Principal centro cultural de Washington passa a ter nome de Trump
Perry Mason
(1957-1966) – Meg Wyllie, R.G. Armstrong
A principal sala de espetáculos de Washington foi rebatizada
Trump Kennedy Center, por decisão do seu
conselho de curadores, nomeado pelo presidente norte-americano,
anunciou a Casa Branca.
A decisão reconhece "o trabalho incrível realizado este
ano pelo presidente Trump para salvar o edifício”, em termos “da sua
reconstrução, mas também das suas finanças e da sua reputação", afirmou a
secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nas redes sociais.
Donald Trump já tinha aludido publicamente por diversas
vezes a uma mudança de nome do Kennedy Center, juntando o seu apelido ao do
célebre presidente democrata assassinado, John F. Kennedy (JFK).
Desde a sua tomada de posse em janeiro, Trump colocou
apoiantes seus no controlo desta instituição cultural, sob pretexto de que
havia sido tomado pela esquerda norte-americana.
Recentemente, o presidente promoveu um evento de gala no
centro, que pretende transformar num símbolo da sua abordagem à cultura,
conservadora e "anti-woke".
A nova direção do Kennedy Center - complexo que inclui
ópera, teatro e uma orquestra sinfónica - retirou
da programação espetáculos de transformismo e eventos que celebravam a
comunidade LGBT.
Em alternativa, ao longo dos últimos meses tem convidado
oradores religiosos de direita e artistas cristãos.
Segundo a imprensa norte-americana, a venda de bilhetes caiu
desde que Trump e os seus apoiantes assumiram o controlo do Kennedy Center.
Numa visita ao centro cultural em agosto, Trump anunciou
"pretender reformar o Kennedy Center para que possa voltar a ser o principal
local de artes cénicas de todo o país, e talvez do mundo inteiro".
"Acabámos com a política 'woke' deste grande espaço
para espetáculos", proclamou.
Este ano, a lista de premiados do centro inclui Sylvester
Stallone, de 79 anos, ator famoso pelo seu papel de Rocky Balboa nos filmes Rocky,
simbolicamente designado como um dos "embaixadores" de Trump em
Hollywood depois de ter classificado o septuagenário republicano de
"segundo George Washington", em referência ao primeiro presidente do
país.
A lista inclui outros veteranos como Gloria Gaynor, de 81
anos, e George Strait, de 73, uma lenda da música country, género
tradicionalmente apreciado pelos conservadores.
Entre os vencedores estão ainda a banda KISS, formada na
década de 1970 em Nova Iorque - cidade natal do presidente - e o ator britânico
Michael Crawford, de 83 anos, conhecido pelo seu papel em "O Fantasma da
Ópera".
Donald Trump afirma ser fã de musicais da Broadway.
No seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, Trump não
compareceu na cerimónia de entrega de prémios do Kennedy Center, após alguns
artistas dizerem que não o queriam conhecer.
Uma lei apresentada no Congresso por alguns republicanos -
"Tornar o Entretenimento Grande de Novo", numa referência ao
movimento trumpista MAGA - propôs mesmo que a instituição fosse rebatizada com
o nome de Donald e Melania Trump, a primeira-dama.
Desde a tomada republicana do Kennedy Center, vários
artistas, incluindo a atriz Issa Rae, cancelaram as suas atuações.
A produtora do famoso musical "Hamilton", que
explora a vida de um dos fundadores dos Estados Unidos, Alexander Hamilton,
também anunciou o cancelamento das suas atuações de 2026.
Trump tomou também o controlo de vários museus importantes
na capital, na sua 'cruzada' conservadora contra o que chama "propaganda
anti-americana" na arte, na investigação e na história.
Para garantir o seu "alinhamento" com a visão de
Trump, a Casa Branca anunciou que planeia realizar uma revisão completa da
Smithsonian Institution, a organização que gere os principais museus de
Washington.
Em agosto, foi retirada de uma exposição sobre processos de
impugnação presidenciais no país a referência a Trump - o único presidente
norte-americano a ser impugnado por duas vezes (2019 e 2021).
Também na capital norte-americana, o nome do multimilionário
de 79 anos foi recentemente colocado na fachada do Instituto da Paz, decisão
tomada pelo Departamento de Estado.
Fonte: TVI Notícias, 19 de
dezembro de 2025

Comentários
Enviar um comentário