Apesar da autorização de Trump, a China não quer comprar chips da Nvidia

Perry Mason (1957-1966) – Lloyd Corrigan, Maureen Arthur

Na semana passada, os Estados Unidos autorizaram a Nvidia a vender os chips H200 à China, mas os asiáticos parecem não estar interessados em adquirir essa tecnologia. A informação foi avançada pelo próprio responsável pela área de inteligência artificial da Casa Branca, David Sacks, que aponta o desejo de independência tecnológica como principal razão para o desinteresse chinês.

Numa entrevista à Bloomberg Tech, Sacks indicou que o mercado chinês não demonstra vontade de comprar os chips H200 autorizados pelos EUA. “Eles estão a rejeitar os nossos chips […] aparentemente não os querem, e penso que a razão é o facto de procurarem independência na indústria dos semicondutores”, afirmou o chamado “czar da IA” da administração Trump.

David Sacks citou ainda um relatório do Financial Times, segundo o qual a China está a limitar o acesso a estes chips através de um processo de aprovação administrativa. As empresas chinesas terão de justificar a necessidade de adquirir o chip norte-americano, um mecanismo que, na prática, favorece os fornecedores nacionais.

A estratégia chinesa parece clara: apoiar o desenvolvimento de tecnologias locais. Após um longo período sem acesso a chips estrangeiros, empresas como a Huawei foram obrigadas a desenvolver soluções próprias capazes de satisfazer o mercado interno, e que poderão apresentar um desempenho igual ou até superior ao dos aceleradores H200.

Concorrência cada vez mais intensa

Se esta decisão chinesa se mantiver a longo prazo, poderá representar uma má notícia para os Estados Unidos. Embora o seu principal rival na corrida tecnológica continue sem acesso aos chips mais avançados norte-americanos, os EUA deixarão de beneficiar das receitas dessas vendas e poderão assistir ao fortalecimento da concorrência chinesa, agora com aceleradores de IA próprios.

Relatórios da Bloomberg indicam que a venda anual dos chips H200 poderia gerar receitas na ordem dos 10 mil milhões de dólares por ano (cerca de 9,2 mil milhões de euros).

A estratégia também é desfavorável para a Nvidia, que terá praticamente eliminado a sua quota de mercado na China nos últimos anos.

O CEO da empresa, Jensen Huang, já criticou publicamente o ex-presidente Joe Biden pelas suas políticas de controlo da difusão da inteligência artificial.

Em várias entrevistas, Huang chegou a prever que a China sairia mais forte do que nunca na corrida tecnológica.

A relação entre o CEO e Donald Trump é considerada boa, mas a Nvidia era contrária à autorização para vender os chips H200 à China.

O objetivo da empresa passava por comercializar os chips B30A, baseados na arquitetura Blackwell, mas estes foram travados pelo presidente.

Há algumas semanas, Donald Trump afirmou de forma categórica que os melhores chips de IA da Nvidia seriam utilizados apenas pelos Estados Unidos. Embora esta estratégia possa, de facto, impulsionar as empresas norte-americanas, outros países tenderão a investir cada vez mais em tecnologias próprias — e poderão acabar por se tornar um obstáculo sério à hegemonia tecnológica dos EUA.

Fonte: TecMundo, 16 de dezembro de 2025

Comentários