Candidatura a empréstimos europeus inclui fragatas, investimento no Alfeite, blindados, satélites e drones, refere Nuno Melo
Perry Mason
(1957-1966) – John Dall
O ministro da Defesa Nacional anunciou hoje que a
candidatura portuguesa aos empréstimos europeus SAFE inclui a aquisição de
fragatas, recuperação do Arsenal do Alfeite e a produção de blindados,
munições, satélites e drones em Portugal.
“Vamos investir em fragatas,
em artilharia de campanha, em satélites, em veículos médios de combate, em
viaturas estáticas, em munições, em sistemas antiaéreos e em drones, sendo que,
no caso dos drones, o projeto do SAFE é liderado por Portugal”,
adiantou Nuno Melo, numa conferência de imprensa que decorreu no Instituto de
Defesa Nacional (IDN), em Lisboa.
No passado dia 28, o Conselho de Ministros aprovou a
candidatura formal de Portugal ao programa europeu de empréstimos para a Defesa
SAFE, no valor de 5,8 mil milhões de euros.
Após a candidatura inicial, “abre-se agora um processo que é
de contratação até ao final de fevereiro, quando então a Comissão Europeia
confirmará em concreto tudo o que vai suceder”, explicou Nuno Melo.
Ainda assim, as prioridades do governo português já estão
estabelecidas: o executivo quer que estes investimentos avultados se traduzam
na edificação de novas infraestruturas, equipamentos e formação de pessoal no
Arsenal do Alfeite, de forma a transportá-lo “para as exigências da Armada e
também para as exigências do século XXI”.
Nuno Melo adiantou que Portugal quer ter uma “unidade
industrial para produção e manutenção de veículos blindados”, que sirva não
apenas veículos nacionais, mas também de outros países, além da instalação de
uma fábrica de munições de pequenos calibres, que já tinha sido anunciada, uma
vez que esta produção “é deficitária na União Europeia”.
“Teremos a produção de satélites, também em Portugal, reforçando o papel de Portugal no espaço”,
acrescentou Melo.
No âmbito destes investimentos, Portugal vai desenvolver
parcerias com Itália, França, Finlândia, Alemanha, Espanha e Bélgica.
Nuno Melo não detalhou ainda número de equipamentos ou a que
empresas estes vão ser adquiridos, mas interrogado sobre que investimento terá
maior peso afirmou que “o programa mais avultado será relativo à Marinha”, numa
altura em que duas empresas, a francesa Naval Group, e a italiana Fincantieri,
disputam o negócio de venda ao Estado português de duas a três fragatas.
Fonte: O Jornal Económico, 3 de dezembro de 2025
Blindados 'made in Portugal', fragatas, satélites e
munições: Nuno Melo anuncia investimento histórico na Defesa
O ministro da Defesa, Nuno Melo, anunciou esta quarta-feira
que Portugal vai acolher uma nova unidade industrial dedicada à produção e
manutenção de veículos blindados. A fábrica, que servirá não apenas as
necessidades nacionais, mas também as frotas de outros países, é uma das peças
centrais do plano de investimento suportado pelo programa europeu SAFE.
"Vamos ter uma unidade industrial para a produção e
manutenção de veículos blindados em Portugal, não apenas veículos nacionais,
mas de vários outros países", disse o ministro durante a conferência de
imprensa.
A novidade foi avançada no Instituto da Defesa Nacional, em
Lisboa, onde o governante detalhou a candidatura portuguesa a este mecanismo de
apoio financeiro da União Europeia. Ao todo, Portugal garantiu 5,8 mil milhões
de euros para investir em áreas estratégicas da Defesa até 2030.
"Trata-se de uma
oportunidade com condições extremamente favoráveis e que no passado não se conseguiriam alcançar,
que incluem uma carência de dez anos, negociações estado a estado, recurso ao
orçamento da União Europeia sem necessidade de prestações suplementares, nem há lugar ao pagamento de IVA",
sublinhou Nuno Melo, referindo-se ao programa como um momento decisivo que
"ou se aproveitava ou não" para começar a fazer "aquilo que já
devia ter sido feito há 16 ou há 20 anos".
Além de uma nova fábrica para a produção e manutenção de
veículos blindados, o ministro destacou também que o plano incluirá a
modernização do Arsenal do Alfeite, transportando a principal base da armada
para "as exigências do século XXI", bem como a criação de uma fábrica
de munições de pequeno calibre e a aposta na produção de satélites em
território nacional.
Mais do que a simples aquisição de material, o ministro da
Defesa enfatizou que a estratégia passa pelo retorno para a economia nacional. O objetivo é
assegurar que o investimento alavanca a indústria portuguesa, colocando
Portugal ao lado de parceiros europeus como Itália, França, Alemanha ou Espanha.
"Nós
não estamos a comprar equipamentos, estamos a investir em ciclos de vida",
explicou
O pacote de 5,8 mil milhões cobrirá a aquisição de fragatas,
artilharia de campanha, veículos médios de combate, viaturas táticas, sistemas
antiaéreos e drones. Em resposta aos jornalistas, Nuno Melo admitiu que a maior
fatia do investimento deve ir para a Marinha que, neste momento, procura
adquirir entre duas a três fragatas, num negócio que pode ascender aos 3 mil
milhões de euros e está a ser alvo de uma forte disputa entre o fabricante
italiano e francês.
O ministro recusou-se a responder diretamente a questões
acerca de quais os sistemas e que empresas os iriam fornecer, mas reforçou que
este investimento vai na direção imposta pelos alvos capacitários determinados
pela NATO, na cimeira de Haia. Entre os objetivos traçados estão o reforço da
capacidade antisubmarina e oceânica, bem como a concretização da Brigada Média,
um projeto que, segundo o ministro, "está atrasado 16 anos", a par de
uma Brigada Ligeira.
Ainda assim, o ministro garante que a escolha dos
equipamentos baseou-se em critérios técnicos rigorosos, com o apoio de uma
equipa que incluiu elementos dos três ramos das Forças Armadas, Direção-Geral
de Armamento, Património da Defesa e da Direção-Geral de Recursos da Defesa
Nacional. "Enquanto ministro não escolho equipamentos", insiste.
Nuno Melo disse ainda que há várias decisões que não estão
tomadas e que ficaram conhecidas até ao final de fevereiro, altura em que
termina o período de contratação. Ainda assim, o ministro anunciou a criação de
uma "estrutura de missão" equivalente à utilizada no PRR, desenhada
para implementar o SAFE, assegurar a transparência e reportar a execução dos
contratos tanto à tutela como aos organismos de fiscalização.
"Vamos criar o equivalente a estrutura de missão que
implemente o SAFE e assegure a transparência
e reporte à tutela e aos demais organismos públicos de fiscalização da execução
de todos estes contratos", garantiu Nuno Melo.
Fonte: TVI Notícias, 3 de dezembro
de 2025

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