Montenegro lamenta profundamente transmissão na RTP2 de desenhos animados sobre identidade de género
Durante o debate quinzenal desta manhã no Parlamento, o
deputado do CDS Paulo Núncio referiu
um programa transmitido pela RTP, às 19:25 de 16 de novembro, intitulado “Sex
Symbols - Transgénero”. “Ao que nós chegámos”, comentou, considerando que se
tratou de “um programa absolutamente lamentável e que chocou e indignou muitas famílias portuguesas”.
Núncio disse que o programa, que era dirigido a todo o
público mas "claramente direcionado para as crianças", é “pura
propaganda de ideologia de género”. No programa, dizia-se que "em vez de
homem e de mulher, deverá passar a falar-se de ser fecundante e ser
gestante", que "o género varia para satisfazer a identidade" e
que os meninos podem ser meninas e as meninas podem ser meninos através,
simplesmente, do uso de hormonas”.
"É isto que nós queremos que os nossos filhos pequenos
vejam e ouçam na televisão pública portuguesa? E eu respondo: não, não e
não."
Paulo Núncio anunciou que “o CDS vai propor neste parlamento
um voto de protesto pela transmissão destes programas na RTP” e quis saber a
opinião de Luís Montenegro sobre esta matéria, enquanto primeiro-ministro e
enquanto cidadão, lembrando que num congresso do PSD, em 2024, “teve a coragem
de dizer que queria libertar a educação das amarras ideológicas e de fação”.
Ainda que reconhecesse não ter poderes para intervir na RTP,
Luís Montenegro respondeu: “Lamento profundamente que o programa tenha sido
emitido nos termos em que foi”. O
primeiro-ministro a subscreveu “na íntegra” as palavras do deputado do CDS e disse que isso “já ficou bem patente na
própria política que o governo vem seguindo na área da educação e, em
particular, nas alterações à disciplina de cidadania”.
Fonte: CNN Portugal, 5 de dezembro de 2025
"Sex
symbols", os desenhos animados sobre transgéneros exibidos na RTP2 que
chegaram ao Parlamento
Críticas do CDS a desenhos animados sobre transgéneros na
RTP2 mereceram o apoio do primeiro-ministro. Episódio conta a história de uma
jovem pré-adolescente que nasceu Lucas e agora se chama Lucia.
O episódio 18 da série espanhola de desenhos animados Sex
Symbols, intitulado “Transgénero”, foi exibido no passado dia 16 de
novembro na RTP2 e durou pouco mais de sete minutos. Porém, foi tempo
suficiente para chegar esta sexta-feira ao Parlamento e mobilizar um “voto de
protesto” do CDS e a subscrição “na íntegra” por parte de Luís Montenegro em
relação às críticas do deputado centrista Paulo Núncio.
“Ao que nós chegámos”, disse Paulo Núncio, considerando que
se tratou de “um programa absolutamente lamentável e que chocou e indignou
muitas famílias portuguesas”. Acrescentou ainda que o
programa “é pura propaganda de ideologia de género”.
“Em vez de homem e de mulher, deverá passar a falar de ser
fecundante e ser gestante. Porque o género varia para satisfazer a identidade.
E porque os meninos podem ser meninas e as meninas podem ser meninos através,
simplesmente, do uso de hormonas”, criticou Núncio, sublinhando que “não é
isto” que as famílias querem que os “filhos pequenos vejam e ouçam na televisão
pública portuguesa”.
Na sequência desta intervenção, o primeiro-ministro lamentou
“profundamente que o programa tenha sido emitido nos termos em que foi”, ainda
que tenha admitido não ter poderes para intervir na programação da RTP. Por
outro lado, reiterou a posição política do governo “na área da educação e, em
particular, nas alterações à disciplina de cidadania”, depois de ser lembrado
por Paulo Núncio da intenção de “libertar a educação das amarras ideológicas e
de fação”.
O episódio em que o primo Lucas se apresenta como Lucia
O episódio em causa está ainda disponível na plataforma RTP
Play, na qual a série espanhola de animação criada por Paloma Mora (produtora
já nomeada anteriormente para os Prémios Goya) é descrita como um conteúdo
“sobre as mudanças físicas e a sexualidade na pré-adolescência”. Hugo, Max, Mia
e Carla são as personagens principais destes desenhos animados e conversam
sobre as suas dúvidas e ideias em torno da educação sexual e emocional.
Neste episódio, Hugo e Max estão no campo de basquetebol e o
primeiro conta ao segundo que o primo Lucas é “um craque”. Max faz já planos
para finalmente ganharem às raparigas, o que conduz Hugo à revelação da mudança
de género do primo: “Não sei por qual equipa jogará. Agora chama-se Lucia e é
‘trans'”.
