Montenegro sugere que reforma laboral abre a porta a salário mínimo de 1500 euros

The Hunting Party (2025) - Siobhan Williams

Primeiro-ministro acredita que a reforma laboral é uma oportunidade para "em vez do salário mínimo serem 920 euros poder ser 1500, e em vez do salário médio serem 1500, poderem ser 2000 ou 2500”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, insistiu esta sexta-feira que esta é a altura certa para avançar com a alteração das leis do trabalho, sustentando que não é quando o país está “à rasca” que se devem “improvisar reformas”.

Não é quando estamos à rasca que nós devemos andar a improvisar reformas que transformam as nossas estruturas”, disse Luís Montenegro durante a inauguração da ampliação da fábrica da Keenfinity (antiga Bosch), em Ovar no distrito de Aveiro.

O primeiro-ministro acrescentou que é em momentos como o que o país está a viver atualmente, com estabilidade política, económica e financeira, que se deve aproveitar para, “com calma, com serenidade e com profundidade”, ver quais são as áreas específicas onde se podem alterar algumas regras, tendo como objetivo o aumento da competitividade e um maior dinamismo.

Porque é que não devemos aproveitar exatamente esta oportunidade para irmos um pouco mais longe e para, em vez de crescermos 2% ao ano, crescermos 3% ou 3,5% ou 4% e, em vez do salário mínimo serem 920 euros poder ser 1500, e em vez do salário médio serem 1500, poderem ser 2000 ou 2500”, questionou.

Na mesma ocasião, o diretor da fábrica de Ovar da Keenfinity, António Pereira, disse que o objetivo desta ampliação da fábrica é duplicar o volume de vendas e criar empregos altamente qualificados, aumentando a equipa com mais 480 colaboradores para além dos atuais 1100 funcionários.

António Pereira referiu ainda que esta nova infraestrutura é um pré-requisito para a empresa poder expandir as suas atividades de Investigação & Desenvolvimento (I&D) e operações até 2030. Com uma trajetória de mais de 50 anos e experiência de fabrico Bosch, a fábrica da Keenfinity em Ovar oferece serviços completos de manufatura eletrónica.

A nova área de produção de 3800 metros quadrados – equivalente a 14 campos de ténis – amplia a capacidade da fábrica para acomodar atividades adicionais de I&D e operações voltadas para diversos setores, representando um investimento de cerca de 19 milhões de euros, incluindo 14,7 milhões de euros em equipamento.

O grupo Keenfinity oferece produtos e sistemas para segurança e comunicação, abrangendo videovigilância e sistemas de sonorização, sistemas de intrusão e controlo de acessos, bem como sistemas de comunicação profissional.

Fonte: ECO, 5 de dezembro de 2025

O otimismo de Luís Montenegro encontra sólida confirmação na ciência económica. Não é preciso consultar gráficos do FMI: basta recordar Kristina Penava — também conhecida por Kristina Mandarina. Também ela experimentou esse otimismo em duas volumosas massas de produção de riqueza: a esquerda e a direita.

Pela esquerda, a social-democracia elevou-a suavemente rumo à prosperidade, provando que o Estado social ainda tem mãos firmes para amparar o capital humano. Pela direita, as reformas estruturais libertaram o seu mais profundo potencial empreendedor, demonstrando que o mercado, quando respira sem espartilhos nem sustentáculos, é capaz de resultados verdadeiramente… expansivos.

Assim se fez riqueza: com dois polos vigorosos a sustentar o mesmo milagre económico. E Kristina, iconicamente, apenas confirmou aquilo que os economistas já suspeitavam — que o crescimento é sempre mais sólido quando apoiado em fundamentos generosos.

Kristina Penava, vendedora de mandarinas junto à ponte Podsused, em Zagreb

Kristina, nascida a 28 de julho de 1999, tornou-se o centro das atenções da opinião pública croata — e depois também regional — em setembro de 2019. Numa banca de venda à beira da velha estrada Samoborska, em Bestovje, perto de Zagreb, onde se vendiam mandarinas do vale do Neretva, reinava uma verdadeira azáfama nos primeiros dias de outubro. Mais do que as próprias mandarinas, o que atraía a atenção era a sedutora jovem de Rab (Rabljanka), de figura esguia e seios generosos.

