Na falta do Nobel Trump dá o seu nome a um "Instituto da Paz"
The Hunting Party (2025)
Donald
Trump, que se apresenta como grande pacificador, manifestou-se hoje muito
satisfeito por ver o seu nome gravado na fachada do Instituto Americano para a
Paz, uma
organização que tentou desmantelar
O presidente americano aplaudiu a iniciativa ao presidir,
quinta-feira, à assinatura do acordo de paz entre o Ruanda e a República
Democrática do Congo (RD Congo), um dos oito conflitos que afirma ter resolvido
desde a sua tomada de posse em janeiro.
Dirigindo-se ao chefe da diplomacia americana, Marco Rubio,
presente na cerimónia, disse: "E obrigado por colocar um certo nome no
edifício. Quando cheguei, pensei 'Oh, isso é
bonito'. (...) É uma grande honra", afirmou o republicano de 79
anos.
O Departamento de Estado tinha anunciado no dia anterior a
decisão de atribuir o nome de Donald Trump àquele instituto mediante uma
mensagem na rede social X, explicando que queria "homenagear o melhor negociador da história do nosso país".
O edifício, localizado no coração de Washington, ostenta agora em relevo e com letras prateadas o nome "Donald J. Trump", acima do seu nome original: "United States Institute of Peace [Instituto da Paz dos Estados Unidos]".
O presidente americano também se mostrou muito entusiasmado
com o próprio edifício, que descreveu como "magnífico e novinho em
folha".
A construção da sede desta instituição terminou, na
realidade, em 2011.
Mas foi este mesmo instituto, criado em 1984 sob a
presidência de Ronald Reagan, que o atual presidente americano tentou
desmantelar nos primeiros meses do seu segundo mandato, tal como outros
organismos federais, demitindo a maior parte dos seus dirigentes.
Financiada pelo Congresso, esta
organização independente sem fins lucrativos procurava sobretudo prevenir e
resolver conflitos internacionais, e contava, até ao início deste
ano, com investigadores especialistas em questões internacionais, funcionando como um think tank.
Donald Trump acredita que os seus esforços para terminar com
vários conflitos no mundo - Gaza, Índia-Paquistão, Camboja-Tailândia, etc. -
deveriam valer para lhe atribuírem o Prémio Nobel da Paz.
Os especialistas realçam, no entanto, que a sua intervenção
em alguns destes conflitos foi muito limitada ou mesmo inexistente.
No caso do conflito que há décadas opõe o Ruanda e a RD
Congo, a assinatura do acordo de paz, que Donald Trump qualificou de
"milagre", ocorreu enquanto combates violentos continuavam entre o
grupo armado M23, apoiado por Kigali, e o exército congolês, apoiado por
milícias, na província do Sul-Kivu (este da RD Congo).
O antigo promotor imobiliário fez do seu nome uma marca,
inscrita em letras cintilantes nas propriedades que possui. Parece querer
continuar nessa linha no seu mandato presidencial.
Hoje, brincou com o nome da grande sala de espetáculos
pública de Washington, o "Kennedy Center", que chamou de "Trump
Kennedy Center". "Cometi um grande erro", disse depois, fazendo
de conta que se desculpava após esta confusão propositada.
Um eleito republicano já propôs renomear o maior aeroporto
que serve Washington, o Aeroporto Internacional Dulles, para "Aeroporto
Donald Trump".
O presidente americano, entusiasta de obras, anunciou
recentemente uma grande renovação desta infraestrutura.
Além disso, também supervisiona a construção de um
gigantesco salão de baile na Casa Branca. Segundo a imprensa, ele estaria em
conflito com o arquiteto responsável pelo projeto, que consideraria
desproporcionado o tamanho do edifício pretendido pelo presidente.
Donald Trump também mandou colocar vários retratos seus na
Casa Branca, rompendo com o costume que prevê que as efígies dos presidentes
americanos só sejam expostas no edifício após o término dos seus mandatos.
Entre as decorações natalícias tradicionais da Casa Branca, este ano encontra-se, por exemplo, um retrato gigante do presidente em Lego.
Fonte: CNN Portugal, 5 de dezembro de 2025







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