Casa Branca defende legalidade do duplo ataque a embarcação nas Caraíbas
Perry Mason
(1957-1966) – Dianne Foster
O ataque dos Estados Unidos matou, no total, 11 pessoas. A Casa Branca assegura que foram cumpridos todos os
critérios legais.
A Casa Branca defendeu na segunda-feira que os ataques
dirigidos a uma embarcação nas Caraíbas, alegadamente servindo como correio de
droga, em setembro deste ano, foram feitos “de acordo com as leis da guerra”. A
declaração foi feita pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, numa
altura em que crescem as tensões entre Washington e Caracas.
Na semana passada, o jornal norte-americano The
Washington Post avançou que o secretário norte-americano da Defesa, Pete
Hegseth, instruiu verbalmente o Exército a matar todos os elementos da
tripulação dessa embarcação.
Após essa instrução, o almirante norte-americano Frank
Bradley terá ordenado um ataque a uma alegada embarcação venezuelana de
transporte de droga no qual morreram nove pessoas. Pouco
depois, um segundo ataque matou os dois elementos da tripulação que tinham
sobrevivido.
Na sexta-feira, Hegseth denunciou “notícias falsas” e
defendeu que as operações dos Estados Unidos nas Caraíbas são “legais tanto ao abrigo da legislação norte-americana como
internacional”.
Já esta segunda-feira, a Casa Branca confirmou em
conferência de imprensa que o almirante Bradley foi autorizado por Hegseth a
conduzir os “ataques cinéticos”. A
polémica residia não só na legalidade do ataque, mas também em quem o teria
ordenado – se o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ou o almirante Frank
Bradley.
“O almirante Bradley agiu
dentro da sua autoridade e da lei, garantindo que a embarcação seria destruída
e que a ameaça aos Estados Unidos da América era eliminada",
frisou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
A responsável acrescentou que o ataque foi feito em
“legítima defesa” e em conformidade com o direito internacional.
Após estas declarações, o secretário da Defesa escreveu na
rede social X que o almirante Bradley é “um herói americano”, manifestando
apoio total às suas decisões.
Especialistas falam em “crime de guerra”
Ao contrário da Casa Branca, vários especialistas contestam
a legalidade do ataque. À agência Reuters, Laura Dickinson, professora de
Direito da Universidade George Washington, afirmou que o ataque pode ter
constituído um “crime de guerra”.
Também a JAGs Working Group, uma equipa de antigos advogados
de assuntos militares, qualificou os ataques, “a serem verdade”, como “crimes
de guerra, assassinato ou ambos”.
O Manual das Leis da Guerra do Pentágono afirma, por sua
vez, que “náufragos são hors de combat [incapazes de lutar] e não podem
ser feitos objeto de ataque” nem alvo de “represálias”.
EUA acusa Venezuela de envolvimento no narcotráfico
O combate ao narcotráfico tem estado envolto em polémica nos
Estados Unidos, com democratas e republicanos a colocarem em causa a legalidade
dos ataques norte-americanos, tendo as comissões das Forças Armadas do Senado e
da Câmara dos Representantes pedido a recolha de evidências do duplo ataque.
A Casa Branca qualificou os narcotraficantes como
“organizações terroristas estrangeiras” e colocou na Venezuela a
responsabilidade pela crise de drogas nos EUA. Donald Trump já admitiu atacar a
Venezuela “por terra” e afirmou no sábado que o espaço aéreo venezuelano
deveria ser considerado “totalmente fechado”.
As operações norte-americanas nas Caraíbas intensificaram-se
em agosto, como forma de combater o tráfico de droga, alegadamente patrocinado
pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, algo que Caracas nega, sugerindo
que Washington quer controlar as reservas de petróleo do país.
As ações norte-americanas são consideradas por Maduro como
“terrorismo psicológico” e este tem apelado à mobilização da população contra
uma possível invasão norte-americana.
Fonte: RTP, 2 de dezembro de 2025
Os americanos não são o Hamas a decapitar nas ruas, sem apelo nem recurso. Os perpetradores são retirados dos barcos, presentes ao juiz e jurado, transitado em julgado são recolocados nos botes e pum! entra o herói americano almirante Bradley.


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