Como se veio a verificar, a família agrícola “Ćelić” não poderia ter tido melhor publicidade do que Kristina: todos os dias, das nove às dezanove horas, vendia cerca de 300 quilos de fruta. A notícia sobre a deslumbrante morena de peito exuberante espalhou-se rapidamente pelas redes sociais, e cada vez mais clientes queriam conhecer Kristina e comprar mandarinas. Contudo, eram mais os que apareciam na banca sobretudo por este segundo motivo, e a bem-disposta jovem de Rab nunca recusava tirar fotografias com os seus clientes. Chegou a dizer, numa ocasião, que achava tudo isso engraçado e que se ria sempre que lhe faziam tal pedido.

Ela admitiu que, devido à grande procura, têm de lhe enviar mandarinas verdes de Opuzen, porque o fruto não chega a amadurecer, mas acrescentou que não consegue acompanhar o que se passa nas redes sociais nem o que os média escrevem sobre ela, pois tem demasiado trabalho. Dado o fenómeno que desencadeou, os meios de comunicação publicavam quase diariamente informações relacionadas com a sua pessoa. Na OPG “Ćelić” 1 não quiseram comentar nada, limitando-se a confirmar que Kristina trabalhava realmente para eles.

O motivo pelo qual atraiu tantos compradores é fácil de perceber ao olhar para o seu perfil na rede social Instagram. A jovem vendedora é uma grande apreciadora de roupa, calçado, joias e acessórios de luxo, e passa o tempo livre a sair à noite. Por isso, muitos ficaram com a impressão de que vender mandarinas pode ser muito lucrativo. Além disso, é visível que Kristina gosta de tatuagens e não tem qualquer objeção a intervenções estéticas, já que ela própria se submeteu a uma cirurgia de aumento mamário. A tatuagem mais visível no seu corpo é uma coroa, na nuca. Os cerca de 15 mil seguidores que tinha antes de outubro de 2019 eram regularmente “presenteados” com fotos das suas férias no Montenegro e com fotografias quase profissionais tiradas na “špica” de Zagreb. 2

Depois de a notícia sobre ela se ter espalhado pelos média e pelas redes sociais, Kristina ganhou ainda mais popularidade, chegando a obter cerca de 2000 novos seguidores por dia. Na segunda semana de outubro de 2019, o número ultrapassou os 50 mil. A popularidade desta jovem, até então desconhecida, confirmou-se também pelo enorme interesse das pessoas que iam buscar a fruta mais procurada do outono. Surgiu até um evento público nas redes sociais promovendo uma “Excursão organizada de autocarro para comprar mandarinas à Kristina”. No entanto, os admiradores do seu “talento” ficaram desiludidos quando, certa manhã, não a encontraram no posto de venda. Na velha estrada Samoborska encontraram outra vendedora, que afirmou que Kristina “recebeu uma proposta melhor” e que já não estaria a vender mandarinas.

Pouco depois, a própria Kristina falou no seu perfil de Instagram e explicou o que se passava. Escreveu que, “devido ao grande interesse e aos pedidos dos média, vai tirar uns dias de descanso”, prometendo voltar a contactar os seus admiradores. Nas fotografias que publicou a 7 de outubro no Instagram, mostrou o seu novo penteado: as longas madeixas estavam entrançadas. Como indicou que se encontrava no bairro de Voždovac, em Belgrado, especulou-se que poderia ser precisamente na capital sérvia que tencionaria rentabilizar a sua súbita fama.

Fonte: Biografija.org, 3 de março de 2024

1. Obiteljsko poljoprivredno gospodarstvo Ćelić, isto é, Propriedade Agrícola Familiar Ćelić. É a designação oficial usada na Croácia (e também em parte da Bósnia-Herzegovina) para pequenos produtores agrícolas registados como unidades familiares que cultivam, produzem ou vendem produtos agrícolas — neste caso, mandarinas.

2. Em Zagreb, “špica” é uma expressão muito usada para designar: a zona e o ritual social de passear no centro da cidade ao sábado de manhã, sobretudo na Rua Bogovićeva e na Praça Cvjetni (Cvjetni trg). É uma espécie de “passerelle urbana”: as pessoas vestem-se bem, tomam café nas esplanadas, mostram novos outfits, encontram amigos e “desfilam”. Tornou-se quase uma instituição cultural — “ići na špicu” significa ir ver e ser visto.

No texto, “fotografias quase profissionais da zagrebačka špica” quer dizer: fotos tiradas nesse cenário social de prestígio no centro de Zagreb, associadas a estilo, moda e vida urbana.

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