Trump acusa Administração Democrata dos males na economia e anuncia cheque às tropas
Perry Mason
(1957-1966) – Ford Rainey, Anna Lee
O presidente dos Estados Unidos proferiu esta quarta-feira
um discurso recheado de acusações à anterior administração democrata, e
anunciou o envio de um cheque de 1776 dólares (1500 euros) às tropas
norte-americanas no Natal.
As declarações foram feitas num momento em que o país se
prepara para celebrar as festas de fim de ano, mas Trump manifestou-se mais
focado nas divisões internas nos Estados Unidos do que num sentimento de
unidade.
O discurso repetiu várias das mensagens recentes de Trump,
que até agora não conseguiram acalmar a ansiedade do público em relação ao
custo dos alimentos, habitação, serviços públicos e outros bens básicos.
Trump prometeu um boom económico, mas a inflação permaneceu
elevada e o mercado de trabalho enfraqueceu na sequência da imposição de
impostos sobre as importações.
O chefe de Estado sugeriu que as tarifas - que são
parcialmente responsáveis pelo aumento dos preços ao consumidor - financiariam
um novo "dividendo do guerreiro" que abrangerá 1,45 milhões de
militares, traduzindo-se num pagamento que pode aliviar algumas dificuldades
financeiras sentidas por muitas famílias. O valor de 1776 dólares constitui uma referência ao 250.º
aniversário da assinatura da Declaração da Independência no próximo ano.
"Os cheques já estão a caminho", anunciou Trump.
Ladeado por duas árvores de Natal e com um retrato de George
Washington por detrás, o discurso proferido na Sala de Receção Diplomática da
Casa Branca, procurou atribuir ao seu antecessor, Joe Biden, todas os desafios
que a economia enfrenta.
"Há onze meses, herdei uma trapalhada e estou a
consertá-la", disse Trump. "Estamos
prestes a ter um boom económico como o mundo nunca viu",
acrescentou.
A popularidade de Trump junto do eleitorado tem vindo a cair
sustentadamente e os votos de boas festas surgem num momento particularmente
sombrio. Em 2026, Trump e o Partido Republicano enfrentam um referendo sobre a
liderança do inquilino da Casa Branca, nas eleições intercalares, que decidirão
o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado.
O discurso desta quarta-feira ofereceu uma oportunidade a
Trump para tentar recuperar algum ímpeto, depois das derrotas republicanas nas
eleições deste ano.
O chefe de Estado falou em ritmo acelerado e tentou
responder à frustração pública com a economia, fazendo promessas ousadas sobre
o crescimento no próximo ano, dizendo que as taxas sobre as hipotecas irão cair
e que "anunciará algumas das reformas no setor da habitação mais
agressivas da história americana".
Trump trouxe gráficos para mostrar que a economia está em
trajetória ascendente, fez afirmações sobre o crescimento dos rendimentos,
desaceleração da inflação e influxo de investimentos no país, alegando que
líderes estrangeiros lhe garantiram que os Estados Unidos é o "país mais
promissor do mundo", uma afirmação que o presidente tem
repetido em eventos públicos.
A matemática dura internalizada pelo público pinta, porém,
um quadro mais adverso, de uma economia com alguma estabilidade, mas poucos
motivos para inspirar confiança.
O mercado de ações está em alta, os preços da gasolina estão
em baixa e as empresas de tecnologia estão a apostar fortemente no
desenvolvimento da inteligência artificial. Mas a inflação, que vinha a
diminuir após atingir o nível mais alto em quatro décadas em 2022 sob o governo
Biden, voltou a acelerar depois de Trump declarar ao mundo uma guerra tarifária
em abril.
O índice de preços ao consumidor está a aumentar a uma
taxa anual de 3%, acima dos 2,3% registados desde o "Dia da
Libertação" em 2 de abril, quando Trump anunciou impostos
às importações de produtos de praticamente todo o mundo, que mais tarde
suspendeu e reajustou sucessivamente ao longo dos meses seguintes.
No trabalho, a taxa de desemprego subiu de 4% em janeiro
para 4,6% atualmente, mas Trump diz que os compromissos de investimento em
novas fábricas impulsionarão os empregos na indústria e que o consumo ganhará
um novo estímulo quando as pessoas receberem maiores restituições de impostos
no próximo ano.
No plano da saúde, Trump tentou culpar os democratas pelo
provável aumento nos prémios de seguro de saúde, uma vez que os subsídios
vinculados à Lei de Cuidados Acessíveis de 2010 estão a expirar. Trump tem
sugerido que o eventual aumento dos prémios seja suportado pelos beneficiários
de seguro de saúde, em vez de imputados às empresas, e ainda não se comprometeu
com uma solução legislativa específica.
Fonte: RTP, 18 de dezembro de 2025

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