É quando surge Lucia em cena e Max pergunta ao amigo se
conhece aquela rapariga “muito gira”. Como Hugo frisa só pensar no jogo, é
surpreendido por um abraço da nova personagem.
Lucia: Há quanto tempo não te via, primo!
Hugo: Lucas? Ou melhor, Lucia! Eu não te estava a
reconhecer.
Lucia: Olá, agora sou Lucia.
Max: E eu Max. Muito prazer.
À boleia do jogo de basquetebol, Lucia explica o que
significa ser ‘trans’ e que, apesar de ter nascido com o sexo masculino, sempre
se questionou por se sentir “uma menina”. “Sou transgénero. Está tudo aqui
dentro”, diz, enquanto aponta para a sua cabeça.
Explicando que as pessoas que nascem com o sexo masculino e
o sexo feminino como “pessoas fecundantes e pessoas gestantes, respetivamente”,
Lucia prossegue e indica que quando existe identificação com o sexo essas
pessoas designam-se “cisgénero” e que quando tal não ocorre são transgénero. “As raparigas ‘trans’ não se identificam com o seu pénis.
E os rapazes ‘trans’ com a sua vagina. É isto. Simples, não é?”,
reforça.
Max refere então já ter percebido e que Lucia é “um rapaz
por dentro e uma rapariga por fora”, ao que a nova personagem esclarece: “Não.
Sou uma rapariga ‘trans’. Mas se perguntares se
tenho um pénis, sim, tenho”.
Lucia explica também que os seus pais “ajudaram bastante” e
que se informaram e entenderam a mudança. Depois, a personagem revela estar a
tomar hormonas para não lhe crescerem pelos e que mudou o nome no cartão de
cidadão. E quando for adulta, irá decidir se faz
uma operação para ter “peito e vulva”, lembrando que nem todas as
pessoas ‘trans’ se submetem à cirurgia.
No episódio, que passa ainda brevemente pela ideia de
identidade não binária, Hugo acaba a integrar a prima Lucia no jogo, que pede
para não se fazer um jogo de meninos versus meninas, mas sim misturando as
equipas.
Voto de protesto do CDS deve ser votado na próxima semana
O voto de protesto anunciado por Paulo Núncio já deu entrada
e foi aceite na Assembleia da República, devendo ser votado na próxima semana.
Segundo o documento submetido pelos centristas, a narrativa
daquele episódio “está montada para servir como o pretexto para ‘explicar’,
como matéria de facto, as prescrições da ideologia de género, nomeadamente a
primazia do género como construção social sobre o sexo como realidade natural”.
“Neste episódio, ‘explica-se’ que o ser humano nasce como
“ser fecundante” ou “ser gestante”, ao invés dos termos homem ou mulher –
alegadamente, por ser “mais inclusivo” descrever a realidade por termos que não são científicos, mas antes produto de pseudoteorias
sociológicas, de carácter vincadamente ideológico”, enfatiza o CDS.
Para os centristas, a questão da terapia hormonal num jovem
pré-adolescente revela-se igualmente problemática, face às alterações no
desenvolvimento fisiológico. “Essa realidade, que se procura retratar como algo
banal e consensual, pressupõe a existência de um consenso generalizado na
comunidade médica sobre essa matéria – que não só́ não existe, como
tendencialmente se revela contrário a estas práticas em crianças”, lê-se.
A questão foi já reportada à Provedoria do Telespectador da
RTP, com o CDS a indicar que a Provedora, Ana Sousa Dias, “entendeu considerar
‘correto’ o esclarecimento que lhe foi prestado pela Direção da RTP2, que não
considerou o programa ideológico, por ‘não tratar os temas de forma posicional
ou opinativa'”, descrevendo ainda a mensagem do episódio dos Sex Symbols
como “a integração”.
Todavia, o CDS repudiou este entendimento no voto de
protesto apresentado, fornecendo ainda outros exemplos de conteúdos que diz
propagarem a ideologia de género, como o episódio 9 da segunda temporada da
série Zoé e Milo ou os programas #Hashtag – Jovens e a identidade de
género: o terceiro sexo e Radar XS.
“Constitui uma “forma posicional ou opinativa de abordar a
identidade e sexualidade humana; e o ‘propósito de integração’ não justifica
‘explicar’, como se de matéria de facto se tratasse, que o ser humano é ‘um ser
fecundante ou um ser gestante’, cuja identidade é flexível, quando não
‘fluida’, e autodeterminada. Num programa destinado a todos os públicos, o
‘propósito de integração’ não explica a difusão, como matéria de facto, de que
‘as meninas podem ter pilinha'”,
concluem.
Fonte: Observador, 5 de
dezembro de 2025

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