arábia Saudita enquanto é presidente? Isso
não configura um conflito de interesses?", questionou a
repórter, Mary Bruce, na Sala Oval da Casa Branca, quando Trump recebia o
príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.
Enquadrada na visita do regente saudita a Washington DC, a
promotora imobiliária saudita Dar Global anunciou, esta terça-feira, uma nova
parceria nas Maldivas com a Trump Organization, grupo empresarial liderado
desde 2016 pelos filhos mais velhos do Presidente, Donald Jr. e Eric.
O presidente mantém-se como acionista da Trump Organization,
através de um fundo fiduciário. A repórter dirigiu-se também a bin Salman, que
os serviços de informações norte-americanos responsabilizaram pelo assassínio
do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018 no consulado saudita em Istambul, por
agentes enviados da Arábia Saudita.
"E Vossa Alteza Real, os
serviços de informações americanos concluíram que o senhor orquestrou o brutal
assassinato de um jornalista. As famílias das vítimas do 11 de setembro [de
2001] estão furiosas com a sua presença aqui na Sala Oval. Porque é que o povo
americano deveria confiar no senhor?", acrescentou.
"Notícias falsas da ABC. Uma das piores do ramo"
Os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos foram
orquestrados por Osama bin Laden, ele próprio de origem saudita. Enquanto a
jornalista fazia as perguntas, Trump perguntava-lhe para quem trabalhava.
"Notícias falsas da ABC. Uma das piores do ramo",
retorquiu o presidente bruscamente e visivelmente irritado. "Não tenho
nada a ver com o negócio da minha família. Saí disso", afirmou Trump a
propósito do conflito de interesses.
O presidente respondeu por bin Salman, dizendo que este
"não sabia de nada" a propósito do assassínio de Khashoggi.
"Podemos ficar por aqui. A senhora não pode constranger
o nosso convidado fazendo-lhe essa pergunta", acrescentou.
Mas, alguns minutos depois, jornalista da ABC News
voltou a questionar Trump, desta vez em relação ao caso Epstein, que tem
perseguido o presidente, que respondeu ainda mais irritado.
"Sabe, não é a pergunta
que me incomoda. É a sua atitude. Acho que é uma péssima jornalista!",
retorquiu Trump.
"Vou dizer-lhe uma coisa. Acho que a licença da ABC
devia ser revogada por as vossas reportagens serem tão falsas e erróneas",
continuou.
O presidente exortou mesmo o diretor da Comissão Federal de
Comunicações (FCC), que já tinha ameaçado a ABC com sanções, a
"investigar" o assunto.
"E chega de perguntas da sua parte", intimou ainda
Trump.
Trump já processou vários meios de comunicação desde janeiro
Desde o início do seu segundo mandato, em janeiro, o presidente
já processou judicialmente vários média norte-americanos - incluindo o Wall
Street Journal, New York Times e CBS - e, mais recentemente,
anunciou que fará o mesmo com a britânica BBC.
Trump ataca e insulta com frequência jornalistas que fazem
perguntas incómodas, qualificando-os muitas vezes de "fake news".
Vários jornalistas condenaram, este terça-feira, um insulto de Trump a uma
jornalista, que chamou de "porquinha" e mandou calar.
"Cala-te. Cala-te, porquinha", afirmou
Trump, apontando o dedo a Catherine Lucey, correspondente da Bloomberg na Casa
Branca, que o questionou sobre a divulgação de documentos do caso Jeffrey
Epstein.
Embora o insulto tenha sido feito na sexta-feira, a bordo do
Air Force One, apenas hoje as imagens correram nas redes sociais, provocando
indignação entre jornalistas, como Jake Tapper, um dos principais pivots da CNN,
que classificou o comportamento do presidente como "repugnante e
completamente inaceitável".
Gretchen Carlson, ex-pivot da Fox News, também
classificou o comentário como "repugnante e degradante". A Bloomberg
divulgou um comunicado onde afirma que os seus repórteres da Casa Branca
"prestam um serviço público essencial, fazendo perguntas sem medo ou
preconceito".
"Continuamos focados em noticiar assuntos de interesse
público de forma justa e precisa", acrescentou a agência noticiosa.
Fonte: SIC Notícias, 18 de
novembro de 2025

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